08/10/2018

Barreira cultural é principal desafio para assinatura eletrônica no Brasil

  conheça algumas empresas brasileiras que já adotaram o recurso de gestão de processos digitais a medida provisória 2.200-2, de 2001, determina que qualquer documento digital tem validade legal se for certificado pela icp-brasil (infraestrutura de chaves públicas brasileira), órgão que viabiliza a emissão de certificados digitais para identificação virtual do cidadão. a mp também prevê a utilização de certificados emitidos por outras infraestruturas de chaves públicas, desde que as partes que assinam reconheçam previamente a validade destes. de fato, a mp 2.200-2 garante a autenticidade da assinatura eletrônica no brasil, em um mercado que ganha novos adeptos, mas ainda tem muito espaço para conquistar no país. para marco americo antonio, gerente-geral da docusign na américa latina, o principal desafio para a gestão de documentos eletrônicos é a barreira cultural. "as pessoas querem ficar na zona de conforto e não querem mudar. simplesmente isso", apontou o executivo. "mas, quando veem as vantagens da assinatura eletrônica, mudam", ressaltou. os negócios da docusign, uma das principais desenvolvedoras de soluções de assinatura eletrônica e gestão de processos digitais, são um ótimo termômetro deste mercado. a empresa, que cresce 30% ao ano, lida com as oportunidades de assinatura eletrônica desde 2003, quando construiu um negócio com receita de mais de us$ 500 milhões no ano fiscal de 2018, 450 mil clientes e 200 de milhões de usuários em mais de 180 países. a empresa justifica a razão para o sucesso e crescimento de forma simples: ao eliminar o papel e automatizar os processos, a solução permite que clientes reduzam o tempo de resposta para minutos, em vez de dias; diminuam custos; eliminem erros e possibilitem uma experiência melhor e mais rápida para seus clientes, funcionários e parceiros. em resumo, o foco é acelerar negócios e simplificar a vida - considerando o brasil, com seus inúmeros processos burocráticos, o potencial da assinatura eletrônica fica ainda mais evidente. a docusign chama o processo de ciclo de vida do contrato - digitalização, simplificação e otimização, desde a preparação do documento a coleta de assinaturas - como “system of agreement”. segundo antonio, falar de agilizar processos com serviços da docusign representa 62% das transações estarem completas em menos de uma hora. a empresa garante que consegue devolver, em média, us$ 40 do que seria gasto com papel, por documento para seus clientes. ou seja, cada documento custa cerca de us$ 40 com impressão, transporte e outros fatores. a cada mil documentos "migrados" para o digital, a economia é de us$ 40 mil, em uma conta simples. quem está usando no brasil antonio garante que a assinatura digital já é realidade no brasil - não tanto quanto em mercados desenvolvidos, como eua e europa, mas estamos no caminho certo. no brasil, a docusign soma importantes clientes, como a caixa seguradora, que reduziu de oito para apenas um dia útil o prazo para emissão de novos contratos de seguros de vida. com a mudança, a empresa espera evitar perdas de r$ 30 milhões por ano. já o banco inter reduziu de 14 para oito dias o processo de contratação de crédito consignado pelos canais próprios do banco, reduzindo de 18% para 8% a taxa de desistência de clientes para a contratação deste tipo de produto. segundo antonio, qualquer empresa que lida com documentos tem potencial para otimizar operações com a adoção de soluções docusign. exemplos clássicos são companhias que oferecem processos digitais, mas podem esbarrar em algum processo analógico. um exemplo é a startup quinto andar, que realiza todo o processo de busca e locação de imóveis on-line e utiliza o serviço de assinatura digital para que a experiência do cliente seja de fato 100% on-line. outro serviço on-line que já aderiu é o aplicativo de delivery ifood, que adotou a docusign e teve crescimento de 133% para a empresa, que gerou 237% em novas parcerias ao longo de 2016. também no mercado imobiliário, a companhia cita a re/max, a maior rede de franquias imobiliárias em número de transações do mundo, que já registrou 30% das negociações efetuadas digitalmente no brasil. nos eua, esse número chega a 80% dos contratos. o fato é que, na visão de antonio, regulamentação, tecnologias e casos de sucesso já existem. o que falta é a quebra da barreira cultural para que a gestão eletrônica de documentos possa ser implementada em massa. fonte: computerworld por guilherme borini
08/10/2018

Seguradoras adotam o uso de tecnologia 'vestível' para criar descontos

 a chegada da tecnologia vestível (ou wearables) trouxe vantagens incontestáveis para a saúde dos usuários. são muitos os relatos de emergências médicas evitados por informações em tempo real, fornecidas pelos dispositivos. além disso, informações coletadas também servem para consultas médicas, proporcionando um tratamento mais personalizado e com maior detalhamento de sintomas e rotinas. mas o que acontece quando seguradoras também começam a utilizar esses dados para avaliar o usuário? "é uma situação de vantagens mútua", segundo as seguradoras. é evidente que seu objetivo é que os clientes vivam o máximo possível, tarefa mais árdua quando se trata de alguém com maus hábitos, rotina estressante e má alimentação. com os wearables, parte desses problemas pode ser desencorajado. o incentivo vem através de descontos para aqueles que mantém a saúde em dia. os descontos podem ser conquistados por visitas ao médico, aulas online sobre nutrição ou alcançar metas de exercícios físicos (medindo usando wearables, como fitbit). hábitos que aprimoram a vida do usuário. para a seguradora, além de diminuir a demanda de suas coberturas, também serve de convite para novos clientes com bons hábitos. a presença de descontos pode tornar o seguro mais acessível para essas pessoas, que poderiam adotar o serviço por "segurança extra". tudo vem com um preço o custo disso, evidentemente, é a privacidade do usuário e os sujeitam também a possíveis erros dos dispositivos — como erros envolvendo batimentos cardíacos. burlar o sistema dos dispositivos vestíveis também não é difícil. a seguradora americana john hancock — que adotou o novo sistema — coloca um tempo de contrato de, em média, 20 anos. contando que o usuário não perpetue sua trapaça. brooks tingle, presidente e ceo da john hancock financial, alega que os dados só serão compartilhados com a devida autorização do usuário. o que levanta outro problema: apesar de agora ser algo voluntário. futuramente o cenário pode mudar, e o usuário que não aceitar ter seus dados compartilhados seja sujeitado a anuidades mais caras. além disso, também é discutida a mudança da relação do usuário com sua própria rotina. sendo "hábitos saudáveis" um termo amplo demais para ser definido pela seguradora. os parâmetros da seguradora podem influenciar negativamente na vida de quem já mantém bons hábitos, mas por métodos alternativos. uma tendência? não é uma iniciativa inédita. a allstate auto insurance, outra seguradora americana, começou a fechar acordos com usuários para instalação de câmeras em seus veículos. a fim de avaliar a prudência do condutor no trânsito, também em troca de descontos. resta aguardar a popularização do serviço. também avaliar se as vantagens são, realmente, mais interessantes que a privacidade.
08/10/2018

