06/02/2019

Quatro maneiras de aumentar o seguro de assistência a idosos com Internet das Coisas e Inteligência Artificial

 a federação global de associações de seguros (gfia, na sigla em inglês) é uma associação sem fins lucrativos criada para representar as associações de seguros nacionais e regionais que atendam aos interesses gerais das empresas de seguro de vida, saúde, seguros gerais e resseguro. a instituição tem como objetivo fazer representações aos governos nacionais, reguladores internacionais e outros em nome do mercado segurador mundial. com 40 instituições associadas, entre elas a cnseg, a gfia representa cerca de 87% do total de produção de prêmio de seguros no mundo. semanalmente, a gfia distribui aos seus membros um boletim com um compilado de consultas, publicações e notícias com o objetivo de contribuir para um diálogo internacional sobre questões de interesse comum do mercado segurador. para mais informações sobre a gfia, acesse seu site institucional: www.gfiainsurance.org/en. consultas e publicações recentes em 22 de janeiro, a câmara canadense de comércio publicou um relatório intitulado “data fast forward: uma receita para inovação, equilíbrio e confiança”. em 24 de janeiro, o fundo monetário internacional (fmi) publicou um podcast com maryam farboodi, professora assistente de finanças do mit sloan school of management, sobre big data e grandes empresas. em 24 de janeiro, a organização mundial do comércio (omc) publicou um discurso de seu vice-diretor-geral, yi xiaozhun, que ressaltou a importância de explorar as sinergias entre a omc e a cooperação econômica ásia-pacífico (apec). em 28 de janeiro, o fmi publicou as declarações de abertura de tobias adrian, diretor do departamento de mercados monetários e de capital do fmi, que foi entregue na conferência de viena no âmbito da agenda de bali sobre fintech. em 29 de janeiro, a organização para cooperação e desenvolvimento econômico (ocde) anunciou que a comunidade internacional fez importantes progressos nos desafios fiscais da digitalização. fonte: cnseg
06/02/2019

'Não é o mercado que vai resolver a desigualdade social', diz governador do ES

  renato casagrande ocupa o cargo pela segunda vez e diz ter boa relação com o presidente bolsonaro para compartilhar esse conteúdo, por favor utilize o link https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/02/nao-e-o-mercado-que-vai-resolver-a-desigualdade-social-diz-governador-do-es.shtml ou as ferramentas oferecidas na página.
06/02/2019

Saques em poupança superam depósitos em R$ 11,232 bilhões em janeiro

 para fazer frente às despesas do início de ano, os brasileiros sacaram r$ 11,232 bilhões líquidos da caderneta de poupança em janeiro, informou o banco central. o montante é o segundo maior da história para o mês de janeiro, perdendo apenas para os r$ 12,032 bilhões sacados em janeiro de 2016. a série histórica do bc começou em janeiro de 1995. os saques líquidos registrados no mês passado refletem, em grande parte, a necessidade de recursos para pagar despesas como iptu, ipva, matrículas e materiais escolares. janeiro já é, tradicionalmente, um mês em que as famílias retiram recursos da caderneta, sendo que muitas vezes a origem do dinheiro é o 13º terceiro salário pago em dezembro. a diferença é que os r$ 11,232 bilhões líquidos retirados da caderneta em janeiro deste ano é mais que o dobro do montante registrado em janeiro de 2018 (r$ 5,201 bilhões). foram r$ 205,905 bilhões em saques no mês passado, contra r$ 194,673 bilhões em depósitos. considerando os rendimentos de r$ 2,940 bilhões na poupança em janeiro, o saldo global da caderneta chegou aos r$ 788,989 bilhões. no fim de 2018, este saldo estava em r$ 797,281 bilhões. recuperação em função da crise econômica, a caderneta registrou saídas líquidas em 2015 e 2016, mas iniciou um processo de recuperação no ano seguinte. em 2018, em meio à relativa retomada do emprego e da renda, a poupança fechou o ano com captação líquida de r$ 38,260 bilhões. esta procura maior pela poupança no ano passado ocorreu apesar de a rentabilidade ser, atualmente, inferior ao visto em anos anteriores. hoje a poupança é remunerada pela taxa referencial (tr), que está próxima de zero, mais 70% da selic (a taxa básica de juros da economia). a selic, por sua vez, está em 6,50% ao ano desde março de 2018. na noite desta quarta-feira, o bc anunciará o novo patamar da selic, mas a tendência é de que a taxa não mude. esta regra de remuneração da poupança vale sempre que a selic estiver abaixo dos 8,50% ao ano. quando estiver acima disso, a poupança é atualizada pela tr mais uma taxa fixa de 0,5% ao mês (6,17% ao ano). esta remuneração, mais elevada, deixou de valer em setembro de 2017, quando a selic passou para abaixo do nível de 8,50%. brasil apesar dos resultados positivos da caderneta nos dois últimos anos, os brasileiros ainda não têm o hábito de guardar dinheiro. dados do banco mundial mostram que, em 2017, apenas 32% dos brasileiros com mais de 15 anos de idade guardaram alguma quantia de dinheiro - seja na caderneta, seja em qualquer outra aplicação financeira. a média global é de 48% e nos países de alta renda o porcentual é de 73%.   jornal do comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/economia/2019/02/668947-saques-em-poupanca-superam-depositos-em-r-11-232-bilhoes-em-janeiro.html)  
04/02/2019

Mercado livre de energia busca crescimento

 formado por grandes consumidores, que podem optar de quem vão comprar energia, o mercado livre dá sinais que crescerá cada vez mais no brasil. além da diversificação dos interessados (em um primeiro momento, foram as grandes empresas que fizeram a migração; agora, esse leque está se abrindo), neste ano, começará a vigorar a redução dos limites de demanda para quem quiser adotar essa prática. atualmente, quem possui demanda superior a 3 mw pode sair da rede cativa (que é alimentada por distribuidoras como a ceee-d e a rge) e escolher de quem vai comprar energia, independentemente da fonte selecionada (térmica, hídrica, eólica etc.). quem tem demanda entre 0,5 mw e 3 mw também pode seguir esse caminho, mas é chamado de consumidor especial e precisa adquirir energia renovável (como eólica, biomassa ou de pequenas centrais hidrelétricas). porém, em 28 de dezembro, o ministério de minas e energia publicou a portaria nº 514/2018, que estipulou a redução do limite de carga para a contratação de energia de qualquer tipo de fonte, o que pode baratear o custo da eletricidade. >> quer receber notícias como esta no seu whatsapp? clique aqui!   jornal do comércio – por jefferson klein (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/economia/2019/01/667674-mercado-livre-de-energia-busca-crescimento.html)
04/02/2019

