01/06/2018

Alinhados ao setor privado, bancos públicos abandonam concorrência e investimentos

 os bancários de são paulo discutiram nesta quarta-feira (30) o papel dos bancos públicos e as mudanças que o governo temer vem promovendo, com o alinhamento das suas políticas de crédito, tarifas e atendimento aos dos bancos privados. as consequências são sentidas tanto pelos trabalhadores e clientes, como pela sociedade como um todo, que perdem ferramenta essencial no estímulo do desenvolvimento econômico. o tema foi tratado em seminário realizado pela faculdade 28 de agosto e pelo sindicato dos bancários de são paulo, osasco e região, e contou com a participação da representante dos empregados da caixa no conselho de administração da instituição, rita serrano, do conselheiro de administração representante dos funcionários (caref) do banco do brasil, fabiano felix – em vídeo –, e da economista do instituto brasileiro de defesa do consumidor (idec) ione amorim. a economista do idec apresentou estudo que mostra que as tarifas cobradas pelos bancos públicos (caixa econômica, banco do brasil) subiram mais que a inflação, e esses aumentos foram superiores, inclusive, aos praticados pelos próprios bancos privados, o que mostra, segundo ela, um “desvio” do papel do setor público que deveria estimular a concorrência, “puxando para baixo os preços”, e não o contrário. o pacote convencional de serviços oferecidos pela caixa, por exemplo, entre novembro de 2016 e outubro de 2017, saltou de r$ 25,10 para r$ 44,90, reajuste de 78,9%. já o pacote itaú uniclass 3.0, que custava r$ 28,00, teve reajuste de 10,7%, passando para r$ 31,00, ficando assim mais atraente aos olhos do consumidor na comparação com o concorrente público. “esses números mostram como houve um desvio do papel dos bancos públicos”, destaca ione. ela também ressaltou que os bancos públicos também se tornaram mais “inflexíveis” na hora de renegociar as dívidas com os clientes. segundo ela, as políticas de renegociação agora se resumem apenas ao “alongamento” dos prazos para pagamento das dívidas, como forma de “fidelizar o cliente”, com parcelas que não levam em conta os seus rendimentos. destruição de valor fabiano felix afirmou que o governo temer promove uma política de “destruição de valores” dos bancos públicos, com fechamento de agências e demissão de trabalhadores, que impactam na qualidade do atendimento, com o intuito de enfraquecer a imagem da instituição perante a opinião pública. segundo ele, somente no ano passado, o banco do brasil fechou 670 agências e estimulou a saída de 10 mil funcionários, através de planos de demissão voluntária. com isso, aumenta a sobrecarga dos trabalhadores remanescentes, comprometendo os atendimentos oferecidos. ele diz que esse movimento é acobertado por uma “mudança conceitual” no atendimento aos clientes, que privilegia os meios eletrônicos. “deixar o cliente exposto na fila por várias horas para atendimento simples passa ideia de desrespeito”, exemplificou felix. “isso compromete a imagem e tira valor de uma marca que é extremamente respeitada pela população brasileira”. desinvestimento rita serrano, que também é coordenadora do comitê nacional em defesa das empresas públicas, destacou que, dos 56 mil postos de trabalho que foram extintos no setor bancário, desde 2012, caixa e bb responderam por mais da metade, ou cerca de 30 mil. mais recentemente, junto com a redução de funcionários, vieram também os cortes em investimentos. “os bancos públicos não estão na lista de privatizações, mas estão sendo desmontados e sucateados da mesma forma.” o programa minha casa minha vida, por exemplo, que é gerido pela caixa, chegou a contar com orçamento de cerca de r$ 20 bilhões em 2015. dois anos depois, foi “enxugado” para r$ 7,7 bi. rita lembra que, além de menos casas, a redução dos investimentos do programa representa também menos emprego na construção civil. ela afirmou também que o conselho de administração resolveu devolver ao governo cerca de r$ 3 bilhões que deveriam ser destinados à agricultura familiar, por acreditarem não ser “rentável” efetuar os empréstimos a baixas taxas. segundo ela, do montante destinado ao crédito subsidiado, o banco emprestou apenas 10% do total. já o bndes, “o maior investidor industrial” do país, segundo rita, foi descapitalizado em r$ 100 bilhões pelo governo temer, que destinou esse montante aos bancos privados, através do pagamento da dívida pública. além disso, equiparou as taxas de juros cobradas pelo banco ao extinguir a taxa de juros de longo prazo (tjlp). fonte: por tiago pereira – rede brasil atual
01/06/2018