Os melhores planos de previdência privada, segundo a Proteste

  associação de consumidores recomenda aplicações para investidores com perfil conservador, moderado, agressivo e que têm data para se aposentar são paulo – como forma de orientar quem não quer depender apenas do valor recebido pelo inss no período da aposentadoria, a associação de consumidores proteste avaliou fundos de previdência privada e fez um ranking dos mais recomendados para quatro tipos de investidores: conservadores, moderados, agressivos e que têm data para se aposentar. para chegar aos nove fundos recomendados, a proteste levou em conta sete tipos de fundos classificados pela associação brasileira das entidades dos mercados financeiro e de capitais (anbima): previdência renda fixa (conservadores); previdência balanceado até 15 e previdência balanceado de 15 a 30 (moderados); previdência multimercados, previdência balanceados acima de 30 e previdência ações (agressivos); e previdência data-alvo, no qual cada cotista define uma data para resgate dos recursos, permitindo que o gestor possa planejar a alocação dos ativos. em cada categoria, a proteste filtrou fundos abertos para captação e que sejam acessíveis aos investidores. ou seja, exijam aporte inicial de até 25 mil reais. “portanto, não ranqueamos os melhores entre o total de fundos, mas os mais atrativos entre os mais acessíveis”, diz verônica dutt-ross, coordenadora da pesquisa da proteste. a partir desses critérios, foram analisados 31 fundos, pertencentes a nove seguradoras, e escolhidos os que ofereceram maior rentabilidade nos últimos cinco anos (de setembro de 2013 a outubro de 2018), além dos que cobram taxas menores. “consideramos os últimos cinco anos porque, caso considerássemos o período de dez anos, que é o prazo mínimo que acreditamos que compensa para o investidor aplicar dinheiro nesse tipo de fundo, teríamos poucos produtos para analisar. muitos fundos surgiram nos últimos cinco anos”, diz verônica. como as taxas de juros e a inflação impactam significativamente os fundos de previdência privada, já que não garantem uma remuneração fixa, é necessário ficar atento às taxas cobradas para que a rentabilidade não possa ser ainda mais prejudicada. são três: taxa de administração, carregamento e imposto de renda. na análise, a proteste verificou que as taxas de administração variam entre 1,25% e 2,40% ao ano, enquanto as de carregamento variam de 0% a 8%, de acordo com o período investido. ou seja, quanto maior o prazo e o valor, menor o encargo. a maior taxa considera um tempo de permanência de até 12 meses. veja abaixo o resultado da pesquisa da proteste: conservadores fundo aplicação mínima inicial (r$) taxa de administração (%) taxa de carregamento rentabilidade anualizada (5 anos) mongeral aegon previdência fi renda fixa crédito privado /mongeral aegon r$ 100 1,75 postergadas: até 12 meses – 10 a 0 11,57% icatu seg fi renda fixa previdenciário / icatu aporte único r$ 15 mil ou mensal de r$ 700,00 2 postergadas: até 12 meses – 3 a 0 11,30% icatu seg inflação curta fi renda fixa previdenciário / icatu aporte único r$ 20 mil ou mensal de r$ 800,00 1 postergadas: até 12 meses – 3 a 0 12,32% moderados fundo aplicação mínima inicial (r$) taxa de administração (%) taxa de carregamento rentabilidade anualizada (5 anos) icatu seg composto 20e fic multimercado / icatu aporte único r$ 20 mil ou mensal de r$ 400,00 1,75 postergadas: até 12 meses – 3 a 0 9,99% agressivos fundo aplicação mínima inicial (r$) taxa de administração (%) taxa de carregamento rentabilidade anualizada (5 anos) safra prev multi estratégia fic multimercado previdenciário / safra “aporte único de r$ 50 mil, ou contribuições mensais de r$ 150,00 1,5 não há 11,01% ibiuna previdência fic multimercado / bradesco aporte único de r$ 10 mil, ou contribuições mensais de r$ 100,00 1,5 não há 11,11% data-alvo fundo aplicação mínima inicial (r$) taxa de administração (%) taxa de carregamento rentabilidade anualizada (5 anos) icatu seg minha aposentadoria 2040 fic multimercado / icatu aporte único de r$ 1 mil, ou contribuições mensais de r$ 100,00 1,75 postergadas: até 12 meses – 3 a 0 9,06% brasilprev renda total ciclo de vida 2040 fic multimercado / brasilprev aporte único de r$ 50 mil, ou contribuições mensais de r$ 60 (vgbl); r$ 100,00 (pgbl) 2 antecipadas: 2 – 0 8,08% brasilprev renda total ciclo de vida 2030 fic multimercado / brasilprev aporte único de r$ 50 mil, ou contribuições mensais de r$ 60 (vgbl); r$ 100,00 (pgbl) 2 antecipadas: 2 – 1 8,16% como escolher na previdência privada, diferentemente da previdência pública, é possível escolher o valor e periodicidade das contribuições, o que permite ter uma reserva mais robusta no período de inatividade, já que é possível aumentar os valores conforme a evolução da capacidade financeira ao longo da vida. outra vantagem dessas aplicações financeiras é que os valores depositados podem ser resgatados em caso de desistência. a carência é, normalmente, de 60 dias, embora alguns fundos, como o sulamérica mix 30 iv multimercado. estipule uma carência de até um ano. há dois tipos de planos de previdência privada: pgbl (plano gerador de benefícios livres) e vgbl (vida gerador de benefícios livres). a diferença entre eles é a incidência do imposto de renda (ir). a vantagem do primeiro é a dedução de gastos com a previdência, limitado ao teto de 12% do salário bruto no imposto. assim, o contribuinte pode usar a verba economizada para aplicar um valor adicional no pgbl, e obter um valor maior ao sacar o dinheiro. mas o benefício fiscal só vale se o investidor optar pela declaração completa do ir. portanto, é necessário avaliar se o benefício compensa, se adicionado a outros ele ficar acima do desconto máximo de deduções, de 20% sobre a renda bruta, é melhor optar pelo formulário simplificado. se não for o caso, opte pelo modelo completo, e aproveite as vantagens do pgbl. fonte: exame por marília almeida
08/10/2018