Começa a contagem regressiva para declarar Imposto de Renda

 apesar de o fisco ainda não ter divulgado as regras para a declaração de imposto de renda (ir) neste ano, dá para se antecipar e evitar problemas futuros. para evitar correria e dor de cabeça na hora de prestar contas à receita federal sobre ganhos e despesas de 2018, é bom se antecipar e aproveitar o tempo livre para reunir documentos e se organizar. apesar de o fisco ainda não ter divulgado as regras para a declaração de imposto de renda (ir) neste ano, dá para se antecipar e evitar problemas futuros. túlio, que preferiu não informar o sobrenome, tem 21 anos, é servidor público e vai enfrentar o leão pela primeira vez. para isso, conta com a ajuda e a experiência do pai e do irmão. “eu só sei que preciso declarar minhas doações e meu rendimento próprio. por enquanto, ainda estou bem perdido, não sei como a declaração do ir funciona direito”, disse. de acordo com jônatas bueno, educador e terapeuta financeiro, a preocupação maior no momento deve ser reunir documentos. “é bom juntar tudo agora. e, para quem já declarou, é interessante verificar a documentação do ano passado, ver o que foi feito, para facilitar a declaração deste ano.” algumas informações não mudam. é preciso ter os números da identidade, do título de eleitor, do cpf, além de endereço, e-mail, telefone e identificação de banco, com agência e conta, para devolução, quando houver. apesar de alguns documentos necessários para o preenchimento da declaração ainda não terem sido entregues, como os comprovantes de rendimentos fornecidos por empresas ou os de recebimento de benefícios do instituto nacional de seguro social, é possível separar recibos de saúde — de médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, internações, exames —, de vendas de imóveis, de ganhos extras, como com aluguéis, e de pagamentos de escolas. se, no ano passado, a pessoa fez reforma em imóvel próprio, o educador financeiro aconselha reunir os recibos para abater no total do imposto a ser pago. “é bom guardar todos os recibos de serviços de manutenção feitos no imóvel para atualizar o valor do bem e, assim, aumentar o total pago. isso vai ajudar a reduzir o imposto a ser pago em uma futura venda”, explicou. algumas doações também podem aumentar o valor a ser restituído pela receita. por isso, é importante separar os comprovantes. é importante ainda pegar no banco o comprovante com o saldo de conta-corrente e de aplicações financeiras. a servidora pública maria regina ferreira, ao contrário de anos anteriores, já começou a separar tudo que precisa para declarar o ir. “antes, deixava tudo espalhado e para a última hora. este ano, resolvi me organizar.” segundo ela, isso tornará tudo bem mais fácil depois. “já que é um dever, que seja feito logo, e, se tiver restituição, ela vem mais cedo também”, disse. escolha outro ponto importante para a declaração é saber a hora certa de entregar a documentação ao fisco. segundo bueno, a pessoa precisa levar em conta a rapidez com que necessita do dinheiro da restituição. se precisar muito, o ideal é fazer logo nos primeiros dias. para quem tem reserva financeira, ele indica deixar mais para o fim do prazo, pois o valor a receber é atualizado com base na taxa selic (taxa básica de juros). “o dinheiro recebido acaba sendo valorizado”, explicou. com os documentos organizados ou encaminhados, o próximo passo é se preocupar com outra questão: qual tipo de declaração será mais benéfica. o modelo simplificado, segundo o contador geraldo rodrigues, é indicado para quem tem um emprego só e poucas despesas restituíveis, pois garante um abatimento de 20%. para quem tem várias despesas, é aconselhável fazer o modelo completo. a escolha sobre qual a melhor forma de declarar é uma das maiores dificuldades de marissa machado borges. ela presta serviços a duas empresas e, para evitar erros, contrata um contador para auxiliá-la. “a minha maior dificuldade é não saber se faço a declaração completa ou a simplificada. depois que entrei na segunda instituição (outra fonte de renda), fiquei com receio e não tentei mais fazer sozinha.” mas, apesar do auxílio de um profissional, marissa já teve problemas com os documentos. há oito anos, o contador esqueceu de declarar um livro autoral dela, o que teve como consequência um prejuízo no ano seguinte. “o contador da época esqueceu de declarar um material pelo qual havia recebido. só fui ficar sabendo na declaração do outro ano, quando apareceu que eu tinha uma pendência. entrei em contato com a receita e tive que pagar o débito com juros.” abatimentos uma alternativa para reduzir a voracidade do leão é ficar de olho nos abatimentos possíveis, como os gastos com educação, saúde, doações, pagamentos de pensão. o investimento em previdência privada também permite reduzir o pagamento de imposto. foi o que fez o professor fausto contracheques.
04/02/2019

Reforma da Previdência: por que 4 países da América Latina revisam modelo de capitalização, prometido por Guedes ...

