28/05/2018

Volatilidade externa e economia em ritmo lento afetam mercado de capitais

 a expectativa em relação à mudança da política monetária nos estados unidos aumentou a seletividade dos investidores em relação aos seus investimentos, sobretudo nos mercados emergentes. somado a isso, a recuperação da economia brasileira em ritmo muito mais lento do que o esperado e o cenário eleitoral incerto também contribuem para a maior cautela na escolha dos ativos pelo investidor. os efeitos desse cenário já são vistos no mercado de capitais brasileiro. neste ano, das emissões de ações no "pipeline" (jargão do mercado financeiro para negócios em fase de preparação), algumas não tiveram sucesso, evidenciando a seletividade dos investidores. entre elas, blau farmacêutica, ri happy e grupo dass. outras desistiram ao sondar o mercado, como jhsf malls e centauro, por exemplo. em relação a emissões externas, a light e a usina coruripe aguardam momento mais propício para emitirem. a disparada do dólar no mundo e a alta de juros nos estados unidos já estão criando ambiente "menos amigável" aos emergentes, mas os investidores vão seguir buscando boas oportunidades de retorno, embora possam exigir maiores prêmios, por conta do maior risco cambial nos emergentes, avalia o instituto internacional de finanças (iif), formado pelos 500 maiores bancos do mundo. "agora, o mercado está 10 vezes mais seletivo. os investidores não vão comprar qualquer 'case', mas de empresas com fundamento, que tenham base de crescimento, do setor", diz o vice-presidente executivo do itaú bba, alberto fernandes. segundo ele, uma possível mudança da política monetária nos estados unidos tem afetado todos os emergentes e desviado a atenção dos investidores. o aumento do nervosismo dos mercados começou nas últimas semanas, com a elevação da aposta de que a alta de juros nos eua pode ter um ritmo maior do que previsto inicialmente. com isso, o dólar vem se valorizando em relação a outras moedas e criando um ambiente menos favorável para a entrada de fluxo de capital nos emergentes. a mudança do cenário no exterior está fazendo os investidores a fazerem um rebalanceamento de suas carteiras, ressalta o economista-chefe da gestora western asset, adauto lima. a elevação de juros nos estados unidos aumenta a atratividade dos títulos daquele país, muito mais seguros. nos emergentes, brasil e méxico passarão por eleições muito disputadas que ajudam a elevar o quadro de incerteza. nesse ambiente, o apetite dos estrangeiros em relação aos ativos brasileiros segue firme, mas a seletividade dá o tom, destaca renato ejnisman, diretor executivo do bradesco. "não será qualquer nome que irá a mercado e não a qualquer preço", diz o executivo. "a empresa que passar por essa 'régua' vai encontrar demanda", afirma. por conta da atual volatilidade da moeda, ejnisman pondera que algumas ofertas podem demorar pouco mais para ir ao mercado. mesmo com esse cenário e pelo ano eleitoral, a atividade dos bancos de investimentos segue aquecida, comenta o responsável pelo banco de investimento do bank of america merrill lynch, hans lin. "o nível está bom para um ano de eleição. o que está afetando neste momento são fatores externos e ainda uma recuperação da economia brasileira mais lenta do que o esperado", afirma. as eleições locais devem começar a ganhar a cena a partir do fim de julho, afirma lin. segundo ele, a expectativa é de uma janela aberta para emissão de ações em julho e já há, inclusive, uma fila de cerca de seis empresas se preparando para estrearem no mercado, segundo apurou o broadcast, serviço de notícias em tempo real do grupo estado. apesar do cenário menos favorável, as empresas brasileiras tiveram sucesso ao longo dos últimos meses para acessarem o mercado. as grandes companhias, por exemplo, conseguiram aproveitar e trocar dívida cara por mais barata acessando o mercado externo, lembra o responsável pelo banco de investimento do morgan stanley no brasil, alessandro zema. "as grandes empresas não estão com a corda no pescoço e têm o luxo de poder esperar (uma normalização). a fase de necessidade já passou", afirma o executivo. já aquelas que ainda precisam realizar o "liability management" (gestão de ativos e passivos da empresa) poderão esperar para realizar em um melhor momento. apesar do impacto ser mais imediato nas captações externas, o mesmo movimento é observado no mercado de renda variável. "o apetite externo é muito seletivo e não serão todas as histórias que virão a mercado que funcionarão, mas o sucesso das últimas três emissões do mercado de ações (notredame, hapvida e banco inter) mostrou claramente que o mercado está disposto a realizar investimentos", salienta zema.   jornal do comércio (http://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/2018/05/economia/629867-volatilidade-externa-e-economia-em-ritmo-lento-afetam-mercado-de-capitais.html)