Economia mundial corre risco de enfrentar nova crise financeira, avisa FMI

 a economia mundial está à beira de nova crise financeira, advertiu o fundo monetário internacional. assim, de acordo com dados do fmi, o valor total da dívida global — tanto no setor público como privado — é 60% maior do que em 2008, ano da última crise financeira. o relatório de estabilidade financeira global da organização, citado pelo jornal the guardian, indica que os governos e reguladores por todo o mundo fracassaram em realizar reformas necessárias para proteger o sistema financeiro da "conduta imprudente" de grandes bancos. segundo o fmi, nos últimos dez anos, muito tem sido feito para apoiar reservas de bancos e executar uma supervisão mais rigorosa do setor financeiro, mas "riscos tendem a crescer durante bons tempos, como o atual período de reduzidas taxas de juro e volatilidade moderada", cita the guardian. entre as principais causas de preocupações a entidade nomeou aumento drástico de empréstimos pelos chamados bancos paralelos da china, fracasso em aplicar restrições rigorosas a seguradoras e gestores de ativos que lidam com trilhões de dólares de fundos. a organização avisa que a economia mundial deverá enfrentar certos desafios para evitar "a segunda grande depressão". vale destacar que os empréstimos a reduzidas taxas de juro para empresas e governos não trouxeram investimento em maiores níveis na pesquisa e desenvolvimento ou investimento mais geral em infraestrutura. esta tendência desde a quebra do banco lehman brothers, que desencadeou a crise financeira global de 2008, tem limitado o crescimento potencial de todos os países e não somente daqueles que mais sofreram as consequências do colapso. sem contar na economia mundial, que foi deixada em uma posição mais fraca, especialmente em um período de possível desaceleração. as medidas adotadas após a quebra do banco de investimento lehman brothers, considerado um dos pontos de partida da crise de 2008, deixaram a economia mundial com uma proporção de 52% entre a dívida e o pib, que era 36% antes da crise. balanças de bancos centrais, especialmente em países desenvolvidos são algumas vezes maiores do que antes do colapso de 2008. quanto às economias em desenvolvimento, estas agora representam 60% do pib global em termos de poder aquisitivo se comparados aos 44% no período antes da crise, "refletindo, parcialmente, uma recuperação fraca nas economias avançadas", diz o relatório.
08/10/2018

O que esperar dos mercados com Bolsonaro ou Haddad?