 camelo, que tem vínculo empregatício em mais de uma instituição de ensino. “como o ajuste anual sempre me desfavorece, decidi aplicar em um plano de previdência privada, que me permite abater até 12% da minha receita bruta anual no ir”, conta. além dessa estratégia, fausto cadastrou as duas filhas como dependentes, pois, assim, ele teve o desconto previsto em lei. além disso, as despesas médicas e educacionais delas podem ser abatidas. da mesma forma, o professor lança as contribuições pagas à previdência social para a empregada doméstica. medidas tomadas, documentos separados, camelo espera reduzir a mordida do leão, ou até mesmo não pagar mais do que já foi descontado nos seus pelo menos quatro países da américa latina que têm sistemas de aposentadoria com regimes de capitalização - chile, colômbia, méxico e peru - têm revisado seus modelos nos últimos anos e, em alguns casos, proposto mudanças na legislação previdenciária.   décadas depois de realizarem grandes reformas que, via de regra, substituíram sistemas públicos de previdência por outro total ou parcialmente privatizados, cada um deles se deparou com pelo menos um grande problema: ou o valor dos benefícios recebidos pelos aposentados era muito baixo ou o alcance do sistema se revelou muito restrito, o que deixaria um percentual significativo da população sem aposentadoria no futuro.   ao contrário de boa parte dos vizinhos, o brasil ainda segue um modelo de repartição na previdência, que é administrada exclusivamente pelo governo e na qual as contribuições de quem está na ativa pagam os benefícios de quem está aposentado.   no regime de capitalização, cada trabalhador faz sua própria poupança em contas individuais que, de forma geral, são geridas por entidades privadas. o ministro da economia, paulo guedes, repetiu durante a campanha eleitoral sua intenção de instituir esse modelo no brasil. no início de janeiro, ele declarou que o regime de capitalização seria para "gerações futuras" de trabalhadores brasileiros, sem dar detalhes. a equipe econômica deve encaminhar uma proposta de reforma da previdência ao congresso neste mês.   no caso do chile, primeiro país do continente a adotar um regime de capitalização, em 1983, o governo propôs em outubro do ano passado mudanças pontuais na legislação para tentar elevar gradualmente o nível baixo das aposentadorias.   o peru, que fez sua reforma em 1992 e enfrenta problema parecido, tem discutido medidas semelhantes às estudadas no chile, entre elas aumentar as alíquotas de contribuição.   na colômbia, a questão é a baixa cobertura do sistema de capitalização. diante de uma participação expressiva do emprego informal no mercado de trabalho, muita gente sequer contribui para o sistema de previdência e corre o risco de ficar sem aposentadoria.   a equipe do presidente ivan duque anunciou em 2018 que enviaria ao legislativo uma proposta reforma, mas ainda não a apresentou.   no méxico, a situação é parecida. em 2018, antes da posse do presidente andrés manuel lópez obrador, que ocorreu em dezembro, o secretário da fazenda e crédito público, carlos urzúa, declarou que o governo trabalharia em uma mudança nos sistemas de aposentadoria para tentar corrigir as falhas.   a proposta de reforma viria "em três ou quatro anos".   no chile, maioria dos aposentados recebe menos de um salário mínimo.   por ter sido o primeiro país do continente a fazer a transição de um sistema público de previdência para um totalmente privatizado, o chile já tem hoje uma geração de aposentados pelas regras instituídas pela reforma - feita em 1983, durante a ditadura de augusto pinochet.   o principal problema do modelo chileno é baixo valor dos benefícios. de acordo com felipe bruno, líder de previdência da consultoria mercer no brasil, nove em cada dez aposentados no país recebe o equivalente a menos de 60% de um salário mínimo, que hoje é de cerca de us$ 450.   a principal razão para isso, segundo guillermo larráin, professor da universidade do chile, é o fato de que as contribuições feitas pelos trabalhadores - hoje de 10% do salário - não são suficientes para garantir uma renda que satisfaça as necessidades básicas dos chilenos aposentados.   apenas para efeito de comparação - já que o modelo brasileiro é essencialmente diferente do que vigora no vizinho -, a contribuição previdenciária paga pelos empregados no brasil vai de 8% a 11% da remuneração, mas as empresas recolhem para o inss o equivalente a 20% do salário do funcionário. "quando a reforma foi feita no chile, existia um otimismo irracional a respeito da capacidade de poupança do sistema", diz o economista.   além da questão da contribuição em si, as oscilações constantes da economia chilena - que, como a maioria dos países do continente, alterna ciclos de crescimento com períodos de crise - prejudicaram a rentabilidade dos fundos de pensão.   ao contrário do sistema público, no sistema de contas individuais as taxas de juros são extremamente importantes, porque determinam quanto o que foi poupado vai valer no futuro e, portanto, o nível de renda dos aposentados.   felipe bruno, da mercer, ressalta ainda o fato de que há pouca concorrência entre gestoras de fundos de pensão no país, que cobram taxas de administração muitas vezes elevadas e que muitas vezes são pouco transparentes.   a nova reforma da previdência no chile   em outubro de 2018, o presidente sebastián piñera encaminhou ao congresso uma proposta de reforma que prevê um aumento gradual da alíquota previdenciária de 10% para 14%. a diferença seria paga pelas empresas, que até então só contribuíam em casos de profissões insalubres.   "sabemos que hoje as aposentadorias são muito baixas e inferiores às expectativas de nossos idosos", disse ele durante o pronunciamento.   as medidas, que ainda precisam ser aprovadas pelo legislativo chileno, preveem também um reforço do "pilar solidário" da previdência, que paga benefícios assistenciais àqueles em situação de vulnerabilidade social. a previsão é que esse tipo de gasto, pago pelo governo, cresça de 0,8% para 1,12% do pib (produto interno bruto).   em comunicado veiculado em rede nacional, piñera ressaltou que, dos 2,8 milhões de aposentados no chile, mais da metade - 1,5 milhão - necessitam de auxílio do pilar solidário. ou seja, recebem ou a chamada pensión básica solidária de vejez (pbsv), que varia entre us$ 180 e us$ 215, ou o aporte previsional solidario de vejez (apsv), subsídio pago a quem ganha menos de us$ 470, para complementar a renda.   larráin conta que o pbsv e o apsv foram criados em uma reforma recente, de 2008, que introduziu uma série de medidas de prevenção da pobreza na terceira idade.   do total de pessoas que dependem do pilar solidário, 62% são mulheres - que em geral têm uma participação mais intermitente no mercado de trabalho, muitas vezes interrompida pela maternidade.   “mesmo tendo servido como inspiração para o resto da região, nem o chile está livre da necessidade de reformar o próprio regime de previdência”.   constantin jancsó, economista do bradesco, no relatório sistemas de previdência social na américa latina, enviado a clientes em dezembro.   