28/05/2018

Petrobras reduz preço da gasolina em 2,84% e diesel permanece com mesmo valor

 a petrobras anunciou que, com o reajuste que entrará em vigor na terça-feira (29), o preço médio do litro da gasolina a sem tributo nas refinarias será de r$ 1,9526, com queda de 2,84% em relação à média atual de r$ 2,0096. já o preço médio nacional do litro do diesel a permanece em r$ 2,1016. para tentar pôr fim à greve, o presidente michel temer cedeu e reduziu em r$ 0,46 o valor do diesel, com corte em tributos como a cide e o pis/cofins. foi garantido também o congelamento do preço do diesel por 60 dias. depois disso, o reajuste será mensal, de 30 em 30 dias. o governo publicou, em edição extra do diário oficial da união, as três medidas provisórias (mps) para atender a novos pedidos dos caminhoneiros.   jornal do comércio (http://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/2018/05/economia/629829-petrobras-reduz-preco-da-gasolina-em-2-84-e-diesel-permanece-com-mesmo-valor.html)
23/05/2018

41% dos poupadores sacaram parte de suas reservas em março, revela indicador do SPC Brasil e CNDL

 falta de conhecimento sobre outras formas de investir é principal razão para quem deixa dinheiro guardado na poupança, conta corrente ou na própria casa. apenas 20% dos brasileiros conseguiram poupar em março. quantia foi de r$ 491, em média. o indicador de reserva financeira apurado pelo serviço de proteção ao crédito (spc brasil) e pela confederação nacional de dirigentes lojistas (cndl) revela que parte dos consumidores está tendo que recorrer às suas reservas financeiras para lidar com imprevistos, entre outras situações. em cada dez poupadores, quatro (41%) sacaram ao menos parte dos recursos que possuem guardados no último mês de março. a maior parte recorreu a esse dinheiro para lidar com alguma situação emergencial, citada por 12% das pessoas ouvidas. outros 9% utilizaram parte da reserva porque os rendimentos que possuem não foram suficientes para cobrir as despesas e demais compromissos. os que fizeram saques para adquirir algum bem também somam 9% da amostra. “a grande vantagem de ser um poupador é poder contar com uma reserva para situações inesperadas. isso traz mais segurança e previsibilidade no dia a dia do consumidor, que não precisará recorrer a empréstimos para superar um momento de dificuldade financeira”, explica a economista-chefe do spc brasil, marcela kawauti. 73% dos brasileiros não puderam guardar dinheiro em março; baixa renda e imprevisto são principais motivos de modo geral, o indicador revela que mesmo com a tímida melhora recente do cenário econômico, o hábito de poupar continua pouco frequente entre os consumidores brasileiros, o que indica que a crise econômica não é o principal motivo desse comportamento. no último mês de março, apenas 20% dos brasileiros conseguiram concluir com sobras no orçamento para investir. e a quantia média foi de r$ 491,06. os que não guardarem nenhum centavo de seus rendimentos formam 73% dos entrevistados, dado ligeiramente maior que o observado em março do ano passado, quando estava em 76%. questionados sobre o hábito de poupar, e não somente sobre a poupança no último mês, quase um terço dos consumidores sondados (32%) disse possuir esse costume, sendo que 10% estipulam um valor fixo a ser poupado e 22% guardam apenas o que sobra do orçamento. os que não possuem o hábito de poupar formam 60% dos consumidores. entre aqueles que não pouparam em março, a baixa renda é a razão mais mencionada, com 44% de citações. isso faz com que a taxa de poupadores das classes c, d e e seja ainda menor do que a média total, de apenas 15% dos entrevistados (contra 37% dos brasileiros de mais alta renda). outras razões também dadas como justificativas