Rodobens lança plataforma digital para aumentar 25% venda de seguros

 a rodobens criou um novo canal para aumentar em 25% a venda de seguros e ampliar sua base de corretores de seguros parceiros em todo o brasil. por meio de sua corretora de seguros, a companhia lançou o parceiros digitais, uma plataforma que funciona como um escritório virtual para seus corretores. a ideia é que, além de apólices de diversos segmentos, corretores possam oferecer outros serviços financeiros do grupo, como consórcio, linhas de crédito e leasing. dobrar. a corretora de seguros, que atualmente conta com 400 parceiros, pretende dobrar essa base para 800 até o final deste ano e para 1,6 mil em 2019. com isso, o prêmio emitido que hoje gera cerca de r$ 320 milhões ao ano deve passar para r$ 400 milhões anuais em 2019. fonte: estadão
01/06/2018

CNseg realiza pesquisa para atualizar os temas que constarão no próximo Relatório de Sustentabilidade

 objetivo é avaliar a percepção sobre o desempenho do setor em temas selecionados a partir dos princípios para sustentabilidade em seguros. a cnseg está produzindo uma pesquisa junto a públicos de interesse do setor de seguros para a revisão de sua matriz de materialidade, que são os temas prioritários que constarão no próximo relatório de sustentabilidade da confederação. o resultado da pesquisa ajudará a traçar um diagnóstico da percepção de reguladores, clientes e fornecedores, entre outros públicos de interesse, sobre o desempenho do setor em relação a temas selecionados a partir dos princípios para sustentabilidade em seguros (psi), que tem a cnseg como uma de suas signatárias. a partir desse diagnóstico, serão formulados os indicadores a serem coletados junto às associadas da cnseg, que serão posteriormente consolidados e divulgados na forma do relatório de sustentabilidade do setor de seguros referente a 2017. fonte: cnseg
28/05/2018

Susep estabelece novas regras para o seguro de RC de automóveis

 a susep estabeleceu novas regras para o envio de informações de convênios estabelecidos com seguradoras estrangeiras referentes aos seguros carta verde (responsabilidade civil do proprietário e/ou condutor de veículos terrestres em viagem internacional, por danos causados a pessoas ou objetos não transportados), carta azul (responsabilidade civil do transportador rodoviário em viagem internacional, por danos causados a pessoas ou coisas, transportadas ou não, à exceção da carga transportada) e rctr-vi-c (responsabilidade civil do transportador rodoviário em viagem internacional, por danos causados à carga transportada). de acordo com a circular 570/18, publicado nesta quinta-feira (24 de maio) no diário oficial da união, passa a se obrigatório o envio, pelas seguradoras brasileiras, de informações referentes aos convênios estabelecidos com seguradoras estrangeiras para operação daqueles seguros. as seguradoras brasileiras poderão ser representadas por empresas estrangerias, quando tiverem celebrado convênio mútuo, no âmbito do atit (acordo sobre transporte internacional terrestre) ou do mercosul, em caso de sinistro com veículo brasileiro, ocorrido em seus respectivos países, amparado pelos seguros carta azul, rctr-vi-c (atit) e/ou carta verde (mercosul), contratados em seguradora brasileira. já as companhias estrangeiras podem ser representadas por seguradoras brasileiras no caso de sinistro com veículo estrangeiro, ocorrido em território nacional. além disso, as companhias brasileiras deverão atribuir, a um de seus diretores, a responsabilidade de estabelecer e supervisionar esses convênios. essa responsabilidade poderá ser exercida cumulativamente com outras atribuições executivas. a partir de agora, todas as seguradoras brasileiras que comercializam os seguros mencionados na norma, assim como aquelas que sejam representantes de seguradoras estrangeiras no âmbito nacional, devem registrar, através do site da susep, as seguintes informações de representantes e representadas, referentes aos convênios estabelecidos entre seguradoras: razão social; tipo de seguro; país de estabelecimento; número de registro (equivalente ao cnpj); número do convênio; data de início do convênio; data de término do convênio; endereço; telefone; e site. essa obrigatoriedade se aplica quando as seguradoras brasileiras forem apenas representantes, ou apenas representadas, ou se enquadrem nas duas possibilidades. as seguradoras deverão encaminhar as informações de que trata essa circular no prazo de 30 dias. fonte: cqcs
28/05/2018