no peru, que enfrenta problema bastante semelhante ao do chile, o sistema de capitalização existe em paralelo ao sistema de repartição - o trabalhador pode escolher se contribui com 13% da renda bruta para sistema nacional de pensiones (snp) ou com 10% do salário para o sistema privado de pensiones (spp).   os empregadores não precisam contribuir, a não ser que seus funcionários sejam pescadores, trabalhadores da construção e mineradores.   o país instituiu em 2017 uma comisión de protección social (cps), vinculada ao ministério da fazenda, para fazer um diagnóstico do sistema e propor mudanças e estuda instituir alguma alíquota de contribuição para as empresas na tentativa de elevar o valor médio dos benefícios pagos aos aposentados.   no méxico e na colômbia, 7 em cada 10 trabalhadores corre o risco de ficar sem aposentadoria.   o sistema de aposentadorias mexicano está entre os piores no ranking feito pela consultoria mercer. entre 34 países, ocupa a 32ª posição - atrás apenas de índia e argentina.   a avaliação leva em consideração três parâmetros: adequação (o quanto os benefícios conseguem garantir um nível de renda satisfatório aos idosos), sustentabilidade (se os gastos do governo com os respectivos sistemas cabem no orçamento público) e integridade (se os sistemas têm governança, capilaridade).   o brasil está no 21º lugar do ranking de 2018, com boa pontuação no quesito adequação e uma das piores notas em sustentabilidade.   o principal problema do méxico, para o pesquisador do instituto de investigaciones económicas da universidade nacional autónoma de méxico (iiec-unam) gabriel badillo, é a baixa taxa de cobertura do sistema previdenciário, que é de pouco mais de 30%.   grosso modo, isso significa que, a cada dez mexicanos ocupados, cerca de três apenas recolhem contribuição mensal para a previdência.   para badillo, o fato de que o mercado de trabalho no méxico é marcado pela informalidade - cerca de 60% daqueles empregados não têm carteira assinada - não teria sido levado em consideração na reforma feita em 1997, que instituiu o regime de capitalização.   para aqueles que não recolhem a contribuição mensal e que correm o risco de ficar sem aposentadoria no futuro, a alternativa seriam os benefícios assistencialistas e as chamadas aposentadorias não contributivas, criadas pelo governo na tentativa de evitar situações de indigência na terceira idade.   o programa pensiones para adultos mayores (pam), por exemplo, foi criado em 2013 e paga cerca us$ 50 por mês para idosos sem aposentadoria com mais de 65 anos.   no último dia 13 de janeiro, o presidente andrés manuel lopez obrador, recém-empossado, lançou o programa de pensión para el bienestar de las personas adultas mayores com o intuito de aumentar o valor dos benefícios pagos aos idosos.   aumentar o percentual de contribuintes também é desejável do ponto de vista das finanças do governo, para reduzir as pressões fiscais que acabam avançando pelo lado da rede de proteção social, acrescenta jancsó, do bradesco, no relatório sobre os sistemas de previdência da américa latina.   sem um nível elevado de participação dos trabalhadores, os governos correm o risco de gastar cada vez mais com benefícios não contributivos para idosos e com aposentadorias mínimas.   o sistema de repartição gerido pelo instituto mexicano de seguridade social (imss) ainda convive com o sistema de capitalização individual, cuja adesão é obrigatória apenas para aqueles que entraram no mercado de trabalho depois de 1997.   na colômbia, que instituiu o sistema de capitalização em 1993, o regime também é híbrido, com a diferença de que o segurado pode converter seu plano de seguridade social em plano de contribuição individual - e vice-versa - a cada cinco anos, até 10 anos antes da aposentadoria.   para hervé boulhol, economista-sênior da diretoria de emprego, trabalho e assuntos sociais da ocde (organização para a cooperação e desenvolvimento econômico), essa característica é mais um desafio do modelo colombiano.   “o fato de o contribuinte poder ir e voltar cria um risco fiscal para o governo, que poderia eventualmente ter que lidar com um aumento das despesas com aposentadorias caso houvesse uma grande migração para o sistema público, por exemplo”.   a fedesarrollo, organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa de temas de políticas econômica e social, afirma que hoje apenas 35% dos trabalhadores recolhem algum tipo de contribuição previdenciária e que, sem reformas, em 2050 apenas 17% dos colombianos com mais de 60 anos receberiam aposentadorias.   o presidente ivan duque, que assumiu o cargo em agosto do ano passado, já declarou que encaminhará ao congresso uma proposta para reformar o sistema - sem, entretanto, fixar um prazo.   além da alta taxa de informalidade e as alíquotas de contribuição baixas, outro problema comum nos sistemas de capitalização na américa latina é o fato de que a poupança feita pelos trabalhadores tem que financiar períodos cada vez maiores, devido ao aumento da expectativa de vida.   "no chile, por exemplo, uma mulher que se aposenta aos 60 anos de idade vive em média até os 91. com o que pouca tem de financiar em média 31 anos de aposentadoria. para ter uma renda mais alta, ela vai precisar poupar mais ou parar de trabalhar mais tarde", diz mariano bosch, especialista da divisão de mercado de trabalho do bid (banco interamericano de desenvolvimento) e coautor de presente e futuro das aposentadorias na américa latina e caribe.   qual a solução?   bruno, da mercer, ressalta que holanda e dinamarca, os mais bem colocados no índice global de sistemas previdenciários da consultoria, têm sistemas de aposentadoria que não são nem totalmente públicos nem totalmente privados.   eles têm um pilar de repartição simples - que paga aposentadorias modestas a todos os seus segurados, mas que tem um grande alcance na população idosa - e, sobre ele, um pilar de capitalização, que serve como uma espécie de renda complementar para aumentar a aposentadoria daqueles com maior capacidade contributiva.   a ideia geral é que, quem recebe maiores salários, poupa um pouquinho mais no braço privado do sistema para ter benefícios maiores durante a aposentadoria.   em ambos os países, o sistema de proteção social funciona como "pilar zero", com pagamento de benefícios assistenciais para evitar situações de extrema pobreza na terceira idade.   "esse pilar de solidariedade é imprescindível a qualquer sistema de aposentadoria, especialmente aos países em que o nível de informalidade é elevado", acrescenta boulhol, da ocde.   boulhol e mariano, do bid, ponderam que não há uma fórmula que sirva para todos os países e que um bom sistema de aposentadoria depende de seus parâmetros - idade de aposentadoria, alíquotas de contribuição, nível dos benefícios.   ambos afirmam, ainda, que o sistema brasileiro da maneira como está estruturado hoje tampouco é sustentável, já que tem um peso excessivamente alto nas contas do governo - maior do que o observado entre os vizinhos.   veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/bbc/2019/02/04/reforma-da-previdencia-por-que-4-paises-da-america-latina-revisam-modelo-de-capitalizacao-prometido-por-paulo-guedes.htm?cmpid=copiaecola
04/02/2019