para não pouparem são os imprevistos (19%), não possuírem renda no momento (14%) e o descontrole financeiro (9%). “o fato de tantas pessoas citarem imprevistos por não conseguirem encerrar o mês com dinheiro sobrando no salário apenas reforça a ideia de que é preciso contar com um dinheiro aplicado, já que acontecimentos de emergência podem acontecer e, nem sempre, é possível cobri-los apenas com a renda. outra situação preocupante é que as pessoas deixam de poupar porque não são controladas o suficiente no manejo do dinheiro. a disciplina é fundamental para formarmos cidadãos equilibrados financeiramente”, alerta o educador financeiro do portal ‘meu bolso feliz’, josé vignoli. 52% dos poupadores mantém reserva para situações de emergência e seis em cada dez recorrem à caderneta de poupança entre aqueles que costumam poupar, novamente o imprevisto é a razão mais citada para se ter esse tipo de precaução. mais da metade (51%) dos entrevistados citaram essa opção ao serem questionados. quase um terço (32%) guardam dinheiro para garantir um futuro melhor a família, enquanto 27% querem estar preparados para uma situação de desemprego e 19% almejam realizar alguma viagem. o levantamento demonstra que os brasileiros que guardam dinheiro, contudo, precisam melhorar quando o assunto é onde eles aplicam esse dinheiro que sobra no orçamento. a caderneta de poupança continua como o principal destino das reservas financeiras dos consumidores, com 63% de citações. em seguida aparecem aqueles que guardam o dinheiro em casa (25%) ou na conta corrente (21%), alternativas arriscadas do ponto de vista da segurança ou que deixam de gerar rendimento a partir de juros. as modalidades mais sofisticadas e que podem proporcionar melhores retornos foram citadas por uma pequena parcela desses consumidores. os fundos de investimento, por exemplo, foram citados por 11% e a previdência privada, por 7%. em seguida, apareceram o tesouro direto (4%), os cdbs (4%) as lcis e lcas (2%) e o dólar (2%). para os poupadores que fazem as opções mais conservadoras de manter em casa, na conta corrente ou mesmo na poupança, a principal razão foi a preferência por ter o dinheiro a disposição em um lugar fácil de retirar (29%), além da falta de conhecimento para fazer outros tipos de investimentos (28%). “é preciso aprimorar os hábitos dos poupadores para que eles busquem alternativas mais rentáveis, pois aplicar o dinheiro com inteligência é fundamental para atingir objetivos financeiros no futuro. para cada tipo de meta, existem diferentes aplicações. se a preocupação do consumido for a liquidez, ou seja, poder sacar a qualquer momento, o dinheiro pode ser depositado em uma conta poupança. o tesouro direto selic, por exemplo, também pode ser uma alternativa mais rentável para o curto prazo. mas quando se fala no médio e longo prazo, a diversificação é essencial. deixar uma reserva parada na conta corrente ou em casa não é uma atitude saudável”, afirma vignoli. metodologia o indicador abrange 12 capitais das cinco regiões brasileiras: são paulo, rio de janeiro, belo horizonte, porto alegre, curitiba, recife, salvador, fortaleza, brasília, goiânia, manaus e belém. juntas, essas cidades somam aproximadamente 80% da população residente nas capitais. a amostra, de 800 casos, foi composta por pessoas com idade superior ou igual a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. a margem de erro é de 3,5 pontos percentuais a uma margem de confiança de 95%. baixe a íntegra do indicador em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas/indices-economicos. fonte: portal nacional de seguros por andrea giardino
23/05/2018

A hora do crédito com duplicatas

