29/08/2018

Mitos e Verdades da Previdência

 edson franco, ceo da zurich, falou sobre o futuro da previdência no evento improve, realizado pela seguradora para discussão de tendências no mercado segurador são paulo, agosto de 2018 – os desequilíbrios da previdência social e sua esperada reforma ainda são temas que geram muitas dúvidas e estiveram no centro dos debates durante o improve, evento promovido pela seguradora zurich. o ceo da companhia no brasil, edson franco, fez uma apresentação traçando um panorama do atual momento do sistema previdenciário brasileiro e as perspectivas para os próximos anos. durante o evento, o executivo destacou a relação entre discursos que não refletem a realidade e falta de informações corretas. para ele, há uma espécie de mitos e verdades da previdência. um exemplo claro diz respeito ao atual déficit – r$ 268,8 bilhões em 2017 - referente ao inss e à previdência dos servidores públicos federais. “ouvimos discursos enfatizando que se resolvermos questões relacionadas ao déficit do setor público, resolve-se automaticamente o problema da previdência. e não é verdade. ainda que exista injustiça social na diferença de modelos entre o inss e a previdência dos servidores públicos, o real problema está na projeção do déficit futuro do inss dada a tendência de envelhecimento da população. hoje temos 8,4 trabalhadores ativos para cada inativo. em 2060 serão 2 ativos para cada inativo. não tem como essa conta fechar”, ressalta. outra informação bastante disseminada e que, segundo franco, não condiz com o real é que a idade mínima proposta na reforma prejudicaria os trabalhadores de classes menos favorecidas. “a maioria dos profissionais que se aposentam hoje com salário mínimo já o fazem em função da idade mínima de aposentadoria. geralmente, essas pessoas começaram a trabalhar muito cedo, mas na informalidade, não tendo como comprovar e, portanto, se aposentar por tempo de contribuição”, afirma. para o executivo, os desafios do sistema previdenciário são estruturais e uma reformulação é imprescindível e inadiável. porém, independentemente da reforma, o segmento de previdência complementar deve continuar inovando e crescendo no país. e essa expansão está relacionada com a perspectiva de uma conscientização maior do brasileiro sobre a necessidade de formação de uma poupança previdenciária complementar. estudo recente divulgado pela zurich, em conjunto com a universidade de oxford, apontou o brasileiro como o povo mais vulnerável em relação a reservas pessoais, entre os 11 países pesquisados. 72% dos entrevistados afirmaram que poderiam sobreviver financeiramente somente por até seis meses em caso de perda de renda, enquanto 28% não teriam como custear seus gastos por mais de um mês. “a população precisa enxergar que a proteção da própria renda também faz parte de um planejamento financeiro responsável. por tudo que já foi exposto em relação ao sistema previdenciário brasileiro, a fonte governamental não será sustentável para garantir a totalidade dos rendimentos da população no futuro”, conclui. o improve foi realizado no último mês de agosto, em são paulo, e reuniu mais de 180 profissionais, entre gestores e engenheiros de risco, bem como corretores e parceiros da seguradora. fonte: portal nacional de seguros por daniela dálio e joão pedro andrade
29/08/2018

Seguro ambiental obrigatório aprovado pela nova lei será um diferencial estratégico para as empresas

  confira artigo de alexandre jardim, diretor de responsabilidade civil e riscos ambientais da aon brasil recentemente, foi aprovado pela comissão de meio ambiente (cma), do senado federal, em decisão unânime, o projeto de lei pls 767/2015, que pode tornar obrigatório a contratação do seguro ambiental. esse é um movimento importante e polêmico. de um lado poderá movimentar de alguma forma o mercado securitário, fomentando a demanda por um seguro que cresce a cada dia e vem tomando maior importância dentro das estratégias operacionais das empresas. entretanto, por outro lado, a simples obrigatoriedade de contratação de um seguro não significa que isto será feito da forma adequada, de modo que venham realmente cumprir sua finalidade, a de proteger as empresas contra eventuais riscos a que estão expostas. o seguro ambiental está longe de ser um seguro de “prateleira”. desta forma, durante o processo de contratação de uma apólice, uma análise técnica e minuciosa é realizada. apesar da boa capacidade e conhecimento do mercado de seguros que opera com essa modalidade, o número de seguradoras ainda é de certa forma limitado, o que poderá gerar um “gargalo” na disponibilização de cotações face ao aumento na demanda. o crescimento da demanda em um cenário de capacidade reduzida de atendimento pelo mercado segurador poderá gerar também, em um primeiro momento, uma pressão pelo aumento do custo deste seguro, ainda mais com o peso da obrigatoriedade. porém, a massificação que ocorrerá deverá, em um médio prazo, trazer novas companhias e eventualmente aliviar a pressão de custo. partindo dessa premissa, companhias que se anteciparem a esse movimento, além de protegidas pela apólice em questão contra eventuais incidentes, certamente atravessarão esta fase inicial de uma possível obrigatoriedade deste seguro de forma mais estável e com seus custos mais controlados por já terem uma base de precificação de seu risco estabelecida com as seguradoras que operam com esta modalidade. a aon conta com uma vasta experiência no setor. certamente, a nossa expertise pode contribuir com mais informações a respeito do seguro para riscos ambientais, projeto de lei pls 765/2015 e o mercado segurador como um todo. fonte: jrs
29/08/2018