Mercado reduz expectativa de alta do IPCA para 2019

 os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o ipca, índice oficial de inflação, em 2019. o relatório de mercado focus divulgado na manhã desta segunda-feira (4), pelo banco central, mostra que a mediana para o ipca este ano passou de alta de 4,00% para elevação de 3,94%. para o produto interno bruto (pib) em 2019, o mercado apontou alta de 2,50%, que estava em 2,53% há quatro semanas. para 2020, o mercado financeiro manteve a previsão de alta do pib, em 2,50%. quatro semanas atrás, estava no mesmo nível. à espera da decisão do comitê de política monetária (copom) sobre o novo patamar da selic, nesta quarta-feira (6), os economistas alteraram suas projeções para a taxa básica no fim de 2019, passando de 7,00% para 6,50% ao ano. há um mês, estava em 7,00%. já a projeção para a selic no fim de 2020 seguiu em 8,00%, igual ao visto quatro semanas atrás. há um mês, estava em 4,01%. a projeção para o índice em 2020 seguiu em 4,00%. quatro semanas atrás, estava no mesmo nível. o relatório focus trouxe ainda a projeção para o ipca em 2021, que seguiu em 3,75%. no caso de 2022, a expectativa também permaneceu em 3,75%. há quatro semanas, essas projeções eram de 3,75% para ambos os casos. a projeção dos economistas para a inflação está abaixo do centro da meta de 2019, de 4,25%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,75% a 5,75%). para 2020, a meta é de 4%, com margem de 1,5 ponto (de 2,50% a 5,50%). no caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). no último dia 11, o instituto brasileiro de geografia e estatística (ibge) informou que o ipca de 2018 fechou com taxa de 3,75%. em dezembro, o comitê de política monetária (copom) do bc havia atualizado suas projeções para a inflação. no cenário de mercado, o bc projeta ipca de 3,9% em 2019, 3,6% em 2020 e 3,7% em 2021. no focus, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do ipca no médio prazo, denominadas top 5, a mediana das projeções para 2019 foi de 3,90% para 3,83%. para 2020, a estimativa do top 5 permaneceu em 4,00%. quatro semanas atrás, as expectativas eram de 3,96% e 4,00%, nesta ordem. no caso de 2021, a mediana do ipca no top 5 permaneceu em 3,75%, igual ao verificado há um mês. a projeção para 2022 no top 5 seguiu em 3,50%, ante 3,78% de quatro semanas atrás. esse porcentual foi divulgado no relatório trimestral de inflação (rti) de dezembro. no relatório focus desta segunda-feira, a projeção para a produção industrial de 2019 seguiu indicando alta de 3,04%. há um mês, estava no mesmo patamar. no caso de 2020, a estimativa de crescimento da produção industrial permaneceu em 3,00%, igual ao visto quatro semanas antes. a pesquisa focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o pib para 2019 passou de 56,00% para 56,35%. há um mês, estava em 56,70%. para 2020, a expectativa foi de 58,16% para 58,30%, ante 58,65% de um mês atrás. o mercado financeiro projeta alta de 1,25% para o pib em 2018, conforme o sistema de expectativas de mercado do relatório focus. uma semana antes, a estimativa estava em 1,27%. o instituto brasileiro de geografia e estatística (ibge) informará o resultado do pib em 2018 apenas em 28 de fevereiro. o focus mostrou mudança no cenário para a moeda norte-americana em 2019. a mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano passou de r$ 3,75 para r$ 3,70, ante os r$ 3,80 de um mês atrás. para 2020, a projeção para o câmbio no fim do ano foi de r$ 3,78 para r$ 3,75, ante r$ 3,80 de quatro pesquisas atrás.   jornal do comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/economia/2019/02/668484-mercado-reduz-expectativa-de-alta-do-ipca-para-2019.html)  
04/02/2019

Porto Seguro lucra 34% mais e atinge R$ 1,3 bilhão em 2018

 são paulo - a porto seguro informou na manhã desta segunda-feira que teve lucro recorrente de r$ 387,0 milhões no quarto trimestre, com crescimento de 43,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. em 2018, o lucro foi de r$ 1,318 bilhão, com crescimento de 34,2%. os prêmios emitidos somaram r$ 4 bilhões no quarto trimestre, com expansão anual de 2%. os destaques foram as linhas saúde+odonto, com expansão de 11,8%, e pessoas, com alta de 2,1%. previdência teve queda de 8,2%. o seguro auto, que é o carro-chefe da companhia, teve alta de 1%. a desaceleração no crescimento dos prêmios consolidados, segundo a empresa, foi consequência de readequações de preços motivadas pela queda nas frequências de sinistros ao longo do ano. a sinistralidade, por sua vez, permaneceu relativamente estável, de acordo com a porto seguro.   já o resultado financeiro aumentou 93,3% no período, para r$ 297,5 milhões. a rentabilidade trimestral da carteira (ex previdência) foi de 2,6% (166% do cdi).   o índice combinado de seguros registrou uma melhora de 1,4 p.p. no trimestre, para 93,0%. "os esforços para capturar sinergias e benefícios dos investimentos realizados, por meio da intensificação no uso da tecnologia e de ajustes de processos, resultaram em ganhos de produtividade", diz a porto seguro.   a sinistralidade geral aumentou 0,6 p.p. em relação ao quarto trimestre de 2017, para 52,1%.   o retorno (roae) alcançou 22,5% no trimestre e 19,1% no ano.   unidade de negócios e serviços financeiros   o lucro da unidade de negócios financeiros e serviços cresceu 175,9% no quarto trimestre, na variação anual, para r$ 76,7 milhões. no ano fechado de 2018, a expansão foi de 17,5%, para r$ 158,5 milhões.   “a receita dos negócios financeiros e serviços (crescimento de 4,5% no quarto trimestre) foi impulsionada pelo crescimento das operações de cartão de crédito e financiamento, enquanto que a receita dos demais serviços foi impactada principalmente pela venda da operação dos centros médicos da portomed no segundo trimestre", diz a porto seguro.   o setor de cartões e financiamentos respondeu por 55,2% das receitas da unidade em 2018. na sequência aparecem outros (em maior parte as receitas das operações de atendimento, monitoramento, gestão de ativos), com 20,5%. depois vêm consórcio (12,2%), serviços médicos (6,8%) e telefonia móvel (5,3%).   a participação do lucro da unidade de serviços financeiros no resultado geral da seguradora ficou em 20% no quarto trimestre. fonte: valor - este trecho é parte de conteúdo que pode ser compartilhado utilizando o link https://www.valor.com.br/financas/6102775/porto-seguro-lucra-34-mais-e-atinge-r-13-bilhao-em-2018 ou as ferramentas oferecidas na página.
04/02/2019