Seguros e educação financeira estão diretamente ligados

 o seguro como elemento de educação financeira e seu impacto na sociedade. com esse intuito, associação nacional de seguros e previdência (ansp) e associação internacional de direito de seguros (aida brasil) promoveram um debate sobre o assunto durante a 5ª semana nacional de educação financeira, no último dia 15 de maio. “contamos com a parceria da ansp para desenvolver a educação no mercado de seguros com o objetivo de fortalecer o entendimento e a utilização dos produtos de seguro para a sociedade”, explica inaldo bezerra, presidente da aida no brasil. o debate expôs temas como novas tecnologias, mediação e conciliação como medidas de educação e economia social, gamificação e lições de economia e a relação entre educação de seguros e financeira. “a promoção da discussão de qualquer tema referente à educação, e especialmente à educação financeira, é parte central da nossa razão de existir, bem com a parceria com entidades como a aida”, reforça joão marcelo, presidente da ansp. para márcia cicarelli, uma das expositoras e diretora de cátedras da ansp, o evento “é fundamental para que se consiga ter no mercado de seguros essa conscientização de que o seguro se insere dentro de algo maior”. a iniciativa foi organizada por ana rita petraroli, coordenadora da cátedra de seguros inclusivos da ansp, e vivien lys, presidente do grupo nacional de trabalho solução de conflitos da aida. “o conhecimento, por todos, de seus direitos e obrigações, tende, inclusive, a reduzir a litigiosidade no mercado de seguros”, finaliza vivien. fonte: jrs comunicação
28/05/2018

Agenda SINDSEGRS junho e julho de 2018

 04/06 – 9:00 – reunião diretoria 21/06 – 12:00 – almoço do mercado segurador presença do superintendente da susep – sr. joaquim mendanha 28/06 – 14:00 – palestra irfs 17 02/07 – 9:00 – reunião diretoria 6 e 7 – encontro de presidentes e executivos dos sindsegs 26/07 – 12:00 – almoço do mercado segurador presença do presidente do conselho de administração da mongeral aegon seguros e previdência – sr. nilton molina
28/05/2018

Produção de seguros em Portugal cresceu 6% no primeiro trimestre

 a produção global de seguro direto em portugal das seguradoras sob supervisão da asf aumentou 6% no primeiro trimestre deste ano face a igual período em 2017, superando os três mil milhões de euros. a produção global de seguro direto das empresas de seguros sob supervisão da autoridade de supervisão de seguros e fundos de pensões (asf) registrou um crescimento de 6% no primeiro trimestre deste ano em termos homólogos, atingindo um valor ligeiramente acima dos três mil milhões de euros. os dados foram revelados esta quarta-feira na comissão parlamentar de orçamento e finanças pelo presidente da asf, josé almança, que não mencionou os valores exatos. o responsável referiu ainda que no ramo vida o crescimento da produção foi de 5,3%, para mais de 1,8 mil milhões de euros, destacando que os planos de poupança e reforma (ppr) cresceram 28% e representam cerca de 40% da produção do ramo vida. o ramo não vida apresentou uma subida de 7,2%, para cerca de 1,2 mil milhões de euros, destacando-se a modalidade acidentes de trabalho, com uma subida de 11,6%. os custos com sinistros apresentaram uma descida global de 8,6%, para cerca de 2,35 mil milhões de euros, com uma queda de 10,7% no ramo vida e de 2,7% no ramo não vida. fonte: jornal de negócios – portugal
28/05/2018

Planejar para crescer

 o planejamento de carreira permite o desenvolvimento de habilidades específicas requeridas para determinados cargos e facilita a visualização de quais cursos e certificados são necessários não há quem não queira subir na carreira e desbravar novos desafios. a aspiração por crescimento é saudável e extremamente benéfica, mas o caminho até o cargo sonhado deve ser trilhado com cuidado e planejamento. segundo a coach profissional patrícia araujo, ceo da propat, o primeiro passo é definir com precisão o objetivo de carreira: “é necessário que o profissional determine o que é importante para ele e o que ele efetivamente deseja: aumento de salário, posição de maior destaque, um novo cargo na mesma empresa, migrar para outra companhia ou até mesmo mudar de profissão”, explica. identificando as metas e desafios profissionais, é possível planejar o passo a passo da ascensão de carreira, como a participação em cursos e seminários e a conquista de certificações, entre outros itens que possam ser requeridos pelo empregador na hora em que aparecer a oportunidade de ouro. em seguida, deve-se mapear as competências e habilidades requeridas pelo cargo almejado. “é muito comum a pessoa querer uma vaga determinada, mas não estar preparada para aquela missão, mesmo sendo um excelente funcionário. para cada cargo, há características específicas que o profissional deve ter. como nem todo mundo nasce com essas habilidades, é preciso desenvolvê-las”, destaca patrícia. além das competências específicas, há também aquelas que hoje são muito valorizadas pelo mercado, independentemente da área de atuação. trabalhar em equipe, saber se comunicar, saber negociar, lidar com as diferenças, ter autonomia e capacidade de decisão, ser criativo, ousado e inovador, saber ouvir, focar em resultados, motivar e engajar, ser resiliente e saber lidar com o inesperado e com as incertezas em um ambiente cada vez mais dinâmico são apenas algumas das novas habilidades demandadas. “para se firmar no mercado e, principalmente, para crescer, é preciso dominar competências emocionais e comportamentais que vão além do currículo”, reforça a ceo da propat. patrícia também recomenda que o profissional faça uma autoanálise, para identificar quais competências já domina e, sobretudo, conhecer suas limitações. “é muito importante ressaltar aquilo que se tem de positivo, mas é fundamental melhorar naquilo em que não se é bom e desenvolver as habilidades deficitárias”, orienta patrícia araujo.
28/05/2018