Apenas 18% dos brasileiros pouparam em junho, diz indicador da CNDL

 entre os brasileiros, apenas 18% pouparam dinheiro no mês de junho, de acordo com a confederação nacional de dirigentes lojistas (cndl) e o serviço de proteção ao crédito (spc brasil). em média, o valor guardado foi de r$ 520. a maioria, 73%, respondeu que terminou o mês sem nenhuma reserva. entre as justificativas estão a renda muito baixa (44%), o que inviabiliza guardar dinheiro. outros motivos apontados foram imprevistos (17%), ausência de renda por desemprego (15%) e reconhecimento de descontrole sobre os próprios gastos (14%). poupança o levantamento mostra que 35% dos brasileiros poupam habitualmente, sendo que 28% afirmam guardar o que sobra do orçamento e 7% estipulam um valor a ser poupado. os objetivos para o dinheiro poupado são cobrir imprevistos (53%), garantir um futuro melhor à família (37%), enfrentar eventual desemprego (28%), cobrir a aposentadoria (17%), arcar com a educação dos filhos (16%), fazer viagens (15%) e reformar a casa (15%). já 55% admitem que não têm o hábito de poupar. aplicações a poupança lidera entre as aplicações financeiras, sendo citada por 64% dos que poupam habitualmente. guardar dinheiro em casa é a segunda opção, mencionada por 25% dos brasileiros. em terceiro lugar, aparece a conta corrente (15%); em quarto, os fundos de investimentos (9%) e, em quinto, a previdência privada (7%). modalidade de investimento mais conhecida pelos brasileiros, 92% já ouviram falar sobre a poupança. em seguida vêm os títulos de capitalização (57%), os planos de previdência privada (53%), as ações em bolsas de valores (42%), os fundos de investimentos (34%), o tesouro direto (25%) e os cdbs (25%). a sondagem mostra que 38% dos poupadores precisaram sacar alguma parte dos seus recursos em junho. os imprevistos foram a principal razão para o saque, citado por 13%. outros 8% sacaram porque os ganhos não haviam sido suficientes, 8% para quitar dívidas pendentes e 5% por estarem sem emprego. o indicador da cndl abrangeu 12 capitais das cinco regiões brasileiras: são paulo, rio de janeiro, belo horizonte, porto alegre, curitiba, recife, salvador, fortaleza, brasília, goiânia, manaus e belém. juntas, essas cidades somam aproximadamente 80% da população residente nas capitais. a amostra, de 800 casos, foi composta por pessoas com idade superior ou igual a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. a margem de erro é de 3,5 pontos percentuais a uma margem de confiança de 95%. fonte: agência brasil
29/08/2018