 será votado na próxima semana na câmara dos deputados o projeto de lei 9.327/17, que dispõe sobre a emissão de duplicata sob a forma escritural, conhecida como duplicata eletrônica, e agiliza o processo de cobrança em caso de inadimplência do título. o projeto de lei faz parte de uma série de iniciativas relacionadas a esse mercado que visam a criar um ambiente de negócios favorável com maior oferta de crédito e menores custos. o primeiro passo foi dado pela associação comercial de são paulo, preocupada com o ambiente de crédito para o pequeno e o médio empresário, lançou a ideia da criação da duplicata escritural em novembro de 2016, concretizada através de uma efetiva prestação de serviços que dota o processo de crédito com duplicatas de mais transparência, aproximando empresa e o mercado financeiro. logo em seguida, o assunto se tornou agenda nacional, quando o ministério da fazenda incluiu a duplicata eletrônica entre as medidas microeconômicas necessárias para retomada do crescimento do país. em fevereiro de 2017, o tema também passou a integrar a agenda bc+, uma agenda de trabalho que visa a revisar questões estruturais do banco central e do sistema financeiro nacional, entre elas, a melhoria do ambiente creditício nacional . a resolução bacen 4.593/17, que dispõe sobre o registro e o depósito centralizado de ativos financeiros e valores mobiliários, por exemplo, define a duplicata como ativo financeiro, entre outras disposições. em 2017, foi promulgada ainda a lei 13.476 que dispõe sobre a constituição de gravames e ônus sobre ativos financeiros e valores mobiliários e também confere à entidade registradora autorizada a funcionar pelo banco central a competência de constituir ônus e gravames sobre ativos financeiros com eficácia contra terceiros. o próximo passo na construção do ambiente de negócios favorável é o projeto de lei 9.327/17, ora em tramitação no congresso. o projeto é mais do que necessário, principalmente quando se coloca em perspectiva as dimensões e o dinamismo do mercado de crédito com duplicatas e que tem ainda expressivo potencial de crescimento se ganhar mais eficiência na sua forma de operar. a produção de crédito que envolve duplicatas deu um salto no ano passado, somando r$ 825 bilhões, 38% maior em comparação a r$ 599 bilhões em 2016. além disso, prevê-se que o volume total concedido cresça para r$ 866 bilhões em 2018 e que continue evoluindo até pelo menos o ano de 2022, quando deverá ficar próximo de r$ 1 trilhão. além do volume em alta, a participação das duplicatas no total de crédito direcionado a pessoas jurídicas já supera 40%. os dados são de levantamento da crdc (central de registro de direitos creditórios), que contempla também a movimentação dos segmentos de fundos de investimento em direitos creditórios (fidcs) e de fomento mercantil, também chamado de fomento comercial ou factoring, além dos dados do sistema financeiro nacional, divulgados pelo banco central. em um mercado dessa relevância econômica e com esse potencial de crescimento, eficiência é palavra chave. e muito pode ser feito nesse sentido: é necessário que as duplicatas, importante instrumento de crédito, sobretudo das empresas menores, ganhem credibilidade, oferecendo segurança às partes envolvidas no processo . a tão almejada eficiência no crédito com duplicatas será alcançada com a combinação de três ações fundamentais que as levarão do patamar atual de instrumento de crédito ultrapassado e desacreditado ao de instrumento de crédito moderno e confiável: mais transparência nas transações, a chamada redução da assimetria de informação, processos padronizados aplicáveis a 100% das transações e atualização legal. como mencionado, o governo tem se empenhado na atualização do arcabouço legal relacionado e a crdc, ao longo dos seus mais de dois anos de operação, tem contribuído de forma crescente para a transparência na relação entre empresas e o mercado de crédito, bem como para a digitalização dos processos de concessão de crédito, permitindo ao agente financeiro efetivamente considerar a duplicata na avaliação do crédito da empresa. a experiência adquirida com a atuação nesse mercado, processando mais de 2 milhões de duplicatas todo o mês, leva a crdc a concluir que a transparência promoverá também a redução da necessidade de colaterais em financiamento de capital de giro, o que será muito importante para aliviar o dia a dia das empresas, com mais agilidade e menos garantias, o que permitirá também reduzir o custo desses empréstimos. dessa forma, criam-se condições para melhorar o ambiente de negócios, atendendo a demanda crescente das empresas de vários portes e, ao mesmo tempo, dotando as instituições financeiras de informações cada vez mais claras e precisas para “precificação” dessas operações. inicia-se, portanto, um círculo virtuoso em que, com informação disponibilizada em tempo real e simplicidade dos sistemas, todas as partes saem ganhando – inclusive a economia de maneira geral -, já que empresas com acesso a crédito de capital de giro certamente têm mais condições de girar o seu negócio e, assim, colaborar para o crescimento sustentável da economia. fonte: portal nacional de seguros por tatiana piva