Mercado reduz expectativa de alta do PIB de 2,50% para 2,37% em 2018

 o mercado financeiro reduziu suas projeções para o produto interno bruto (pib) em 2018. a expectativa de alta para o pib este ano foi de 2,50% para 2,37% no relatório de mercado focus divulgado nesta segunda-feira (28). há quatro semanas, a estimativa era de crescimento de 2,75%. para 2019, o mercado manteve a previsão de alta do pib de 3,00%, mesmo patamar de quatro semanas atrás. no dia 16 de maio, o banco central divulgou os dados de seu índice de atividade (ibc-br) referente a março. o indicador cedeu 0,74% em relação a fevereiro, na série com ajuste sazonal. no primeiro trimestre, houve uma queda de 0,86% ante o mesmo período do ano passado, na série sem ajuste sazonal. a projeção do bc, já passível de atualização, é de alta de 2,6% para o pib em 2018. o ministério da fazenda ainda trabalha com um porcentual de 3,0%. a mediana do ipca - índice oficial da inflação - para 2018 foi de 3,50% para 3,60%, elevando a expectativa. há um mês, o ipca estava em 3,49%. já a projeção para o índice em 2019 passou de 4,01% para 4,00%. quatro semanas atrás, estava em 4,03%. em abril, o ipca subiu 0,22%, abaixo do que era esperado pelo mercado. no acumulado do ano, o índice de preços avançou 0,92%. o câmbio no fim deste ano passou de r$ 3,43 para r$ 3,48, ante os r$ 3,35 verificados há um mês. já o câmbio médio no ano passou de r$ 3,45 para r$ 3,46, ante r$ 3,34 de um mês atrás. para 2019, a projeção para o câmbio no fim do ano foi de r$ 3,45 para r$ 3,47, ante r$ 3,40 de quatro pesquisas atrás. já a expectativa para o câmbio médio no próximo ano seguiu em r$ 3,40, ante r$ 3,37 de um mês atrás. o mercado projeta que a selic este ano passa de 6,25% ao ano para 6,50% ao ano. há um mês, estava em 6,25%. já a projeção para a selic em 2019 permaneceu em 8,00% ao ano, valor igual ao verificado há quatro semanas. na semana passada, o comitê de política monetária (copom) publicou a ata de seu último encontro, quando a selic foi mantida em 6,50% ao ano, contrariando a maioria dos economistas do mercado. no relatório focus desta segunda-feira, a projeção para a produção industrial de 2018 seguiu indicando alta de 3,80%. há um mês, estava em 4,28%. no caso de 2019, a estimativa de crescimento da produção industrial seguiu em 3,50%, igual ao verificado quatro semanas antes. a pesquisa mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o pib para 2018 seguiu em 55,00%. há um mês, estava no mesmo patamar. para 2019, a expectativa permaneceu em 57,00%, também igual ao verificado um mês atrás.   balança comercial os economistas do mercado financeiro alteraram a projeção para a balança comercial em 2018 na pesquisa focus. a estimativa de superávit comercial passou de us$ 56,10 bilhões para us$ 57,15 bilhões. um mês atrás, a previsão estava em us$ 56,10 bilhões. para 2019, a estimativa de superávit foi de us$ 47,63 bilhões para us$ 49,80 bilhões, ante us$ 45,00 bilhões de um mês antes. na estimativa mais recente do bc, o saldo positivo de 2018 ficará em us$ 56 bilhões. no caso da conta corrente, as previsões contidas no focus para 2018 foram de déficit de us$ 25,08 bilhões para resultado negativo de us$ 23,50 bilhões, ante us$ 25,00 bilhões de quatro semanas antes. para 2019, a projeção de rombo passou de us$ 38,05 bilhões para us$ 38,40 bilhões. um mês atrás, o rombo projetado para o próximo ano era de us$ 38,58 bilhões. para os analistas consultados semanalmente pelo bc, o ingresso de investimento direto no país (idp) será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário, tanto em 2018 quanto em 2019. a mediana das previsões para o idp em 2018 seguiu em us$ 75,00 bilhões, igual a um mês atrás. para 2019, a expectativa está em us$ 80,00 bilhões, mesmo valor de uma semana e um mês antes.   jornal do comércio (http://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/2018/05/economia/629809-mercado-reduz-expectativa-de-alta-do-pib-de-2-50-para-2-37-em-2018.html)  