Prospecção inteligente de clientes é tema de palestra em Ipatinga

 como manter a saúde financeira na área de seguros durante um período de crise econômica? o que fazer para prospectar novos clientes e crescer mesmo em cenário de aparente queda de vendas? como o marketing de relacionamento pode ser aplicado para otimizar as relações com clientes e converter confiança em vendas? essas perguntas foram abordadas na palestra “prospecção inteligente de clientes para seguros de a a z”, promovida pelo sindseg mg/go/mt/df, na última quinta-feira (23/8). segundo o palestrante sérgio ricardo de magalhães souza, para que as seguradoras cresçam, é necessário que os métodos de prospecção e abordagem de clientes se renovem e sejam pensados de forma estratégica. “hoje as pessoas estão muito preocupadas em vender e esquecem que essa venda é a solução de problemas para um cliente. esquecem o básico, que a venda de seguros é a arte da confiança. os clientes vêm quando você presta serviços com responsabilidade e passa segurança em seu atendimento” diz. sérgio comenta que o anseio de prospectar novos clientes e fechar novos negócios faz com que alguns profissionais se esqueçam dos clientes “antigos”, que são, muitas vezes, a chave para a manutenção da saúde financeira de uma seguradora. “as pessoas se esquecem de fazer novos negócios com os clientes que já têm. é muito mais fácil vender para eles do que começar uma nova relação do zero. é preciso prospectar os próprios clientes e fortalecer um vínculo de confiança que já existe”. questões como marketing digital, planos de comunicação pautados no relacionamento, funil de vendas e softwares de gestão e planejamento de trabalho, que já são uma realidade palpável no mercado de seguros e não podem ser esquecidas pelas seguradoras, foram questões também abordadas pelo palestrante. “o que eu falo não é nada de muito novo. são coisas simples que todo mundo sabe, mas às vezes se esquece de aplicar.” fonte: sindseg mg via /cqcs
29/08/2018

Os que se dão bem na vida!

 conta uma história que um professor universitário entra em sala de aula e constata que a turma continua conversando, entretendo-se com outros afazeres, sem se dar conta de sua presença, demonstrando desinteresse pela aula. sem chamar a atenção dos alunos, o professor iniciou a narrativa: – bem, conforme as pesquisas informaram somente dez por cento dos alunos que ingressam nas universidades se tornam grandes profissionais, bem como apenas 10% podem pleitear altos cargos no governo e realizar-se profissionalmente. os alunos aos poucos foram se aquietando e passaram a se concentrar na aula, pois ninguém queria fazer parte dos 90% que serão medianos, ficando fora dos 10% que se darão bem. fazendo uma analogia com a previdência privada, somente cerca de 10% da população economicamente ativa do brasil têm uma previdência privada como alternativa ou complemento à previdência social. assim, somente 10% da população terão o privilégio de uma aposentadoria digna e uma velhice financeiramente tranquila. olha, há duas formas de mudança: pela conscientização e pela frustração. mais e mais brasileiros estão trabalhando até morrer porque ainda não se conscientizaram que não dá para viver só do inss. os que se conscientizaram estão nas grandes multinacionais e estatais. gente bem formada e bem informada. quem vocês acham que está acertando? fonte: paraná portal por renato follador
29/08/2018

Candidatos são arrojados com suas finanças

 os candidatos aos cargos em disputa nas eleições distribuem seus investimentos financeiros em produtos considerados conservadores, embora se comportem de forma mais arrojada do que o investidor típico brasileiro, conforme especial...   fonte: agência estado felipe frazão em brasília...   veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/agencia-estado/2018/08/28/candidatos-sao-arrojados-com-suas-financas.htm?cmpid=copiaecola
29/08/2018

Confiança de serviços atinge o maior patamar desde abril, diz FGV

 o índice de confiança de serviços (ics) subiu 1,5 ponto na passagem de julho para agosto, para 89,0 pontos, na série com ajuste sazonal, informou a fundação getulio vargas (fgv). após duas altas consecutivas, o indicador atingiu o maior patamar desde abril deste ano. "o novo aumento da confiança dos serviços em agosto sugere que a fase de queda desse indicador, observada desde o início do segundo trimestre, pode estar chegando ao fim, reforçando que talvez o momento seja de estabilização da curva de confiança do setor", avaliou silvio sales, consultor do instituto brasileiro de economia da fgv (ibre/fgv), em nota oficial. houve melhora na confiança em 11 das 13 principais atividades pesquisadas. o índice de expectativas (ie-s) avançou 2,9 pontos, para 91,5 pontos, após cinco meses de quedas. já o índice da situação atual (isa-s) se manteve estável em agosto ante julho, aos 86,7 pontos. "as avaliações sobre a situação corrente dos negócios apontam para uma estabilidade, enquanto as expectativas apresentam, pela primeira vez em cinco meses, um avanço na margem em agosto. com isso, permanece a sinalização de uma recuperação moderada na atividade para os próximos meses", completou sales. a maior contribuição para a alta do ie-s em agosto foi do componente que mede a demanda para os próximos três meses, com elevação de 3,5 pontos, para 91,4 pontos. no isa-s, houve aumento de 0,9 ponto do item que mede o volume de demanda atual, mas queda também de 0,9 ponto no componente que avalia a situação atual dos negócios. o nível de utilização da capacidade instalada (nuci) do setor de serviços caiu 1,0 ponto porcentual em agosto, para 80,7%, o menor patamar da série histórica. a coleta de dados para a edição de agosto da sondagem de serviços foi realizada entre os dias 1º e 24 do mês.   jornal do comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/economia/2018/08/646181-confianca-de-servicos-atinge-o-maior-patamar-desde-abril-diz-fgv.html)
27/08/2018