 agora é oficial: o brasil será governado ou por jair bolsonaro, do psl, ou por fernando haddad, do pt. o que isso pode significar para o país que está saindo de uma das suas piores crises econômicas dos últimos 100 anos, com um déficit fiscal elevado e um problema de grave desequilíbrio estrutural da previdência social em meio a um ambiente de alta dos juros nos estados unidos? volatilidade ainda alta para a corretora guide investimentos, a volatilidade dos mercados deverá se manter elevada entre o 1º e 2º turno da eleição presidencial. ainda assim, uma vitória do candidato mais reformista deve destravar valor do índice bovespa, visto que a bolsa brasileira segue em patamares atrativos levando em conta alguns indicadores. o primeiro desses indicadores é a relação entre o preço dos papéis e o lucro projetado para as empresas, o p/l. hoje, o preço das ações  do ibovespa equivale a 10,7 vezes o lucro das empresas, enquanto o resto do mundo está mais caro, com um preço equivalente a 15 vezes o lucro. o ibovespa também está sendo negociado próximo dos 20 mil pontos em dólar, abaixo da média dos últimos 8 anos, de 25 mil pontos em dólares. a guide destaca ainda as perspectivas para as empresas locais e, especialmente, ativos que ainda não foram corretamente precificados, e que podem surpreender de forma positiva nos próximos meses em uma eventual vitória de bolsonaro. “algumas empresas estão melhor preparadas para aproveitar os ventos mais favoráveis deste novo ciclo, que vislumbramos com um candidato reformista no poder”, diz a corretora. preferência e aposta em bolsonaro os investidores têm mostrado preferência pelo candidato do psl, como ficou claro na semana passada, quando as pesquisas de intenção de voto mostraram o crescimento do apoio a bolsonaro. a proposta de implantar uma política econômica liberal e, mais que isso, impedir a volta da esquerda e do pt animaram os investidores ao longo da semana. na sexta-feira, porém, o índice bovespa caiu, em um ajuste de posições para aguardar o resultado da votação, afirma filipe villegas, analista da corretora genial investimentos. a movimentação da semana passada surpreendeu, com papéis como petrobras e banco do brasil subindo mais de 20% em 30 dias com a especulação de que bolsonaro poderia vencer no primeiro turno.  “havia a expectativa até de mais euforia na sexta-feira, mas, com a realização no dia,  o mercado já se antecipou e precificou uma chance de segundo turno”, diz villegas. mesmo assim, é possível que a frustração com um segundo turno leve o mercado a realizar um pouco dos lucros nesta semana, avalia o analista. mas, mesmo sem uma vitória no primeiro turno, o humor do investidor tende a se consolidar e há espaço para novas altas, talvez não de imediato, mas ao longo do último trimestre do ano. “se o resultado (vitória de bolsonaro) se confirmar, o mercado já antecipou 25% a 30% do ganho e ainda pode subir mais”, estima villegas. alta limitada pelos desafios das reformas ele não acredita, porém, que índice bovespa bata imediatamente em 100 mil pontos com bolsonaro, como alguns analistas estimam. em um estudo feito com base na movimentação do ibovespa, seus desvios padrões, villegas estima que o índice teria uma resistência entre 90 mil e 92 mil pontos. “em um primeiro momento, se houver uma alta forte, o índice iria no máximo atingir esse nível”, acredita. ele admite, porém, que uma eventual euforia poderá levar o índice a subir mais, pelo fluxo de entrada de investimentos. “mas temos uma agenda de reformas impopulares difícil de ser aprovada que vai segurar a alta do mercado”, acredita. assim, à medida que as reformas forem se confirmando viáveis, o mercado poderá avançar. ataques e debates devem dar o tom do segundo turno no segundo turno, o grande impasse deve ser o debate entre os dois candidatos, acredita villegas. “mais que as pesquisas, os debates, os ataques, devem dar o tom do mercado”, afirma. mas se 100 mil pontos para o ibovespa no caso de vitória de bolsonaro é um exagero, também é exagerado estimar 60 mil pontos para o índice se fernando haddad vencer, diz villegas. segundo ele, o candidato do pt está se aproximando do mercado, e analistas políticos acreditam que ele faria um governo diferente do de dilma rousseff. com isso, o índice pode se estabilizar entre 74 mil e 75 mil pontos, até haddad definir sua política econômica. ações para bolsonaro e para haddad villegas tem duas carteiras, para o caso de vitória de bolsonaro ou de haddad. caso bolsonaro ganhe, pela expectativa de euforia do mercado, as grandes beneficiadas seria as empresas estatais, ou com correlação forte com o índice bovespa, como a bolsa b3, o banco do brasil, petrobras e eletrobrás. empresas de seguros, como sulamérica (ou porto seguro), também ganhariam, pois a expectativa é de alta dos juros, que aumentam os ganhos das carteiras de investimento dessas empresas. já no caso de vitória de haddad, seriam beneficiadas empresas com receita em dólar, como exportadoras, além do setor de construção civil, especialmente empresas voltadas para moradia popular e baixa renda, pelos incentivos que seriam dados ao programa minha casa minha vida. o setor de educação também seria beneficiado, pelos incentivos para bolsas de estudos. nessa lista estariam as exportadoras suzano papel, weg, a empresa de educação estácio e a porto seguro (ou sulamérica) e a construtora mrv, que atua junto à baixa renda. em ambos os cenários, independentemente do candidato, villegas espera uma elevação da taxa de juros, por isso a aposta em seguradoras. dólar vai repercutir chances de bolsonaro e para o dólar, o que se pode esperar? a equipe de análise do banco abc brasil fez uma avaliação considerando os cenários para o segundo turno. segundo o banco, pesquisas entre gestores de fundos de investimentos, sobre qual seria o nível do dólar no caso da vitória de bolsonaro ou de haddad, mostram que a mediana das