O acordão da Previdência


12/04/2019

Como uma espécie de Davos à brasileira, o 18º Fórum do LIDE reuniu, de forma inédita, governadores, parlamentares, empresários e o Executivo para fecharem questão em torno de mudanças na aposentadoria, no maior pacto federativo já visto sobre o tema. Agora é possível que a Reforma saia de uma vez do papel

O ministro Paulo Guedes e o presidente da Câmara Rodrigo Maia tocam instrumentos diferentes na sinfonia do poder, mas nada impede que atuem na mesma orquestra quando a partitura interessa a todos. No caso, a tão decantada e ainda aguardada Reforma da Previdência. Semanas a fio, de uns tempos para cá, os dois estão compondo, afinados, a banda de articulações que tenta a aprovação da proposta, ainda no primeiro semestre se tudo correr bem. Marcam quase todos os dias conversas fechadas nos gabinetes do Parlamento e do ministério para acertar pontos ainda pendentes. Seguem juntos para conversas com as bancadas dos partidos e com públicos e plateias os mais variados. Tratam de ajustes pontuais no texto e no calhamaço de estatísticas para chegar ao número mágico pretendido de uma economia na casa de R$ 1 trilhão em dez anos.
E trocam elogios mútuos quando se referem à disposição do interlocutor para aceitar sugestões. Viraram, por assim dizer, verso e emenda do mesmo refrão. Na semana passada, os dois e mais o presidente do Senado David Alcolumbre – que também dá corda à cantilena da Reforma – além de portentos empresariais, ministros, congressistas e seis governadores se reuniram em um encontro tão representativo como inequívoco na demonstração de força e sintonia em torno do tema. Na 18º edição do Fórum Empresarial do LIDE, dessa vez realizado em Campos do Jordão, interior de São Paulo – com um formato e dinâmica que lembram em muito as conferências globais de Davos -, todos pareciam sinceramente ávidos por enfrentar o impossível para chegar lá (ou, pelo menos, o aparentemente impossível, dado que sai governo, entra governo, ninguém consegue emplacar a ideia) com uma espécie de bloco coeso de apoio, integrado por camadas de diversos setores comprometidos com a retomada econômica. Foi um ponto de inflexão importante nessa trajetória de idas e vindas daquela que é, de fato, a principal pauta lançada sobre as mesas de deputados e senadores neste ano. Até aqui não havia ocorrido ainda uma reunião tão ampla e diversificada de agentes envolvidos com a reforma. Na batuta da mobilização, o governador de São Paulo, João Doria, funcionou ali como uma espécie de intermediador de interesses, sem tomar lados, uma vez que o intuito geral era o de fechar a agenda comum pelo engajamento para ajudar no rito da aprovação. “Não há mais o que esperar, o Brasil precisa o quanto antes dessa reforma, o recado ficou claro e vamos trabalhar em conjunto por ela. Articulem-se, sejamos todos ativos nessa direção”, convocou Doria, que há quase duas décadas idealizou os fóruns anuais (ainda organizados pelo grupo que leva o seu nome e do qual se desligou desde que entrou para a política, deixando a direção a cargo de uma banca de profissionais). De uns tempos para cá, no comando da máquina paulista, Doria procurou ser uma espécie de fiador de entendimentos nesse sentido, se esforçando como poucos para reunir, inclusive na própria casa, vários dos personagens da complexa negociação. Foi assim na semana passada quando recepcionou o vice-presidente General Mourão e sugeriu alguns encontros entre ele e os governadores dos demais Estados para ouvir as necessidades de cada um, e ao receber também o presidente do Supremo Tribunal, Dias Toffoli, que reagiu entusiasmado ao convite: “estou há 10 anos no STF e nunca ninguém me chamou para uma conversa como essa e o senhor faz isso justo no momento mais decisivo do País”, disse ao anfitrião. No ponto alto das rodadas de tratativas que entabulou pela reforma, Doria resolveu falar a respeito tanto com o presidente Bolsonaro como com o deputado Maia para aparar arestas, tal qual um bombeiro que percebe a fumaça a tempo de controlar o incêndio. É um trabalho de diplomacia que vem fazendo a diferença. No Fórum de Campos, ele dobrou a aposta. Lá, de certa forma, estavam colocados inúmeros papeis estratégicos disponíveis a cada um dos participantes para o sarau de negociações. Para quem viu de fora foi possível alimentar razoável otimismo sobre a costura de saídas para o impasse previdenciário. Basta compreender a função dos protagonistas daqueles tête-à-tête e a dimensão de um encontro como o de Campos, quando esses senhores reservaram o final de semana para juntos debater e firmar denominadores comuns.
“Não há mais o que esperar. O Brasil precisa o quanto antes dessa reforma” João Doria, governador de São Paulo
Existiam diferenças? Claro. Incontornáveis? O desenrolar do evento acabou demonstrando que não. Lado a lado, sem intermediários, os participantes acabaram por fechar convergências em vários aspectos. E isso fez toda diferença na evolução dos ânimos quanto à entrega ao País de uma reforma verdadeiramente eficaz. O clima de hostilidade de outras ocasiões foi superado e análises consistentes sobre crise fiscal, reorientação de receitas e passos complementares na área das privatizações e do ajuste no Sistema “S” pontificaram sem maiores resistências. Os governadores, por exemplo, estão muitos deles em situações calamitosas de caixa. Não sabem como seguir um ano sequer a mais com o atual quadro de vinculações orçamentárias para a rubrica das pensões, bem mais salgadas no campo da atividade pública se comparadas às da iniciativa privada. Deram ali esse testemunho e reforçaram a carga de pressão sobre os representantes do Legislativo presentes. Prefeitos, deputados e senadores que foram ao Fórum, dentre os quais Antonio Carlos Magalhães Neto, de Salvador, e Nelson Marchezan, de Porto Alegre, repisaram o alerta da inanição dramática de verbas nas respectivas regiões para bancar o compromisso. Cada uma das vozes serviu de caixa de ressonância direta sobre os feitores da costura do projeto, dispostos de maneira genuína a escutar e ajustar excessos.
Ministros como o responsável pela pasta da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, trouxeram sua contribuição mostrando os esforços em andamento para a recomposição de receitas. Freitas listou um balanço de leilões que repassaram, dentre outras estruturas, inúmeros terminais portuários, ferroviários e aeroportos. No total, em 60 dias, 23 ativos mudaram de mãos, do Estado para a iniciativa privada, gerando resultados bilionários que vão ajudar no resgate da saúde financeira da União. Longe dali, até a ala militar, através dos generais Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança, e Eduardo Villas Bôas, ex-comandante-geral do Exército, saíram em busca de apoio para as mudanças nas aposentadorias e serviram de promotores do tema em convescote no final de semana com um grupo de governadores liderados por Ronaldo Caiado, de Goiás. Caiado esteve ainda no pelotão dos participantes do Fórum.