O CVG-RS reúne mercado de seguros em noite de festa para os destaques do segmento

 o grupo aspecir e a união seguradora estiveram presentes a este grande evento realizado pelo clube de seguros de vida e benefícios do rio grande do sul que todo ano elege os destaques do mercado de seguros. o evento ocorreu na última sexta-feira (24) na associação leopoldina juvenil, em porto alegre (rs). representando as empresas do grupo aspecir: joão carlos lock, antônio coutinho, marco rocha e maurício dória. corretor convidado, rafael heck machado da wgseg – administradora e corretora de seguros ltda. para o grupo, a entidade é sempre impecável na realização desta grande festa que valoriza e reconhece o trabalho realizado no mercado de seguros. os destaques da noite: categoria seguradora – previsul. recebeu o prêmio, andreia araújo, diretora de negócios da companhia representando o presidente da empresa, renato pedroso. para andreia, receber este prêmio é o reconhecimento de um trabalho que é feito com muito afinco, amor e dedicação de uma equipe que está sempre se reinventando e focando muito na questão de inovação, sem esquecer o mais importante que é a proximidade com o corretor. categoria executivo - andreia araújo: “ganhar entre profissionais tão importantes que eu tenho como referência e que eu admiro, significa muito para mim. é um momento muito feliz receber este prêmio, principalmente com as pessoas que vem nesta jornada comigo”. categoria comercial de seguradora - a executiva especialista no segmento vida da sompo seguros, estela formiga. “eu acredito que o mais importante é o comprometimento com que se desempenha este trabalho tão nobre que é falar sobre proteção, que é o que o seguro de vida traz. então eu vejo que o grande segredo é estar comprometido com o que acreditamos, o que eu faço diariamente”, afirmou. categoria corretora de seguros - ksa corretora de seguros. recebeu o prêmio o gestor jean figueiró que declarou que ganhar um troféu é um conjunto de circunstâncias do relacionamento que existe com as pessoas do mercado, do comportamento e empenho e que o primeiro passo é ter um sonho e depois ir atrás disso através de muito trabalho. categoria prestador de serviços - cjosias e ferrer advogados, que recentemente completou 35 anos. para carlos josias menna de oliveira, sócio da empresa, há 35 anos atrás já era possível imaginar o sucesso do escritório atualmente. e, acrescenta: “digo isso porque tudo aquilo que fazemos com paixão e dedicação, e se nos cercamos de pessoas do bem, não há como dar errado”. a entidade destaque foi a escola nacional de seguros. “quando uma escola ganha um prêmio, o mercado está dizendo alguma coisa. ele está premiando a ele mesmo, à educação dele”, salientou a coordenadora da unidade rio grande do sul da entidade, jane manssur. nilo molina, presidente do conselho de administração da mongeral aegon e do instituto de longevidade mongeral aegon, foi eleito pela diretoria do cvg-rs como personalidade do ano. “considero que 2017 como o primeiro ano da história do seguro no brasil que o seguro de vida risco foi mais importante em termos de prêmios do que seguro de automóvel, e isso já se repetiu no primeiro semestre deste ano. isso significa que o seguro de automóvel tem a ver com a sociedade e esta sociedade está mudando”, finalizou molina, que foi um dos pioneiros do mercado brasileiro de previdência privada, somando notáveis contribuições ao ramo de vida. o grupo aspecir parabeniza a todos os premiados e, principalmente, ao cvg-rs pela iniciativa, desenvolvimento e crescimento desse evento tão importante para o mercado segurador.
27/08/2018

Seguro de vida e previdência: Susep fará mudanças na tábua biométrica

 a susep vai colocar em consulta pública minuta de circular que irá estabelecer novas regras para a adoção de tábua biométrica específica na estruturação de planos de seguros de pessoas e previdência complementar com coberturas de risco. profissionais e entidades do mercado interessados nessa questão poderão enviar sugestões até o dia 06 de setembro, por meio de mensagem dirigida ao endereço eletrônico copep.rj@susep.gov.br de acordo com a susep, o texto da minuta já está disponível na página da autarquia para ciência e, se for o caso, apresentação de comentários e sugestões. fonte: cqcs