23/05/2018

Benefícios sucessórios dos planos de previdência privada

 muitos acreditam que falar em planejamento sucessório é levantar de alguma forma o assunto sobre sua morte, o que, na maioria das vezes, causa mal-estar. todos partiremos, e, de maneira inesperada ou não, deixaremos para trás familiares que, diante da surpresa de que, por não terem se planejado, terão como consequência o desarranjo familiar ou até mesmo o comprometimento dos negócios da família. nestes casos, o planejamento sucessório sempre é a melhor solução, pois é o que trará segurança de forma mais econômica e com menos conflitos para dispor do patrimônio em vida. importante lembrar, não importa o tamanho do patrimônio constituído! uma das opções disponíveis para o planejamento sucessório são os planos de previdência privada. os recursos são transferidos para esse fundo e nele poderão ser indicados beneficiários que, após a morte do titular do plano, terão acesso ao capital acumulado. nesta opção está dispensada a existência de um inventário para levantamento dos valores. os beneficiários poderão receber o montante de uma única vez ou em forma de renda mensal temporária. dentre as vantagens em optar por esses planos estão: o fato de o volume investido/acumulado não entrar em inventário, a burocracia ser significativamente reduzida em termos de liberação do montante, podendo, em alguns casos, apenas apresentar o atestado de morte e a tributação diferenciada. com algumas mudanças na legislação em dezembro de 2015, alguns estados passaram a cobrar o imposto de transmissão causa mortis e doação (itcmd) sobre os saldos desses planos. esta tributação seria inconstitucional sobre vários pontos de vista e, portanto, questionável na justiça. a alíquota poderá chegar a até 8%. aqueles planejamentos que foram construídos no início da vida necessitam ser revisados, periodicamente, para que se adequem aos diferentes cenários com o passar dos anos. não existe uma idade padrão para iniciar o planejamento. nunca será cedo demais ou tarde demais para iniciá-lo. fica claro que, além da importância em constituir um patrimônio sólido, o grande objetivo é conseguir preservá-lo por gerações. fonte: vivian brito hernandes é administradora de empresas e gerente do escritório atique & mello advogados
23/05/2018

Crescimento puxado pelo investimento

  retomada da economia | para ana carla abrão, aumentar a produtividade do brasil significa promover a reforma da máquina pública e melhorar a eficiência na gestão de pessoas para aumentar a produtividade do país, a economista ana carla abrão tem defendido a reforma da máquina pública, com mais eficiência na gestão de pessoas e otimização do orçamento público. segundo ela, o país atravessou uma das maiores recessões e precisa retomar o crescimento, que deve vir de investimentos e não apenas do aumento do consumo.  enquanto secretária de estado da fazenda de goiás (2015-2017), ana carla promoveu o maior ajuste fiscal entre os entes subnacionais, transformando o déficit primário de r$ 650 milhões, em 2014, para superávit de r$ 1 bilhão, em 2016. para as contas do brasil, ela aponta a mesma linha de tratamento: ajuste no orçamento e reformas, entre elas, a da previdência.  “a previdência hoje transfere renda dos mais pobres para os mais ricos. como sociedade, vamos manter essa situação de injustiça? vamos manter um sistema que transfere renda para os mais ricos num país em que a desigualdade de renda é absurda? esse é o debate que tem de ser feito”, avalia.  em fortaleza, ana carla concedeu entrevista exclusiva ao o povo por ocasião da palestra que realizou no fórum “ceará em debate”, no auditório do instituto de pesquisa e estratégia econômica do ceará (ipece), em parceria com a secretaria do planejamento e gestão (seplag).   o povo - é preciso reinventar a máquina pública. de que forma?  