Investidores embolsam ganhos e Ibovespa opera em baixa

 são paulo - o ibovespa começa a semana cedendo a uma pequena realização de lucros depois de ter tocado, na sexta-feira, um novo recorde de fechamento. com o feriado na china pelo ano novo lunar, o mercado perde elementos que em geral ajudam a direcionar os papéis, caso dos preços do minério de ferro.   às 10h35, o ibovespa operava em queda de 0,43%, aos 97.439 pontos. as "blue chips" (ações de maior liquidez) operam em leve baixa neste começo de pregão, o que pesa sobre o índice. é o caso de petrobras (-0,27% a on e -0,04% a pn), vale (-0,76%) e alguns bancos, como bradesco (-0,74% a on e -0,59% a pn) e itaú unibanco (-0,52%).   segundo ari santos, gerente da mesa de operações da h.commcor, os investidores optam por embolsar ganhos do último pregão, mas ainda adotam um tom de espera em relação aos próximos esforços do governo junto ao recém-empossado congresso para aprovar a reforma da previdência.   a pauta deve ser enviada ainda no começo de fevereiro, conforme o interesse do governo, que já se articula para negociar com líderes partidários e com bancadas de estados. "por enquanto, não houve uma surpresa com a eleição da presidência da câmara e do senado, houve um certo receio do que pudesse vir, mas o investidor permanece confiante de que o governo terá sucesso em passar a reforma", diz santos.   os investidores também esperam por alguns balanços importantes, entre eles o itaú unibanco, que publica os dados depois do fechamento de hoje. a publicação será importante sobretudo para indicar qual o ritmo da recuperação das carteiras de crédito no banco, depois que santander e bradesco apresentaram indicadores bastante positivos para os investidores. este trecho é parte de conteúdo que pode ser compartilhado utilizando o link https://www.valor.com.br/financas/6102845/investidores-embolsam-ganhos-e-ibovespa-opera-em-baixa ou as ferramentas oferecidas na página.

O acordão da Previdência


12/04/2019

Como uma espécie de Davos à brasileira, o 18º Fórum do LIDE reuniu, de forma inédita, governadores, parlamentares, empresários e o Executivo para fecharem questão em torno de mudanças na aposentadoria, no maior pacto federativo já visto sobre o tema. Agora é possível que a Reforma saia de uma vez do papel

O ministro Paulo Guedes e o presidente da Câmara Rodrigo Maia tocam instrumentos diferentes na sinfonia do poder, mas nada impede que atuem na mesma orquestra quando a partitura interessa a todos. No caso, a tão decantada e ainda aguardada Reforma da Previdência. Semanas a fio, de uns tempos para cá, os dois estão compondo, afinados, a banda de articulações que tenta a aprovação da proposta, ainda no primeiro semestre se tudo correr bem. Marcam quase todos os dias conversas fechadas nos gabinetes do Parlamento e do ministério para acertar pontos ainda pendentes. Seguem juntos para conversas com as bancadas dos partidos e com públicos e plateias os mais variados. Tratam de ajustes pontuais no texto e no calhamaço de estatísticas para chegar ao número mágico pretendido de uma economia na casa de R$ 1 trilhão em dez anos.
E trocam elogios mútuos quando se referem à disposição do interlocutor para aceitar sugestões. Viraram, por assim dizer, verso e emenda do mesmo refrão. Na semana passada, os dois e mais o presidente do Senado David Alcolumbre – que também dá corda à cantilena da Reforma – além de portentos empresariais, ministros, congressistas e seis governadores se reuniram em um encontro tão representativo como inequívoco na demonstração de força e sintonia em torno do tema. Na 18º edição do Fórum Empresarial do LIDE, dessa vez realizado em Campos do Jordão, interior de São Paulo – com um formato e dinâmica que lembram em muito as conferências globais de Davos -, todos pareciam sinceramente ávidos por enfrentar o impossível para chegar lá (ou, pelo menos, o aparentemente impossível, dado que sai governo, entra governo, ninguém consegue emplacar a ideia) com uma espécie de bloco coeso de apoio, integrado por camadas de diversos setores comprometidos com a retomada econômica. Foi um ponto de inflexão importante nessa trajetória de idas e vindas daquela que é, de fato, a principal pauta lançada sobre as mesas de deputados e senadores neste ano. Até aqui não havia ocorrido ainda uma reunião tão ampla e diversificada de agentes envolvidos com a reforma. Na batuta da mobilização, o governador de São Paulo, João Doria, funcionou ali como uma espécie de intermediador de interesses, sem tomar lados, uma vez que o intuito geral era o de fechar a agenda comum pelo engajamento para ajudar no rito da aprovação. “Não há mais o que esperar, o Brasil precisa o quanto antes dessa reforma, o recado ficou claro e vamos trabalhar em conjunto por ela. Articulem-se, sejamos todos ativos nessa direção”, convocou Doria, que há quase duas décadas idealizou os fóruns anuais (ainda organizados pelo grupo que leva o seu nome e do qual se desligou desde que entrou para a política, deixando a direção a cargo de uma banca de profissionais). De uns tempos para cá, no comando da máquina paulista, Doria procurou ser uma espécie de fiador de entendimentos nesse sentido, se esforçando como poucos para reunir, inclusive na própria casa, vários dos personagens da complexa negociação. Foi assim na semana passada quando recepcionou o vice-presidente General Mourão e sugeriu alguns encontros entre ele e os governadores dos demais Estados para ouvir as necessidades de cada um, e ao receber também o presidente do Supremo Tribunal, Dias Toffoli, que reagiu entusiasmado ao convite: “estou há 10 anos no STF e nunca ninguém me chamou para uma conversa como essa e o senhor faz isso justo no momento mais decisivo do País”, disse ao anfitrião. No ponto alto das rodadas de tratativas que entabulou pela reforma, Doria resolveu falar a respeito tanto com o presidente Bolsonaro como com o deputado Maia para aparar arestas, tal qual um bombeiro que percebe a fumaça a tempo de controlar o incêndio. É um trabalho de diplomacia que vem fazendo a diferença. No Fórum de Campos, ele dobrou a aposta. Lá, de certa forma, estavam colocados inúmeros papeis estratégicos disponíveis a cada um dos participantes para o sarau de negociações. Para quem viu de fora foi possível alimentar razoável otimismo sobre a costura de saídas para o impasse previdenciário. Basta compreender a função dos protagonistas daqueles tête-à-tête e a dimensão de um encontro como o de Campos, quando esses senhores reservaram o final de semana para juntos debater e firmar denominadores comuns.
“Não há mais o que esperar. O Brasil precisa o quanto antes dessa reforma” João Doria, governador de São Paulo
Existiam diferenças? Claro. Incontornáveis? O desenrolar do evento acabou demonstrando que não. Lado a lado, sem intermediários, os participantes acabaram por fechar convergências em vários aspectos. E isso fez toda diferença na evolução dos ânimos quanto à entrega ao País de uma reforma verdadeiramente eficaz. O clima de hostilidade de outras ocasiões foi superado e análises consistentes sobre crise fiscal, reorientação de receitas e passos complementares na área das privatizações e do ajuste no Sistema “S” pontificaram sem maiores resistências. Os governadores, por exemplo, estão muitos deles em situações calamitosas de caixa. Não sabem como seguir um ano sequer a mais com o atual quadro de vinculações orçamentárias para a rubrica das pensões, bem mais salgadas no campo da atividade pública se comparadas às da iniciativa privada. Deram ali esse testemunho e reforçaram a carga de pressão sobre os representantes do Legislativo presentes. Prefeitos, deputados e senadores que foram ao Fórum, dentre os quais Antonio Carlos Magalhães Neto, de Salvador, e Nelson Marchezan, de Porto Alegre, repisaram o alerta da inanição dramática de verbas nas respectivas regiões para bancar o compromisso. Cada uma das vozes serviu de caixa de ressonância direta sobre os feitores da costura do projeto, dispostos de maneira genuína a escutar e ajustar excessos.
Ministros como o responsável pela pasta da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, trouxeram sua contribuição mostrando os esforços em andamento para a recomposição de receitas. Freitas listou um balanço de leilões que repassaram, dentre outras estruturas, inúmeros terminais portuários, ferroviários e aeroportos. No total, em 60 dias, 23 ativos mudaram de mãos, do Estado para a iniciativa privada, gerando resultados bilionários que vão ajudar no resgate da saúde financeira da União. Longe dali, até a ala militar, através dos generais Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança, e Eduardo Villas Bôas, ex-comandante-geral do Exército, saíram em busca de apoio para as mudanças nas aposentadorias e serviram de promotores do tema em convescote no final de semana com um grupo de governadores liderados por Ronaldo Caiado, de Goiás. Caiado esteve ainda no pelotão dos participantes do Fórum.