O acordão da Previdência


12/04/2019

Como uma espécie de Davos à brasileira, o 18º Fórum do LIDE reuniu, de forma inédita, governadores, parlamentares, empresários e o Executivo para fecharem questão em torno de mudanças na aposentadoria, no maior pacto federativo já visto sobre o tema. Agora é possível que a Reforma saia de uma vez do papel

O ministro Paulo Guedes e o presidente da Câmara Rodrigo Maia tocam instrumentos diferentes na sinfonia do poder, mas nada impede que atuem na mesma orquestra quando a partitura interessa a todos. No caso, a tão decantada e ainda aguardada Reforma da Previdência. Semanas a fio, de uns tempos para cá, os dois estão compondo, afinados, a banda de articulações que tenta a aprovação da proposta, ainda no primeiro semestre se tudo correr bem. Marcam quase todos os dias conversas fechadas nos gabinetes do Parlamento e do ministério para acertar pontos ainda pendentes. Seguem juntos para conversas com as bancadas dos partidos e com públicos e plateias os mais variados. Tratam de ajustes pontuais no texto e no calhamaço de estatísticas para chegar ao número mágico pretendido de uma economia na casa de R$ 1 trilhão em dez anos.
E trocam elogios mútuos quando se referem à disposição do interlocutor para aceitar sugestões. Viraram, por assim dizer, verso e emenda do mesmo refrão. Na semana passada, os dois e mais o presidente do Senado David Alcolumbre – que também dá corda à cantilena da Reforma – além de portentos empresariais, ministros, congressistas e seis governadores se reuniram em um encontro tão representativo como inequívoco na demonstração de força e sintonia em torno do tema. Na 18º edição do Fórum Empresarial do LIDE, dessa vez realizado em Campos do Jordão, interior de São Paulo – com um formato e dinâmica que lembram em muito as conferências globais de Davos -, todos pareciam sinceramente ávidos por enfrentar o impossível para chegar lá (ou, pelo menos, o aparentemente impossível, dado que sai governo, entra governo, ninguém consegue emplacar a ideia) com uma espécie de bloco coeso de apoio, integrado por camadas de diversos setores comprometidos com a retomada econômica. Foi um ponto de inflexão importante nessa trajetória de idas e vindas daquela que é, de fato, a principal pauta lançada sobre as mesas de deputados e senadores neste ano. Até aqui não havia ocorrido ainda uma reunião tão ampla e diversificada de agentes envolvidos com a reforma. Na batuta da mobilização, o governador de São Paulo, João Doria, funcionou ali como uma espécie de intermediador de interesses, sem tomar lados, uma vez que o intuito geral era o de fechar a agenda comum pelo engajamento para ajudar no rito da aprovação. “Não há mais o que esperar, o Brasil precisa o quanto antes dessa reforma, o recado ficou claro e vamos trabalhar em conjunto por ela. Articulem-se, sejamos todos ativos nessa direção”, convocou Doria, que há quase duas décadas idealizou os fóruns anuais (ainda organizados pelo grupo que leva o seu nome e do qual se desligou desde que entrou para a política, deixando a direção a cargo de uma banca de profissionais). De uns tempos para cá, no comando da máquina paulista, Doria procurou ser uma espécie de fiador de entendimentos nesse sentido, se esforçando como poucos para reunir, inclusive na própria casa, vários dos personagens da complexa negociação. Foi assim na semana passada quando recepcionou o vice-presidente General Mourão e sugeriu alguns encontros entre ele e os governadores dos demais Estados para ouvir as necessidades de cada um, e ao receber também o presidente do Supremo Tribunal, Dias Toffoli, que reagiu entusiasmado ao convite: “estou há 10 anos no STF e nunca ninguém me chamou para uma conversa como essa e o senhor faz isso justo no momento mais decisivo do País”, disse ao anfitrião. No ponto alto das rodadas de tratativas que entabulou pela reforma, Doria resolveu falar a respeito tanto com o presidente Bolsonaro como com o deputado Maia para aparar arestas, tal qual um bombeiro que percebe a fumaça a tempo de controlar o incêndio. É um trabalho de diplomacia que vem fazendo a diferença. No Fórum de Campos, ele dobrou a aposta. Lá, de certa forma, estavam colocados inúmeros papeis estratégicos disponíveis a cada um dos participantes para o sarau de negociações. Para quem viu de fora foi possível alimentar razoável otimismo sobre a costura de saídas para o impasse previdenciário. Basta compreender a função dos protagonistas daqueles tête-à-tête e a dimensão de um encontro como o de Campos, quando esses senhores reservaram o final de semana para juntos debater e firmar denominadores comuns.
“Não há mais o que esperar. O Brasil precisa o quanto antes dessa reforma” João Doria, governador de São Paulo
Existiam diferenças? Claro. Incontornáveis? O desenrolar do evento acabou demonstrando que não. Lado a lado, sem intermediários, os participantes acabaram por fechar convergências em vários aspectos. E isso fez toda diferença na evolução dos ânimos quanto à entrega ao País de uma reforma verdadeiramente eficaz. O clima de hostilidade de outras ocasiões foi superado e análises consistentes sobre crise fiscal, reorientação de receitas e passos complementares na área das privatizações e do ajuste no Sistema “S” pontificaram sem maiores resistências. Os governadores, por exemplo, estão muitos deles em situações calamitosas de caixa. Não sabem como seguir um ano sequer a mais com o atual quadro de vinculações orçamentárias para a rubrica das pensões, bem mais salgadas no campo da atividade pública se comparadas às da iniciativa privada. Deram ali esse testemunho e reforçaram a carga de pressão sobre os representantes do Legislativo presentes. Prefeitos, deputados e senadores que foram ao Fórum, dentre os quais Antonio Carlos Magalhães Neto, de Salvador, e Nelson Marchezan, de Porto Alegre, repisaram o alerta da inanição dramática de verbas nas respectivas regiões para bancar o compromisso. Cada uma das vozes serviu de caixa de ressonância direta sobre os feitores da costura do projeto, dispostos de maneira genuína a escutar e ajustar excessos.
Ministros como o responsável pela pasta da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, trouxeram sua contribuição mostrando os esforços em andamento para a recomposição de receitas. Freitas listou um balanço de leilões que repassaram, dentre outras estruturas, inúmeros terminais portuários, ferroviários e aeroportos. No total, em 60 dias, 23 ativos mudaram de mãos, do Estado para a iniciativa privada, gerando resultados bilionários que vão ajudar no resgate da saúde financeira da União. Longe dali, até a ala militar, através dos generais Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança, e Eduardo Villas Bôas, ex-comandante-geral do Exército, saíram em busca de apoio para as mudanças nas aposentadorias e serviram de promotores do tema em convescote no final de semana com um grupo de governadores liderados por Ronaldo Caiado, de Goiás. Caiado esteve ainda no pelotão dos participantes do Fórum.