ana carla abrão - definitivamente. a gente teve reformas importantes nos últimos anos, conseguiu avançar em muitos aspectos, mas estou absolutamente convencida de que a reforma da máquina pública é o caminho para a melhoria nos serviços públicos, mais valorização do servidor público, e também equilíbrio fiscal. são três aspectos fundamentais que só conseguiremos com uma alteração no modelo atual de gestão pública, do sistema administrativo em si. quando a gente fala de reforma da máquina pública, é trazer o conceito de gestão de pessoas para dentro do setor público. qualquer resultado ou objetivo que se busque é construído pelas pessoas. é por isso que acredito que o modelo precisa ser revisto para garantir que as pessoas dentro do serviço público estejam alinhadas com os resultados que a sociedade e o cidadão esperam, do ponto de vista de qualidade do serviço público, planejamento, gestão do orçamento e entrega para a sociedade daquilo que ela paga com impostos e, obviamente, quer receber de volta.   op - dentro dessa gestão de pessoas, quais seriam os pontos de mudança mais importantes? ana carla abrão - avaliação de performance, a gente sabe que isso foi adotado lá atrás, foi um resultado da reforma administrativa de 1998, mas que ao longo do tempo foi se perdendo. primeiro que foi adotado parcialmente, e hoje se percebe que esses processos têm tudo menos avaliação de fato de performance e não premiam a meritocracia, que é a origem desses modelos e sistemas. então, tem de pensar em avaliação de performance e gestão de consequências. ou seja, premiar o servidor público que cumpre as metas que são estabelecidas, que se esforça, que entrega resultados, do ponto de vista de qualidade dos serviços públicos. e também tem de pensar que o servidor que não trabalha, que comete faltas graves, tem de ser demitido. não faz sentido, hoje, a máquina carregar um servidor público que está trabalhando contra o interesse público.  posicionamento op - a senhora já foi interpretada como se posicionasse contra o servidor ao defender inclusive demissão? o que a senhora diz em relação a isso? ana carla abrão - esse é o ponto principal. muitas vezes, quando coloco o projeto que a gente está trabalhando de eficiência da máquina, de busca de melhoria da qualidade dos serviços públicos, sou interpretada como alguém que é contra o servidor público. é justamente o contrário. primeiro, quando se fala do ponto de vista fiscal, estou falando de uma linha de despesa que precisa ser racionalizada, porque está mostrando que a máquina está se consumindo nela própria. o objetivo da máquina tem sido a máquina. isso não faz nenhum sentido. segundo, o que temos de pensar é que hoje, além do cidadão, quem sofre com esse modelo é o próprio servidor, que tem baixa motivação, baixo reconhecimento e que não tem condições de trabalho ideais para prestar o seu serviço. e, por isso mesmo, é que essa racionalização tem de acontecer. não só para que o cidadão receba um serviço de melhor qualidade, mas para que o próprio servidor tenha condições de trabalho melhores e se sinta valorizado.  op - nessa perspectiva de otimizar a máquina pública, a senhora defende a privatização em qual sentido? o que deveria ficar sob a gestão do estado e o que pode ser mais bem gerido pela iniciativa privada? ana carla abrão - eu coloco a coisa de forma um pouco diferente. o que a gente precisa é mudar o eixo da discussão da máquina pública, do setor público, de maneira geral, para o cidadão. é ele quem tem de receber o serviço de melhor qualidade, em particular o cidadão de baixa renda, que depende do estado para ter acesso à educação, saúde, segurança, a uma rede de proteção social. a privatização é uma consequência. os recursos são escassos, têm que ser geridos de forma eficiente e a gente não consegue fazer tudo. o estado não necessariamente faz as coisas da melhor maneira possível, principalmente quando a gente vai para o campo mais empresarial. então, na medida em que a gente tem esse foco, que é o cidadão, tem como objetivo um serviço público de qualidade, se ele é provido pelo setor público ou pelo privado isso é consequência de uma gestão eficiente. quem vai prestar esse serviço melhor, de forma mais eficiente, com melhor qualidade e com menor custo é o setor privado? então, é ele que tem de gerir e prestar esse serviço, mesmo que seja um serviço público. educação é um exemplo. tem modelos de educação pública gratuita que são providos pelo setor privado. temos de estar abertos e é uma consequência de buscar eficiência na máquina pública.   