Um pacto federativo

Mas vamos nos ater aos principais protagonistas dessa espécie de pacto federativo que ocorreu durante as rodadas de Campos – e não se pode chamar de outra coisa uma sinalização conjunta de ideias em torno da Reforma. Maia e Guedes exerceram no encontro a condição de maestros da pacificação. Por mais que opositores e críticos do Governo tentem desmerecer o escopo do projeto, a dupla de seus defensores tem acertado não apenas no diagnóstico da crise como na receita para saná-la. Tal qual padarias mal administradas, o Tesouro Nacional mergulhou há muito tempo no vermelho e já teria ido à falência se estivesse no ramo comercial – principalmente devido aos desembolsos descomunais que realiza para arcar com a Previdência, na casa dos R$ 720 bilhões ao ano. Os arautos da reforma estão juntos conversando com os interlocutores para demonstrar por A mais B que o único jeito de consertar a situação e evitar o desfecho trágico passa por uma reformulação completa do sistema de gastos sob essa rubrica. “Tenho a minha absoluta tranquilidade, fora dos ruídos aqui e ali, quanto à dinâmica maior dos eventos. Para mim é claro que a continuar nessa marcha estaremos indo para a desordem da forma mais organizada que já vi”, alertou Guedes ainda na sexta-feira 05 a uma plateia de atentos ouvintes. “As pessoas estão irritadas e ansiosas porque vivemos uma crise há quase cinco anos e precisamos da reforma para mudar esse estado de coisas”, reforçou Maia. Os dois estão pedindo ao Congresso celeridade. Essa é uma providência habitualmente perseguida pelos governantes, mas a missão de cobrá-la e negociá-la foi tão mal recebida pelo mandatário que ambos decidiram tomar a frente do processo. Diga-se de passagem que os brasileiros acompanham desde o início, com certa sofreguidão, o desenrolar dos acordos. Em um primeiro momento majoritariamente contra a perda de benefícios perceberam que seriam os principais prejudicados, ou no mínimo seus filhos, pela falta de uma solução estrutural. A história revelou que, a rigor, a curva de contribuintes e de beneficiários se inverteu dramaticamente com o avanço da população idosa – fenômeno que, por aqui, assumiu contornos de calamidade na equação. O resultado a que se chegou, com risco de calote generalizado dos pagamentos em até três ou quatro anos, pode ter contribuído para a mudança dos humores da população a favor de um ajuste. Pesquisa da XP Investimentos divulgada recentemente mostrou que 65% dos entrevistados se colocam agora a favor da reforma. O aval serviu de senha para que o ministro Guedes tomasse novo fôlego após o bombardeio de ataques que sofreu da bancada do atraso na Câmara. Ah, as contradições da democracia! Se há 15 dias Guedes perdeu a paciência com um auditório dominado por arrivistas que o exauriram em seis horas de depoimento, nas apresentações de Campos, logo após, ele teve que seguidamente interromper as mesmas explicações em virtude dos aplausos de convertidos, inebriados com a clareza dos argumentos. Dois públicos, duas reações absolutamente distintas. A soma das sessões lhe dá ainda assim um quórum altamente favorável à cruzada que empreende. De Posto Ypiranga a “tchutchuca”, Tigrão ou czar da economia, Guedes conheceu todos os mimosos epítetos com que o brindaram na trajetória de andarilho atrás de votos pela Previdência, mas segue indiferente, talvez porque costuma colocar a causa acima dos contratempos. Disse isso em Campos: “vou me irritar com o que? Tem uma minoria que fica batendo bumbo, problema deles.
“As pessoas estão ansiosas e irritadas porque vivemos uma crise há quase cinco anos e precisamos da reforma para mudar esse estado de coisas” Rodrigo Maia, presidente da Câmara