Um pacto federativo

Mas vamos nos ater aos principais protagonistas dessa espécie de pacto federativo que ocorreu durante as rodadas de Campos – e não se pode chamar de outra coisa uma sinalização conjunta de ideias em torno da Reforma. Maia e Guedes exerceram no encontro a condição de maestros da pacificação. Por mais que opositores e críticos do Governo tentem desmerecer o escopo do projeto, a dupla de seus defensores tem acertado não apenas no diagnóstico da crise como na receita para saná-la. Tal qual padarias mal administradas, o Tesouro Nacional mergulhou há muito tempo no vermelho e já teria ido à falência se estivesse no ramo comercial – principalmente devido aos desembolsos descomunais que realiza para arcar com a Previdência, na casa dos R$ 720 bilhões ao ano. Os arautos da reforma estão juntos conversando com os interlocutores para demonstrar por A mais B que o único jeito de consertar a situação e evitar o desfecho trágico passa por uma reformulação completa do sistema de gastos sob essa rubrica. “Tenho a minha absoluta tranquilidade, fora dos ruídos aqui e ali, quanto à dinâmica maior dos eventos. Para mim é claro que a continuar nessa marcha estaremos indo para a desordem da forma mais organizada que já vi”, alertou Guedes ainda na sexta-feira 05 a uma plateia de atentos ouvintes. “As pessoas estão irritadas e ansiosas porque vivemos uma crise há quase cinco anos e precisamos da reforma para mudar esse estado de coisas”, reforçou Maia. Os dois estão pedindo ao Congresso celeridade. Essa é uma providência habitualmente perseguida pelos governantes, mas a missão de cobrá-la e negociá-la foi tão mal recebida pelo mandatário que ambos decidiram tomar a frente do processo. Diga-se de passagem que os brasileiros acompanham desde o início, com certa sofreguidão, o desenrolar dos acordos. Em um primeiro momento majoritariamente contra a perda de benefícios perceberam que seriam os principais prejudicados, ou no mínimo seus filhos, pela falta de uma solução estrutural. A história revelou que, a rigor, a curva de contribuintes e de beneficiários se inverteu dramaticamente com o avanço da população idosa – fenômeno que, por aqui, assumiu contornos de calamidade na equação. O resultado a que se chegou, com risco de calote generalizado dos pagamentos em até três ou quatro anos, pode ter contribuído para a mudança dos humores da população a favor de um ajuste. Pesquisa da XP Investimentos divulgada recentemente mostrou que 65% dos entrevistados se colocam agora a favor da reforma. O aval serviu de senha para que o ministro Guedes tomasse novo fôlego após o bombardeio de ataques que sofreu da bancada do atraso na Câmara. Ah, as contradições da democracia! Se há 15 dias Guedes perdeu a paciência com um auditório dominado por arrivistas que o exauriram em seis horas de depoimento, nas apresentações de Campos, logo após, ele teve que seguidamente interromper as mesmas explicações em virtude dos aplausos de convertidos, inebriados com a clareza dos argumentos. Dois públicos, duas reações absolutamente distintas. A soma das sessões lhe dá ainda assim um quórum altamente favorável à cruzada que empreende. De Posto Ypiranga a “tchutchuca”, Tigrão ou czar da economia, Guedes conheceu todos os mimosos epítetos com que o brindaram na trajetória de andarilho atrás de votos pela Previdência, mas segue indiferente, talvez porque costuma colocar a causa acima dos contratempos. Disse isso em Campos: “vou me irritar com o que? Tem uma minoria que fica batendo bumbo, problema deles.
“As pessoas estão ansiosas e irritadas porque vivemos uma crise há quase cinco anos e precisamos da reforma para mudar esse estado de coisas” Rodrigo Maia, presidente da Câmara