repostas ficou em r$ 3,50 para o caso do candidato do psl e em r$ 4,55 se a vitória for do petista. “ou seja, poderíamos considerar que um patamar “justo”, considerando que as pesquisas de 2º turno estão mostrando uma chance de 50% para cada cenário, seria algo próximo de r$ 4,00”, diz o abc brasil. portanto, para a moeda americana estar operando entre r$ 3,85 e r$ 3,90 como na semana passada, seria porque o mercado está colocando no preço alguma chance de vitória de bolsonaro já no 1º turno. como isso não aconteceu, seria o caso de o dólar se aproximar dos r$ 4,00. mas isso não é uma certeza, diz o banco. mesmo que bolsonaro não ganhe, mas saia das urnas no domingo com uma vantagem confortável para haddad, o mercado vai precificar uma probabilidade maior do que os 50% que as atuais pesquisas de 2º turno mostram para uma vitória do ex-capitão. assim, diz o abc brasil, o importante é a leitura do resultado das urnas no primeiro turno e se ele vai mostrar uma força de bolsonaro maior do que a indicada nas últimas pesquisas. o que parece ser o caso, já que o candidato do psl terminou com 49% dos votos válidos. ele precisará apenas manter os atuais eleitores e conseguir 2 pontos percentuais de outros candidatos. já fernando haddad, com 31% dos votos válidos, teria de conseguir 19% de votos. dólar entre r$ 3,54 e r$ 5,05 a eleição de um candidato contrário às reformas, papel hoje de fernando haddad, do pt, poderia levar o dólar, em um cenário pessimista, para r$ 5,05, estima a corretora guide investimentos. no cenário otimista, com haddad, a moeda americana ficaria em r$ 4,21 e, no mais provável, em r$ 4,61. as projeções levam em conta a paralisação das reformas e das privatizações, o que comprometeria o crescimento gradual da economia. haveria ainda um desalinhamento do congresso com o executivo e um aumento do prêmio de risco do país, com fuga de recursos estrangeiros de ativos brasileiros. “nesse contexto, vemos um ciclo de ligeiro crescimento (ou mesmo estagnação) do lucro das empresas, com expectativa de encarecimento do custo do serviço da dívida e volumes de venda em patamares ainda fracos”, diz a guide. “assim, vemos que o ibovespa poderia recuar para um patamar próximo de 63 mil pontos”, estima a corretora. já no caso de vitória de um candidato que apoie as reformas, ou seja, bolsonaro, a expectativa é de melhora econômica, com índices de confiança melhorando nos próximos meses em diversos setores. a guide espera também um maior alinhamento do congresso com o executivo, um avanço nos ajustes fiscais e reformas estruturais e, como resultado, uma maior aplicação de investidores locais e estrangeiros em ativos brasileiros. isso poderá levar a uma aceleração do crescimento econômico e do lucro das empresas, o que permitira um índice bovespa no cenário base de 96 mil pontos e, no cenário mais otimista, de 105 mil pontos. o dólar, por sua vez, recuaria para r$ 3,67 no cenário base e r$ 3,54 no otimista. carteiras bolsonaro e carteira haddad para a guide, no cenário de vitória de bolsonaro, as principais recomendações seriam ações de empresas estatais, do setor financeiro, de commodities, e empresas com maior exposição à atividade doméstica. o dólar ficaria abaixo de r$ 4,00 e o risco-brasil, medido pelos credit default swaps (cds), ficaria perto dos 150 pontos base, ou 1,5 ponto percentual acima do juro americano. os juros no brasil subiriam mas mais gradualmente. no caso de haddad, a corretora vê oportunidades em dólar, em ações de empresas de energia (transmissão em especial), no setor financeiro (exceto bancos) por conta da alta dos juros e no setor de saúde. o cenário mais provável é de dólar acima de r$ 5,00, o risco-brasil do cds em 300 pontos base (3 pontos percentuais) e um aperto monetário mais acelerado puxando os juros.
08/10/2018

Ibovespa dispara após 1º turno das eleições; dólar cai

 são paulo - (atualizada às 11h23) o ibovespa iniciou a segunda-feira em forte alta e já aparece na faixa de 86 mil pontos. os investidores reagem ao forte desempenho de jair bolsonaro (psl) no primeiro turno das eleições. praticamente todos os papéis do índice avançavam nesta manhã, com destaque para as ações de estatais e de bancos. ao redor de 11h20, o ibovespa subia 4,57%, aos 86.084 pontos; na máxima, por ora, marcou 87.333 pontos (+6,09%). o giro financeiro é muito elevado e já marcava r$ 8,5 bilhões. os papéis do 'kit eleições', grupo de ativos do ibovespa com maior sensibilidade ao noticiário eleitoral, apresentam desempenhos amplamente positivos nesta manhã. eletrobras pnb ganhava 12,21% e eletrobras on avançava 11,09%. o destaque, contudo, é cemig pn, com valorizalçao de 16,76%. petrobras pn subia 9,10% e é a ação de maior giro financeiro individual, de r$ 2,2 bilhões. os bancos privados também apresentam altas expressivas, caso de itaú pn (+6,60%), bradesco pn (+6,65%), bradesco on (+5,99%) e units do santander brasil (+7,08%). no setor de varejo, tinham alta b2w on (+10,15%), units da via varejo (+7,81%), lojas americanas pn (+5,87%) e magazine luiza on (+4,94%). entre as poucas quedas do dia, apareciam no setor de commodities suzano on (-4,47%) e units da klabin (-2,24%), fibria on (-1,34%) e vale on (-1,20%). bolsonaro, candidato mais alinhado às pautas econômicas defendidas pelo mercado financeiro, obteve 46% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto fernando haddad (pt), seu adversário no segundo turno, registrou 29%. além disso, a votação expressiva obtida pelo psl e outros partidos alinhados a bolsonaro para o legislativo dá maiores condições de governabilidade a uma eventual administração do ex-militar. no câmbio, o dólar comercial cedia 2,59%, cotado a r$ 3,7549. fonte: este trecho é parte de conteúdo que pode ser compartilhado utilizando o link https://www.valor.com.br/financas/5911187/ibovespa-dispara-apos-1-turno-das-eleicoes-dolar-cai ou as ferramentas oferecidas na página.
08/10/2018