A minha expectativa da classe política é a melhor possível, a construtividade do Maia, do Doria e de muitos outros reforça a minha convicção de não recuar. Sem recuo e sem rendição”, estabeleceu o ministro. Seu companheiro de batalha, Rodrigo Maia, que compartilha da mesma fama de pavio curto, sempre com uma resposta na ponta da língua, tem um pé cautelosamente atrás e o outro lado a lado com o de Guedes. “Perdi a condição de cumprir um papel de articulador porque fui mal compreendido, mas se a gente quer reformar o Estado precisamos agora de um pacto onde a Previdência é o primeiro item”, afirma. Maia tem surpreendido positivamente como um autêntico embaixador da reforma no Congresso. Até Guedes reconhece isso. Com seu estilo carrancudo, parrudo, mas competente em todos os sentidos, o presidente da Câmara virou o fiador do projeto, mesmo que o presidente Bolsonaro inicialmente não o tenha enxergado assim. Já no segundo mandato, com assento cativo no comando da Câmara pelos próximos dois anos, não há mais dúvidas de que ele participará das decisões-chaves do que mudar e do que manter na estrutura da proposta (leia quadro) e, aos interlocutores, Maia vem enviando sinais de que não se furtará da missão de harmonizar a Casa, buscando uma solução que elimine os privilégios em qualquer direção: dos servidores públicos aos militares. É aí que a coisa pode pegar. No Executivo se coloca como assunto fechado o tratamento diferenciado para a caserna, com um regime especial de Previdência.
“A gente pode enveredar já pelo caminho certo da reforma porque a convicção de sua importância nunca foi tão acentuada” André Esteves, presidente do BTG Pactual
O Congresso discorda e Maia precisará atuar como apaziguador. Guedes, de sua parte, tem um tom mais incisivo sobre o assunto. Disse na Comissão de Constituição e Justiça, dias antes, que cabe aos parlamentares a coragem de mudar ou não o modelo sugerido para os aposentados de farda. No íntimo ele torce pela revisão para reforçar as chances da economia na casa do trilhão. Sempre preciso na exposição dos motivos, Guedes não arreda pé do ouvido do presidente e atende quando pode demandas como a dos militares. Nesse pormenor, no entanto, ele foi menos enfático – talvez por não estar plenamente a favor – e assim deixou de transmitir explicações convincentes na defesa da categoria. O mesmo não aconteceu quando o item abordado foi o esquema de “capitalização” para as gerações futuras que entrarão daqui por diante no sistema. Com essa via Guedes advoga que serão criados milhares de empregos rápidos em virtude da “desoneração dramática” (expressão dele) dos encargos trabalhistas. Bolsonaro mostra resistência, parlamentares idem, governadores como Doria e Eduardo Leite (RS) apoiam e Guedes se equilibra insistindo na alternativa. De todo modo, o ministro tem se consagrado como referência quando se fala do lado bom do Governo.
Com o seu estilo surpreendente, brilhante e obstinado virou o estrategista-chefe do acordo em andamento. E ainda bem que está sendo bem-sucedido na empreitada. Desenho estatístico de um País que caminha a fortes solavancos, os índices de aposentadoria por aqui dizem respeito a uma velha tragédia nacional – a de não se preparar para o envelhecimento da população. As estatísticas indicam que ocorreu em curtíssimo espaço de tempo aquilo que muitas pessoas temiam: o risco da insolvência do sistema, que se tornou inviável há alguns anos e que agora consome boa parte do orçamento federal. Como pontua Guedes, devido aos estouros bilionários desse modelo os brasileiros ficaram literalmente atolados. “Carimbamos os recursos, vinculamos os gastos e assim reconstruímos uma Europa por ano para ficar no mesmo lugar. R$ 4 trilhões de receita equivale a um Plano Marshall por ano”. O economista se refere ao valor do PIB e o compara ao plano de ajuda financeira das nações destruídas pela II Grande Guerra. Os desembolsos realizados atualmente sangram quase três quartos das receitas públicas disponíveis. Em bom português: não sobra nada, ou quase nada, para o resto. Com uma escalada vertiginosa e ininterrupta do problema. Em sua infelicidade burocrática, o Brasil está enredado numa armadilha da qual precisa se livrar urgentemente.
Os empresários que desembarcaram em peso no foro estão unanimemente convencidos de que não há outra saída que não a da reforma já. “quantas vezes vimos essa discussão ser colocada à mesa e adiada por falta de disposição política? Agora o quadro parece diferente”, disse o presidente da MAN, líder na produção de caminhões no Brasil, Roberto Cortes. “O que temos de notar é que há no momento uma vontade geral na busca por convergência sobre a questão”, endossou o presidente da gigante nacional do aço CSN, Benjamin Steinbruch. “A Reforma garante a solvência do estado brasileiro no futuro, sem isso entramos numa sociedade à beira da falência”, pontuou Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco.