A minha expectativa da classe política é a melhor possível, a construtividade do Maia, do Doria e de muitos outros reforça a minha convicção de não recuar. Sem recuo e sem rendição”, estabeleceu o ministro. Seu companheiro de batalha, Rodrigo Maia, que compartilha da mesma fama de pavio curto, sempre com uma resposta na ponta da língua, tem um pé cautelosamente atrás e o outro lado a lado com o de Guedes. “Perdi a condição de cumprir um papel de articulador porque fui mal compreendido, mas se a gente quer reformar o Estado precisamos agora de um pacto onde a Previdência é o primeiro item”, afirma. Maia tem surpreendido positivamente como um autêntico embaixador da reforma no Congresso. Até Guedes reconhece isso. Com seu estilo carrancudo, parrudo, mas competente em todos os sentidos, o presidente da Câmara virou o fiador do projeto, mesmo que o presidente Bolsonaro inicialmente não o tenha enxergado assim. Já no segundo mandato, com assento cativo no comando da Câmara pelos próximos dois anos, não há mais dúvidas de que ele participará das decisões-chaves do que mudar e do que manter na estrutura da proposta (leia quadro) e, aos interlocutores, Maia vem enviando sinais de que não se furtará da missão de harmonizar a Casa, buscando uma solução que elimine os privilégios em qualquer direção: dos servidores públicos aos militares. É aí que a coisa pode pegar. No Executivo se coloca como assunto fechado o tratamento diferenciado para a caserna, com um regime especial de Previdência.
“A gente pode enveredar já pelo caminho certo da reforma porque a convicção de sua importância nunca foi tão acentuada” André Esteves, presidente do BTG Pactual
O Congresso discorda e Maia precisará atuar como apaziguador. Guedes, de sua parte, tem um tom mais incisivo sobre o assunto. Disse na Comissão de Constituição e Justiça, dias antes, que cabe aos parlamentares a coragem de mudar ou não o modelo sugerido para os aposentados de farda. No íntimo ele torce pela revisão para reforçar as chances da economia na casa do trilhão. Sempre preciso na exposição dos motivos, Guedes não arreda pé do ouvido do presidente e atende quando pode demandas como a dos militares. Nesse pormenor, no entanto, ele foi menos enfático – talvez por não estar plenamente a favor – e assim deixou de transmitir explicações convincentes na defesa da categoria. O mesmo não aconteceu quando o item abordado foi o esquema de “capitalização” para as gerações futuras que entrarão daqui por diante no sistema. Com essa via Guedes advoga que serão criados milhares de empregos rápidos em virtude da “desoneração dramática” (expressão dele) dos encargos trabalhistas. Bolsonaro mostra resistência, parlamentares idem, governadores como Doria e Eduardo Leite (RS) apoiam e Guedes se equilibra insistindo na alternativa. De todo modo, o ministro tem se consagrado como referência quando se fala do lado bom do Governo.
Com o seu estilo surpreendente, brilhante e obstinado virou o estrategista-chefe do acordo em andamento. E ainda bem que está sendo bem-sucedido na empreitada. Desenho estatístico de um País que caminha a fortes solavancos, os índices de aposentadoria por aqui dizem respeito a uma velha tragédia nacional – a de não se preparar para o envelhecimento da população. As estatísticas indicam que ocorreu em curtíssimo espaço de tempo aquilo que muitas pessoas temiam: o risco da insolvência do sistema, que se tornou inviável há alguns anos e que agora consome boa parte do orçamento federal. Como pontua Guedes, devido aos estouros bilionários desse modelo os brasileiros ficaram literalmente atolados. “Carimbamos os recursos, vinculamos os gastos e assim reconstruímos uma Europa por ano para ficar no mesmo lugar. R$ 4 trilhões de receita equivale a um Plano Marshall por ano”. O economista se refere ao valor do PIB e o compara ao plano de ajuda financeira das nações destruídas pela II Grande Guerra. Os desembolsos realizados atualmente sangram quase três quartos das receitas públicas disponíveis. Em bom português: não sobra nada, ou quase nada, para o resto. Com uma escalada vertiginosa e ininterrupta do problema. Em sua infelicidade burocrática, o Brasil está enredado numa armadilha da qual precisa se livrar urgentemente.
Os empresários que desembarcaram em peso no foro estão unanimemente convencidos de que não há outra saída que não a da reforma já. “quantas vezes vimos essa discussão ser colocada à mesa e adiada por falta de disposição política? Agora o quadro parece diferente”, disse o presidente da MAN, líder na produção de caminhões no Brasil, Roberto Cortes. “O que temos de notar é que há no momento uma vontade geral na busca por convergência sobre a questão”, endossou o presidente da gigante nacional do aço CSN, Benjamin Steinbruch. “A Reforma garante a solvência do estado brasileiro no futuro, sem isso entramos numa sociedade à beira da falência”, pontuou Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco.