Mercado financeiro eleva estimativa de inflação para 4,40%

 a estimativa de instituições financeiras para a inflação este ano subiu pela quarta vez seguida. de acordo com pesquisa do banco central (bc), divulgada nesta segunda-feira (8) no relatório focus, o índice nacional de preços ao consumidor amplo (ipca) deve ficar em 4,40%. na semana passada, a projeção estava em 4,30%. para 2019, a projeção da inflação permaneceu em 4,20%. para 2020, a estimativa segue em 4% e, para 2021, passou de 3,97% para 3,95%. a projeção do mercado financeiro ficou mais próxima do centro da meta deste ano, que é 4,5%. esse número tem limite inferior de 3% e superior de 6%. para 2019, o objetivo é de 4,25%, com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%. já para 2020, o intuito é 4% e 2021, 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para os dois anos (2,5% a 5,5% e 2,25% a 5,25%, respectivamente). para alcançar a meta de inflação, o banco central usa como instrumento a taxa básica de juros (selic), atualmente em 6,5% ao ano. de acordo com o mercado financeiro, a selic deve permanecer em 6,5% ao ano até o fim de 2018. para 2019, a expectativa é de aumento da taxa básica, terminando o período em 8% ao ano. para o fim de 2020, a projeção é 8,38% ao ano, ante 8,19% previstos na semana passada, voltando a 8% ao ano no final de 2021. quando o comitê de política monetária (copom) aumenta a selic, a meta é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. quando o copom reduz a selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação. a manutenção da taxa básica de juros, como prevê o mercado financeiro este ano, indica que o copom considera as alterações anteriores suficientes para chegar à meta de inflação. as instituições financeiras ajustaram a estimativa para o crescimento do produto interno bruto (pib), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, de 1,35% para 1,34%, este ano e mantiveram a estimativa em 2,5% nos próximos três anos. a estimativa para a cotação do dólar foi mantida em r$ 3,89 no fim deste ano, e em r$ 3,83 ao término de 2019. jornal do comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/economia/2018/10/651665-mercado-financeiro-eleva-estimativa-de-inflacao-para-4-40.html)  
03/10/2018

Seguro de vida empresarial também é vantagem para o executivo

 além de diversos benefícios oferecidos aos colaboradores, a contratação do seguro pode auxiliar na retenção de talentos para as empresas são paulo, outubro de 2018 – adversidades acontecem e estar preparado para elas é algo fundamental no dia a dia de uma empresa. o seguro de vida empresa pme é uma opção para quem deseja ter essa tranquilidade em momentos adversos. o segurado e sua família estarão protegido em casos de morte, morte acidental, invalidez permanente - total ou parcial - causada por acidente ou doença, e ainda terão acesso à assistência funerária e outros serviços customizados no momento da contratação. o seguro de vida empresarial tem como principal objetivo amparar os beneficiários do colaborador. mas, no entanto, não é somente o segurado que ganha com a contratação. o empresário que contrata o serviço também se beneficia com a iniciativa. “para o empresário, esse tipo de seguro possui diversos diferenciais. além da tranquilidade e proteção para os beneficiários, o seguro auxilia na retenção de talentos através de uma benesse ao colaborador”, explica peter rebrin, diretor executivo de personal lines e bancassurance. “e existem também as vantagens para a empresa, que terá cobertura de verbas rescisórias, indicadas ao pagamento de indenização no caso de falecimento de um colaborador”. a contratação desse tipo de seguro pode ser inteiramente ou parcialmente pago pela empresa, ou ainda inteiramente pago pelo colaborador. além de oferecer vantagens e diferencias, permite que o empresário atenda a convenções coletivas que exigem a contratação do seguro de vida. o serviço, que possui forte demanda no país, pode ser oferecido conforme o nicho de atuação da empresa e o perfil da seguradora. fonte: segs
03/10/2018