Vozes em Uníssono

Nessa ala que responde pela produção e, na prática, é quem faz a roda girar para os resultados auspiciosos do Produto Interno Bruto, não foram poucas, nem isoladas, as vozes pedindo a solução urgente. Engrossaram o coro personagens como Michael Klein, que construiu a rede varejista Casas Bahia e no momento dedica-se ao setor de aviação, José Luiz Gandini, da Kia Motors e dirigente da associação de importadores de veículos, Claudio Lottenberg, que preside a líder de planos de saúde Amil e Manfredo Rübens, presidente da gigante química Basf. Ali, naqueles dias de agitação sectária que tomou a aprazível cidadezinha de Campos, com ares de recanto europeu, eram ao menos 700 CEOs, financistas e executivos de grandes conglomerados batendo ponto e empenhando aval na composição da Previdência. “Potencialmente, pelo que tratamos aqui, a gente pode enveredar já pelo caminho certo da reforma porque a convicção de sua importância nunca foi tão acentuada”, convocou o fundador e presidente do conselho do BTG Pactual, André Esteves. O Chairman do LIDE, Luiz Fernando Furlan, definiu em uma parábola o que considera como uma fase de transição: “Se queremos pular para um novo Brasil, esse é o caminho”. Do contrário, como pontua o governador Doria, qualquer impulso de retomada estará comprometido. “Sem a reforma, estados, municípios e o próprio Governo Federal entrarão em um caos, com a falta de recursos para o pagamento de serviços básicos de saúde, educação e segurança entre outros”. É melhor não arriscar.

“A Reforma garante a solvência do estado no futuro. Sem isso, entramos numa sociedade à beira da falência” Luiz Carlos Trabuco, Bradesco

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