Um pacto federativo

Mas vamos nos ater aos principais protagonistas dessa espécie de pacto federativo que ocorreu durante as rodadas de Campos – e não se pode chamar de outra coisa uma sinalização conjunta de ideias em torno da Reforma. Maia e Guedes exerceram no encontro a condição de maestros da pacificação. Por mais que opositores e críticos do Governo tentem desmerecer o escopo do projeto, a dupla de seus defensores tem acertado não apenas no diagnóstico da crise como na receita para saná-la. Tal qual padarias mal administradas, o Tesouro Nacional mergulhou há muito tempo no vermelho e já teria ido à falência se estivesse no ramo comercial – principalmente devido aos desembolsos descomunais que realiza para arcar com a Previdência, na casa dos R$ 720 bilhões ao ano. Os arautos da reforma estão juntos conversando com os interlocutores para demonstrar por A mais B que o único jeito de consertar a situação e evitar o desfecho trágico passa por uma reformulação completa do sistema de gastos sob essa rubrica. “Tenho a minha absoluta tranquilidade, fora dos ruídos aqui e ali, quanto à dinâmica maior dos eventos. Para mim é claro que a continuar nessa marcha estaremos indo para a desordem da forma mais organizada que já vi”, alertou Guedes ainda na sexta-feira 05 a uma plateia de atentos ouvintes. “As pessoas estão irritadas e ansiosas porque vivemos uma crise há quase cinco anos e precisamos da reforma para mudar esse estado de coisas”, reforçou Maia. Os dois estão pedindo ao Congresso celeridade. Essa é uma providência habitualmente perseguida pelos governantes, mas a missão de cobrá-la e negociá-la foi tão mal recebida pelo mandatário que ambos decidiram tomar a frente do processo. Diga-se de passagem que os brasileiros acompanham desde o início, com certa sofreguidão, o desenrolar dos acordos. Em um primeiro momento majoritariamente contra a perda de benefícios perceberam que seriam os principais prejudicados, ou no mínimo seus filhos, pela falta de uma solução estrutural. A história revelou que, a rigor, a curva de contribuintes e de beneficiários se inverteu dramaticamente com o avanço da população idosa – fenômeno que, por aqui, assumiu contornos de calamidade na equação. O resultado a que se chegou, com risco de calote generalizado dos pagamentos em até três ou quatro anos, pode ter contribuído para a mudança dos humores da população a favor de um ajuste. Pesquisa da XP Investimentos divulgada recentemente mostrou que 65% dos entrevistados se colocam agora a favor da reforma. O aval serviu de senha para que o ministro Guedes tomasse novo fôlego após o bombardeio de ataques que sofreu da bancada do atraso na Câmara. Ah, as contradições da democracia! Se há 15 dias Guedes perdeu a paciência com um auditório dominado por arrivistas que o exauriram em seis horas de depoimento, nas apresentações de Campos, logo após, ele teve que seguidamente interromper as mesmas explicações em virtude dos aplausos de convertidos, inebriados com a clareza dos argumentos. Dois públicos, duas reações absolutamente distintas. A soma das sessões lhe dá ainda assim um quórum altamente favorável à cruzada que empreende. De Posto Ypiranga a “tchutchuca”, Tigrão ou czar da economia, Guedes conheceu todos os mimosos epítetos com que o brindaram na trajetória de andarilho atrás de votos pela Previdência, mas segue indiferente, talvez porque costuma colocar a causa acima dos contratempos. Disse isso em Campos: “vou me irritar com o que? Tem uma minoria que fica batendo bumbo, problema deles.
“As pessoas estão ansiosas e irritadas porque vivemos uma crise há quase cinco anos e precisamos da reforma para mudar esse estado de coisas” Rodrigo Maia, presidente da Câmara
A minha expectativa da classe política é a melhor possível, a construtividade do Maia, do Doria e de muitos outros reforça a minha convicção de não recuar. Sem recuo e sem rendição”, estabeleceu o ministro. Seu companheiro de batalha, Rodrigo Maia, que compartilha da mesma fama de pavio curto, sempre com uma resposta na ponta da língua, tem um pé cautelosamente atrás e o outro lado a lado com o de Guedes. “Perdi a condição de cumprir um papel de articulador porque fui mal compreendido, mas se a gente quer reformar o Estado precisamos agora de um pacto onde a Previdência é o primeiro item”, afirma. Maia tem surpreendido positivamente como um autêntico embaixador da reforma no Congresso. Até Guedes reconhece isso. Com seu estilo carrancudo, parrudo, mas competente em todos os sentidos, o presidente da Câmara virou o fiador do projeto, mesmo que o presidente Bolsonaro inicialmente não o tenha enxergado assim. Já no segundo mandato, com assento cativo no comando da Câmara pelos próximos dois anos, não há mais dúvidas de que ele participará das decisões-chaves do que mudar e do que manter na estrutura da proposta (leia quadro) e, aos interlocutores, Maia vem enviando sinais de que não se furtará da missão de harmonizar a Casa, buscando uma solução que elimine os privilégios em qualquer direção: dos servidores públicos aos militares. É aí que a coisa pode pegar. No Executivo se coloca como assunto fechado o tratamento diferenciado para a caserna, com um regime especial de Previdência.
“A gente pode enveredar já pelo caminho certo da reforma porque a convicção de sua importância nunca foi tão acentuada” André Esteves, presidente do BTG Pactual
O Congresso discorda e Maia precisará atuar como apaziguador. Guedes, de sua parte, tem um tom mais incisivo sobre o assunto. Disse na Comissão de Constituição e Justiça, dias antes, que cabe aos parlamentares a coragem de mudar ou não o modelo sugerido para os aposentados de farda. No íntimo ele torce pela revisão para reforçar as chances da economia na casa do trilhão. Sempre preciso na exposição dos motivos, Guedes não arreda pé do ouvido do presidente e atende quando pode demandas como a dos militares. Nesse pormenor, no entanto, ele foi menos enfático – talvez por não estar plenamente a favor – e assim deixou de transmitir explicações convincentes na defesa da categoria. O mesmo não aconteceu quando o item abordado foi o esquema de “capitalização” para as gerações futuras que entrarão daqui por diante no sistema. Com essa via Guedes advoga que serão criados milhares de empregos rápidos em virtude da “desoneração dramática” (expressão dele) dos encargos trabalhistas. Bolsonaro mostra resistência, parlamentares idem, governadores como Doria e Eduardo Leite (RS) apoiam e Guedes se equilibra insistindo na alternativa. De todo modo, o ministro tem se consagrado como referência quando se fala do lado bom do Governo.
Com o seu estilo surpreendente, brilhante e obstinado virou o estrategista-chefe do acordo em andamento. E ainda bem que está sendo bem-sucedido na empreitada. Desenho estatístico de um País que caminha a fortes solavancos, os índices de aposentadoria por aqui dizem respeito a uma velha tragédia nacional – a de não se preparar para o envelhecimento da população. As estatísticas indicam que ocorreu em curtíssimo espaço de tempo aquilo que muitas pessoas temiam: o risco da insolvência do sistema, que se tornou inviável há alguns anos e que agora consome boa parte do orçamento federal. Como pontua Guedes, devido aos estouros bilionários desse modelo os brasileiros ficaram literalmente atolados. “Carimbamos os recursos, vinculamos os gastos e assim reconstruímos uma Europa por ano para ficar no mesmo lugar. R$ 4 trilhões de receita equivale a um Plano Marshall por ano”. O economista se refere ao valor do PIB e o compara ao plano de ajuda financeira das nações destruídas pela II Grande Guerra. Os desembolsos realizados atualmente sangram quase três quartos das receitas públicas disponíveis. Em bom português: não sobra nada, ou quase nada, para o resto. Com uma escalada vertiginosa e ininterrupta do problema. Em sua infelicidade burocrática, o Brasil está enredado numa armadilha da qual precisa se livrar urgentemente.
Os empresários que desembarcaram em peso no foro estão unanimemente convencidos de que não há outra saída que não a da reforma já. “quantas vezes vimos essa discussão ser colocada à mesa e adiada por falta de disposição política? Agora o quadro parece diferente”, disse o presidente da MAN, líder na produção de caminhões no Brasil, Roberto Cortes. “O que temos de notar é que há no momento uma vontade geral na busca por convergência sobre a questão”, endossou o presidente da gigante nacional do aço CSN, Benjamin Steinbruch. “A Reforma garante a solvência do estado brasileiro no futuro, sem isso entramos numa sociedade à beira da falência”, pontuou Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco.