Setor privado prepara projeto de reforma da Previdência para presidente eleito

  projeto capitaneado pela fundação instituto de pesquisas econômicas da usp propõe uma mudança baseada no projeto atual e outra paralela com base em quatro pilares. o setor de previdência privada se aliou para propor uma nova reforma da previdência social no brasil ao presidente eleito, de acordo com o presidente da federação nacional de previdência privada e vida (fenaprevi), edson franco. o projeto, que está sendo capitaneado pela fundação instituto de pesquisas econômicas da usp (fipe-usp), propõe uma mudança baseada no projeto atual e outra paralela com base em quatro pilares para aprimorar a aposentadoria oficial: um deles com foco assistencial; outro similar ao inss e com contribuição; capitalização individual, podendo usar parte dos recursos do fundo de garantia do tempo de serviço (fgts) e, por último, o privado. na segunda-feira, 1º, o ex-presidente do banco central, arminio fraga e o economista paulo tafner também apresentaram uma proposta de reforma da previdência, 'independente e apartidária', segundo os autores. de acordo com cálculos de tafner, o projeto, se implementado, permitiria uma economia de r$ 1,3 trilhão em dez anos - superior ao previsto no texto aprovado pelo governo michel temer na comissão especial que tratou do tema no congresso nacional.  “sem previdência, a retomada fiscal não será possível diante do déficit por conta do gasto com previdência e, mais do que isso, a projeção de gasto futuro em função aumento da longevidade. o encaminhamento da reforma da previdência é absolutamente necessário”, destacou edson franco, em coletiva de imprensa, realizada nesta quarta-feira, 3. a fenaprevi, em parceria com a confederação das seguradoras (cnseg) e a associação brasileira das entidades de previdência complementar (abrapp), defendem que a reforma da previdência ocorra em duas frentes simultâneas. de um lado, o ajuste na previdência atual em moldes semelhantes ao que já foi proposto no governo de michel temer e acabou não sendo aprovado, com estabelecimento de idade mínima para aposentadoria e desacumulação benefícios, e do outro um novo sistema voltado a novos trabalhadores, cujo estudo e cálculos estão sendo tocados pelo professor da fipe, hélio zylberstajn. segundo franco, o projeto do setor privado estará concluído até o final deste ano para ser entregue na sequência ao presidente eleito. “a novidade aqui é que defendemos também o encaminhamento de uma frente paralela, criando desde já uma nova previdência para novos trabalhadores nascidos a partir de 2005 de forma que o novo sistema esteja baseado em quatro pilares”, explicou o presidente da fenaprevi. o primeiro pilar, segundo ele, seria de renda básica ao idoso, natureza assistencial e não privada, financiada por impostos e não contribuições. já o segundo teria formato similar ao do inss, com objetivo de distribuição de renda com contribuição por parte do usuário e teto reduzido. “a ideia é que a somatória da renda dos dois pilares seja equivalente à renda média brasileira hoje, de r$ 2,2 mil e cobre cerca 80% da população, representando uma taxa de reposição de 100% da renda média do brasileiro”, disse franco. já o terceiro pilar, conforme o projeto de reforma da previdência proposto pela iniciativa privada, visa a atender as pessoas que ganham acima r$ 2,2 mil e tem como base um sistema de capitalização individual. aqui, segundo franco, uma das fontes de financiamento poderia ser o próprio fgts, sem criação de custo adicional para trabalhadores e empresas. apesar de concorrer com outras frentes como o financiamento imobiliário, por exemplo, o presidente da fenaprevi explicou que esse recurso é aportado pelas empresas como recurso em contas individualizadas e que o uso do fgts seria apenas para novos participantes. são, conforme ele, cerca de r$ 90 bilhões de orçamento anual do fundo. considerando que 10% das pessoas estão ingressando no mercado de trabalho são mais ou menos r$ 9 bilhões. “no novo sistema poderíamos usar os ingressos de novos entrantes para financiar um regime de capitalização. não estamos falando do estoque, mas do fluxo. não vamos propor uma migração, mas a possibilidade de aproveitar o recurso que já é aportado na conta individual dos trabalhadores para ser utilizado em favor da poupança previdenciária para uma aposentadoria futura”, exemplificou franco, acrescentando que no quarto pilar, que compreende a previdência suplementar, nada muda. fonte: aline bronzati, o estado de s.paulo

O acordão da Previdência


12/04/2019

Como uma espécie de Davos à brasileira, o 18º Fórum do LIDE reuniu, de forma inédita, governadores, parlamentares, empresários e o Executivo para fecharem questão em torno de mudanças na aposentadoria, no maior pacto federativo já visto sobre o tema. Agora é possível que a Reforma saia de uma vez do papel

O ministro Paulo Guedes e o presidente da Câmara Rodrigo Maia tocam instrumentos diferentes na sinfonia do poder, mas nada impede que atuem na mesma orquestra quando a partitura interessa a todos. No caso, a tão decantada e ainda aguardada Reforma da Previdência. Semanas a fio, de uns tempos para cá, os dois estão compondo, afinados, a banda de articulações que tenta a aprovação da proposta, ainda no primeiro semestre se tudo correr bem. Marcam quase todos os dias conversas fechadas nos gabinetes do Parlamento e do ministério para acertar pontos ainda pendentes. Seguem juntos para conversas com as bancadas dos partidos e com públicos e plateias os mais variados. Tratam de ajustes pontuais no texto e no calhamaço de estatísticas para chegar ao número mágico pretendido de uma economia na casa de R$ 1 trilhão em dez anos.
E trocam elogios mútuos quando se referem à disposição do interlocutor para aceitar sugestões. Viraram, por assim dizer, verso e emenda do mesmo refrão. Na semana passada, os dois e mais o presidente do Senado David Alcolumbre – que também dá corda à cantilena da Reforma – além de portentos empresariais, ministros, congressistas e seis governadores se reuniram em um encontro tão representativo como inequívoco na demonstração de força e sintonia em torno do tema. Na 18º edição do Fórum Empresarial do LIDE, dessa vez realizado em Campos do Jordão, interior de São Paulo – com um formato e dinâmica que lembram em muito as conferências globais de Davos -, todos pareciam sinceramente ávidos por enfrentar o impossível para chegar lá (ou, pelo menos, o aparentemente impossível, dado que sai governo, entra governo, ninguém consegue emplacar a ideia) com uma espécie de bloco coeso de apoio, integrado por camadas de diversos setores comprometidos com a retomada econômica. Foi um ponto de inflexão importante nessa trajetória de idas e vindas daquela que é, de fato, a principal pauta lançada sobre as mesas de deputados e senadores neste ano. Até aqui não havia ocorrido ainda uma reunião tão ampla e diversificada de agentes envolvidos com a reforma. Na batuta da mobilização, o governador de São Paulo, João Doria, funcionou ali como uma espécie de intermediador de interesses, sem tomar lados, uma vez que o intuito geral era o de fechar a agenda comum pelo engajamento para ajudar no rito da aprovação. “Não há mais o que esperar, o Brasil precisa o quanto antes dessa reforma, o recado ficou claro e vamos trabalhar em conjunto por ela. Articulem-se, sejamos todos ativos nessa direção”, convocou Doria, que há quase duas décadas idealizou os fóruns anuais (ainda organizados pelo grupo que leva o seu nome e do qual se desligou desde que entrou para a política, deixando a direção a cargo de uma banca de profissionais). De uns tempos para cá, no comando da máquina paulista, Doria procurou ser uma espécie de fiador de entendimentos nesse sentido, se esforçando como poucos para reunir, inclusive na própria casa, vários dos personagens da complexa negociação. Foi assim na semana passada quando recepcionou o vice-presidente General Mourão e sugeriu alguns encontros entre ele e os governadores dos demais Estados para ouvir as necessidades de cada um, e ao receber também o presidente do Supremo Tribunal, Dias Toffoli, que reagiu entusiasmado ao convite: “estou há 10 anos no STF e nunca ninguém me chamou para uma conversa como essa e o senhor faz isso justo no momento mais decisivo do País”, disse ao anfitrião. No ponto alto das rodadas de tratativas que entabulou pela reforma, Doria resolveu falar a respeito tanto com o presidente Bolsonaro como com o deputado Maia para aparar arestas, tal qual um bombeiro que percebe a fumaça a tempo de controlar o incêndio. É um trabalho de diplomacia que vem fazendo a diferença. No Fórum de Campos, ele dobrou a aposta. Lá, de certa forma, estavam colocados inúmeros papeis estratégicos disponíveis a cada um dos participantes para o sarau de negociações. Para quem viu de fora foi possível alimentar razoável otimismo sobre a costura de saídas para o impasse previdenciário. Basta compreender a função dos protagonistas daqueles tête-à-tête e a dimensão de um encontro como o de Campos, quando esses senhores reservaram o final de semana para juntos debater e firmar denominadores comuns.
“Não há mais o que esperar. O Brasil precisa o quanto antes dessa reforma” João Doria, governador de São Paulo
Existiam diferenças? Claro. Incontornáveis? O desenrolar do evento acabou demonstrando que não. Lado a lado, sem intermediários, os participantes acabaram por fechar convergências em vários aspectos. E isso fez toda diferença na evolução dos ânimos quanto à entrega ao País de uma reforma verdadeiramente eficaz. O clima de hostilidade de outras ocasiões foi superado e análises consistentes sobre crise fiscal, reorientação de receitas e passos complementares na área das privatizações e do ajuste no Sistema “S” pontificaram sem maiores resistências. Os governadores, por exemplo, estão muitos deles em situações calamitosas de caixa. Não sabem como seguir um ano sequer a mais com o atual quadro de vinculações orçamentárias para a rubrica das pensões, bem mais salgadas no campo da atividade pública se comparadas às da iniciativa privada. Deram ali esse testemunho e reforçaram a carga de pressão sobre os representantes do Legislativo presentes. Prefeitos, deputados e senadores que foram ao Fórum, dentre os quais Antonio Carlos Magalhães Neto, de Salvador, e Nelson Marchezan, de Porto Alegre, repisaram o alerta da inanição dramática de verbas nas respectivas regiões para bancar o compromisso. Cada uma das vozes serviu de caixa de ressonância direta sobre os feitores da costura do projeto, dispostos de maneira genuína a escutar e ajustar excessos.
Ministros como o responsável pela pasta da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, trouxeram sua contribuição mostrando os esforços em andamento para a recomposição de receitas. Freitas listou um balanço de leilões que repassaram, dentre outras estruturas, inúmeros terminais portuários, ferroviários e aeroportos. No total, em 60 dias, 23 ativos mudaram de mãos, do Estado para a iniciativa privada, gerando resultados bilionários que vão ajudar no resgate da saúde financeira da União. Longe dali, até a ala militar, através dos generais Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança, e Eduardo Villas Bôas, ex-comandante-geral do Exército, saíram em busca de apoio para as mudanças nas aposentadorias e serviram de promotores do tema em convescote no final de semana com um grupo de governadores liderados por Ronaldo Caiado, de Goiás. Caiado esteve ainda no pelotão dos participantes do Fórum.