Vozes em Uníssono

Nessa ala que responde pela produção e, na prática, é quem faz a roda girar para os resultados auspiciosos do Produto Interno Bruto, não foram poucas, nem isoladas, as vozes pedindo a solução urgente. Engrossaram o coro personagens como Michael Klein, que construiu a rede varejista Casas Bahia e no momento dedica-se ao setor de aviação, José Luiz Gandini, da Kia Motors e dirigente da associação de importadores de veículos, Claudio Lottenberg, que preside a líder de planos de saúde Amil e Manfredo Rübens, presidente da gigante química Basf. Ali, naqueles dias de agitação sectária que tomou a aprazível cidadezinha de Campos, com ares de recanto europeu, eram ao menos 700 CEOs, financistas e executivos de grandes conglomerados batendo ponto e empenhando aval na composição da Previdência. “Potencialmente, pelo que tratamos aqui, a gente pode enveredar já pelo caminho certo da reforma porque a convicção de sua importância nunca foi tão acentuada”, convocou o fundador e presidente do conselho do BTG Pactual, André Esteves. O Chairman do LIDE, Luiz Fernando Furlan, definiu em uma parábola o que considera como uma fase de transição: “Se queremos pular para um novo Brasil, esse é o caminho”. Do contrário, como pontua o governador Doria, qualquer impulso de retomada estará comprometido. “Sem a reforma, estados, municípios e o próprio Governo Federal entrarão em um caos, com a falta de recursos para o pagamento de serviços básicos de saúde, educação e segurança entre outros”. É melhor não arriscar.

“A Reforma garante a solvência do estado no futuro. Sem isso, entramos numa sociedade à beira da falência” Luiz Carlos Trabuco, Bradesco

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