Vozes em Uníssono

Nessa ala que responde pela produção e, na prática, é quem faz a roda girar para os resultados auspiciosos do Produto Interno Bruto, não foram poucas, nem isoladas, as vozes pedindo a solução urgente. Engrossaram o coro personagens como Michael Klein, que construiu a rede varejista Casas Bahia e no momento dedica-se ao setor de aviação, José Luiz Gandini, da Kia Motors e dirigente da associação de importadores de veículos, Claudio Lottenberg, que preside a líder de planos de saúde Amil e Manfredo Rübens, presidente da gigante química Basf. Ali, naqueles dias de agitação sectária que tomou a aprazível cidadezinha de Campos, com ares de recanto europeu, eram ao menos 700 CEOs, financistas e executivos de grandes conglomerados batendo ponto e empenhando aval na composição da Previdência. “Potencialmente, pelo que tratamos aqui, a gente pode enveredar já pelo caminho certo da reforma porque a convicção de sua importância nunca foi tão acentuada”, convocou o fundador e presidente do conselho do BTG Pactual, André Esteves. O Chairman do LIDE, Luiz Fernando Furlan, definiu em uma parábola o que considera como uma fase de transição: “Se queremos pular para um novo Brasil, esse é o caminho”. Do contrário, como pontua o governador Doria, qualquer impulso de retomada estará comprometido. “Sem a reforma, estados, municípios e o próprio Governo Federal entrarão em um caos, com a falta de recursos para o pagamento de serviços básicos de saúde, educação e segurança entre outros”. É melhor não arriscar.

“A Reforma garante a solvência do estado no futuro. Sem isso, entramos numa sociedade à beira da falência” Luiz Carlos Trabuco, Bradesco

Praça Otávio Rocha, 65 - 1º andar
Centro Histórico - Porto Alegre/RS
CEP.: 90020-140
+55 (51) 3228.1999

News

Receba nossas novidades

LIGUE

+55 51 3228-1999

Ouvidoria
0800 703 1989
E-mail: ouvidoria@sinapp.org.br

Atendimento ao Deficiente Auditivo e de Fala através da TSPC-CAS – Central de
Atendimento a Deficientes Auditivos ou de Fala -
0800 200 0819 E-mail: sac.especial.auditivo.fala@sinapp.org.br

Atendimento ao
Deficiente Visual
0800-703-1989