Um pacto federativo

Mas vamos nos ater aos principais protagonistas dessa espécie de pacto federativo que ocorreu durante as rodadas de Campos – e não se pode chamar de outra coisa uma sinalização conjunta de ideias em torno da Reforma. Maia e Guedes exerceram no encontro a condição de maestros da pacificação. Por mais que opositores e críticos do Governo tentem desmerecer o escopo do projeto, a dupla de seus defensores tem acertado não apenas no diagnóstico da crise como na receita para saná-la. Tal qual padarias mal administradas, o Tesouro Nacional mergulhou há muito tempo no vermelho e já teria ido à falência se estivesse no ramo comercial – principalmente devido aos desembolsos descomunais que realiza para arcar com a Previdência, na casa dos R$ 720 bilhões ao ano. Os arautos da reforma estão juntos conversando com os interlocutores para demonstrar por A mais B que o único jeito de consertar a situação e evitar o desfecho trágico passa por uma reformulação completa do sistema de gastos sob essa rubrica. “Tenho a minha absoluta tranquilidade, fora dos ruídos aqui e ali, quanto à dinâmica maior dos eventos. Para mim é claro que a continuar nessa marcha estaremos indo para a desordem da forma mais organizada que já vi”, alertou Guedes ainda na sexta-feira 05 a uma plateia de atentos ouvintes. “As pessoas estão irritadas e ansiosas porque vivemos uma crise há quase cinco anos e precisamos da reforma para mudar esse estado de coisas”, reforçou Maia. Os dois estão pedindo ao Congresso celeridade. Essa é uma providência habitualmente perseguida pelos governantes, mas a missão de cobrá-la e negociá-la foi tão mal recebida pelo mandatário que ambos decidiram tomar a frente do processo. Diga-se de passagem que os brasileiros acompanham desde o início, com certa sofreguidão, o desenrolar dos acordos. Em um primeiro momento majoritariamente contra a perda de benefícios perceberam que seriam os principais prejudicados, ou no mínimo seus filhos, pela falta de uma solução estrutural. A história revelou que, a rigor, a curva de contribuintes e de beneficiários se inverteu dramaticamente com o avanço da população idosa – fenômeno que, por aqui, assumiu contornos de calamidade na equação. O resultado a que se chegou, com risco de calote generalizado dos pagamentos em até três ou quatro anos, pode ter contribuído para a mudança dos humores da população a favor de um ajuste. Pesquisa da XP Investimentos divulgada recentemente mostrou que 65% dos entrevistados se colocam agora a favor da reforma. O aval serviu de senha para que o ministro Guedes tomasse novo fôlego após o bombardeio de ataques que sofreu da bancada do atraso na Câmara. Ah, as contradições da democracia! Se há 15 dias Guedes perdeu a paciência com um auditório dominado por arrivistas que o exauriram em seis horas de depoimento, nas apresentações de Campos, logo após, ele teve que seguidamente interromper as mesmas explicações em virtude dos aplausos de convertidos, inebriados com a clareza dos argumentos. Dois públicos, duas reações absolutamente distintas. A soma das sessões lhe dá ainda assim um quórum altamente favorável à cruzada que empreende. De Posto Ypiranga a “tchutchuca”, Tigrão ou czar da economia, Guedes conheceu todos os mimosos epítetos com que o brindaram na trajetória de andarilho atrás de votos pela Previdência, mas segue indiferente, talvez porque costuma colocar a causa acima dos contratempos. Disse isso em Campos: “vou me irritar com o que? Tem uma minoria que fica batendo bumbo, problema deles.
“As pessoas estão ansiosas e irritadas porque vivemos uma crise há quase cinco anos e precisamos da reforma para mudar esse estado de coisas” Rodrigo Maia, presidente da Câmara
A minha expectativa da classe política é a melhor possível, a construtividade do Maia, do Doria e de muitos outros reforça a minha convicção de não recuar. Sem recuo e sem rendição”, estabeleceu o ministro. Seu companheiro de batalha, Rodrigo Maia, que compartilha da mesma fama de pavio curto, sempre com uma resposta na ponta da língua, tem um pé cautelosamente atrás e o outro lado a lado com o de Guedes. “Perdi a condição de cumprir um papel de articulador porque fui mal compreendido, mas se a gente quer reformar o Estado precisamos agora de um pacto onde a Previdência é o primeiro item”, afirma. Maia tem surpreendido positivamente como um autêntico embaixador da reforma no Congresso. Até Guedes reconhece isso. Com seu estilo carrancudo, parrudo, mas competente em todos os sentidos, o presidente da Câmara virou o fiador do projeto, mesmo que o presidente Bolsonaro inicialmente não o tenha enxergado assim. Já no segundo mandato, com assento cativo no comando da Câmara pelos próximos dois anos, não há mais dúvidas de que ele participará das decisões-chaves do que mudar e do que manter na estrutura da proposta (leia quadro) e, aos interlocutores, Maia vem enviando sinais de que não se furtará da missão de harmonizar a Casa, buscando uma solução que elimine os privilégios em qualquer direção: dos servidores públicos aos militares. É aí que a coisa pode pegar. No Executivo se coloca como assunto fechado o tratamento diferenciado para a caserna, com um regime especial de Previdência.
“A gente pode enveredar já pelo caminho certo da reforma porque a convicção de sua importância nunca foi tão acentuada” André Esteves, presidente do BTG Pactual
O Congresso discorda e Maia precisará atuar como apaziguador. Guedes, de sua parte, tem um tom mais incisivo sobre o assunto. Disse na Comissão de Constituição e Justiça, dias antes, que cabe aos parlamentares a coragem de mudar ou não o modelo sugerido para os aposentados de farda. No íntimo ele torce pela revisão para reforçar as chances da economia na casa do trilhão. Sempre preciso na exposição dos motivos, Guedes não arreda pé do ouvido do presidente e atende quando pode demandas como a dos militares. Nesse pormenor, no entanto, ele foi menos enfático – talvez por não estar plenamente a favor – e assim deixou de transmitir explicações convincentes na defesa da categoria. O mesmo não aconteceu quando o item abordado foi o esquema de “capitalização” para as gerações futuras que entrarão daqui por diante no sistema. Com essa via Guedes advoga que serão criados milhares de empregos rápidos em virtude da “desoneração dramática” (expressão dele) dos encargos trabalhistas. Bolsonaro mostra resistência, parlamentares idem, governadores como Doria e Eduardo Leite (RS) apoiam e Guedes se equilibra insistindo na alternativa. De todo modo, o ministro tem se consagrado como referência quando se fala do lado bom do Governo.
Com o seu estilo surpreendente, brilhante e obstinado virou o estrategista-chefe do acordo em andamento. E ainda bem que está sendo bem-sucedido na empreitada. Desenho estatístico de um País que caminha a fortes solavancos, os índices de aposentadoria por aqui dizem respeito a uma velha tragédia nacional – a de não se preparar para o envelhecimento da população. As estatísticas indicam que ocorreu em curtíssimo espaço de tempo aquilo que muitas pessoas temiam: o risco da insolvência do sistema, que se tornou inviável há alguns anos e que agora consome boa parte do orçamento federal. Como pontua Guedes, devido aos estouros bilionários desse modelo os brasileiros ficaram literalmente atolados. “Carimbamos os recursos, vinculamos os gastos e assim reconstruímos uma Europa por ano para ficar no mesmo lugar. R$ 4 trilhões de receita equivale a um Plano Marshall por ano”. O economista se refere ao valor do PIB e o compara ao plano de ajuda financeira das nações destruídas pela II Grande Guerra. Os desembolsos realizados atualmente sangram quase três quartos das receitas públicas disponíveis. Em bom português: não sobra nada, ou quase nada, para o resto. Com uma escalada vertiginosa e ininterrupta do problema. Em sua infelicidade burocrática, o Brasil está enredado numa armadilha da qual precisa se livrar urgentemente.
Os empresários que desembarcaram em peso no foro estão unanimemente convencidos de que não há outra saída que não a da reforma já. “quantas vezes vimos essa discussão ser colocada à mesa e adiada por falta de disposição política? Agora o quadro parece diferente”, disse o presidente da MAN, líder na produção de caminhões no Brasil, Roberto Cortes. “O que temos de notar é que há no momento uma vontade geral na busca por convergência sobre a questão”, endossou o presidente da gigante nacional do aço CSN, Benjamin Steinbruch. “A Reforma garante a solvência do estado brasileiro no futuro, sem isso entramos numa sociedade à beira da falência”, pontuou Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco.

Vozes em Uníssono

Nessa ala que responde pela produção e, na prática, é quem faz a roda girar para os resultados auspiciosos do Produto Interno Bruto, não foram poucas, nem isoladas, as vozes pedindo a solução urgente. Engrossaram o coro personagens como Michael Klein, que construiu a rede varejista Casas Bahia e no momento dedica-se ao setor de aviação, José Luiz Gandini, da Kia Motors e dirigente da associação de importadores de veículos, Claudio Lottenberg, que preside a líder de planos de saúde Amil e Manfredo Rübens, presidente da gigante química Basf. Ali, naqueles dias de agitação sectária que tomou a aprazível cidadezinha de Campos, com ares de recanto europeu, eram ao menos 700 CEOs, financistas e executivos de grandes conglomerados batendo ponto e empenhando aval na composição da Previdência. “Potencialmente, pelo que tratamos aqui, a gente pode enveredar já pelo caminho certo da reforma porque a convicção de sua importância nunca foi tão acentuada”, convocou o fundador e presidente do conselho do BTG Pactual, André Esteves. O Chairman do LIDE, Luiz Fernando Furlan, definiu em uma parábola o que considera como uma fase de transição: “Se queremos pular para um novo Brasil, esse é o caminho”. Do contrário, como pontua o governador Doria, qualquer impulso de retomada estará comprometido. “Sem a reforma, estados, municípios e o próprio Governo Federal entrarão em um caos, com a falta de recursos para o pagamento de serviços básicos de saúde, educação e segurança entre outros”. É melhor não arriscar.

“A Reforma garante a solvência do estado no futuro. Sem isso, entramos numa sociedade à beira da falência” Luiz Carlos Trabuco, Bradesco

Praça Otávio Rocha, 65 - 1º andar
Centro Histórico - Porto Alegre/RS
CEP.: 90020-140
+55 (51) 3228.1999

News

Receba nossas novidades

LIGUE

+55 51 3228-1999

Ouvidoria
0800 703 1989
E-mail: ouvidoria@sinapp.org.br

Atendimento ao Deficiente Auditivo e de Fala através da TSPC-CAS – Central de
Atendimento a Deficientes Auditivos ou de Fala -
0800 200 0819 E-mail: sac.especial.auditivo.fala@sinapp.org.br

Atendimento ao
Deficiente Visual
0800-703-1989