reformas op – dentro desse contexto de eficiência, qual a importância das reformas? a da previdência, por exemplo, estacionou. a reforma trabalhista está ajudando a economia? ana carla abrão - com certeza. a gente teve reformas importantes como a trabalhista, o teto de gastos que deu um limite ao crescimento dos gastos públicos. a da previdência é uma necessidade, é fundamental. do ponto de vista fiscal, você pode dizer que não existe déficit, não querer enfrentar o problema. é uma escolha que a sociedade fará e que nós veremos, daqui a 15 ou 20 anos, se o déficit existiu, se é um problema ou não. é essa escolha que a gente quer fazer? mas, acima de tudo, é uma reforma que além dos aspectos fiscais, tem o aspecto de justiça social. a previdência hoje transfere renda dos mais pobres para os mais ricos. como sociedade, vamos manter essa situação de injustiça? vamos manter um sistema que transfere renda para os mais ricos num país em que a desigualdade de renda é absurda? esse é o debate que tem de ser feito. como que nós, como sociedade, vamos lidar com a questão da previdência independentemente da questão fiscal? acho que esse é um questionamento que só pode nos indicar no caminho de uma reforma da previdência.  op – nessas discussões, as esferas política e econômica se confundem. como avalia essa relação? ana carla abrão - a dimensão política é muito o reflexo de como a sociedade se coloca, como se posiciona. uma dimensão na crise, que nós vivemos, gera um amadurecimento muito grande da sociedade. um país com cerca de 12 milhões de desempregados não tem como fugir de um debate sobre qual é o futuro que nos espera. estou convencida de que, mesmo do ponto de vista das dificuldades políticas de aprovar reformas, que são mais duras, a sociedade vai apoiar uma agenda reformista de uma forma como não apoiou em 2014. a crise tem esse lado positivo, se existe algum é esse, de gerar nas pessoas um amadurecimento e uma abertura para o debate para que a gente entenda onde estão as escolhas e para que lado de fato a gente vai se mover. op – como a senhora avalia a situação fiscal do ceará frente a dos outros estados do país? ana carla abrão - realmente o ceará tem sido há muito tempo um exemplo para o brasil em várias dimensões. claro que a vitrine maior tem sido a educação. a gente sabe que é um exemplo do ponto de vista de situação fiscal. vejo que continua avançando na frente, eu diria até, de todos os estados da federação quando discute orçamento, planejamento, evolução da força de trabalho. conceitos que a gente não vê com essa propriedade, naturalidade em outros estados. o estado do ceará é hoje não só um modelo nas dimensões que a gente conhece lá fora como, para mim, foi surpreendente positivamente ver que está se discutindo a avaliação de projetos, de impactos. é uma agenda que todo mundo fala, mas ninguém faz. o brasil não avalia políticas públicas. ao longo dessa manhã (da palestra no ipece) confirmei tudo aquilo que a gente ouve falar do ceará e me surpreendi positivamente com uma agenda que está muito à frente em gestão pública, que está se discutindo no resto do brasil.  op – além da educação, o produto interno bruto (pib) cearense também se destacou com quase o dobro de crescimento comparado ao do brasil no fechamento de 2017 e a prévia do pib já aponta que o ceará cresce acima da média nacional...  ana carla abrão - porque essas coisas todas estão interligadas. a gente pode achar que no curto prazo não se relacionam, mas a verdade é que a consistência de gestão pública, das políticas que o ceará vem realizando, só pode dar resultados positivos. essas coisas vão se acumulando no tempo e começa a colher resultados que vêm dessa consistência no cuidado com a gestão pública, com avaliação de resultados. a gente começa a ver que esses índices estão refletindo essa consistência toda.   op – sobre os modelos econômicos, alguns especialistas avaliam que o modelo baseado apenas no consumo estaria saturado. como a senhora avalia este cenário no país? ana carla abrão - quando a gente fala disso, tem a lembrança de um crescimento que caracterizou os últimos anos no brasil. mas o que a gente tem de pensar é que acabamos de vir da maior recessão que esse país já viveu. a retomada tem de vir por alguma dimensão, de algum lado. o importante é garantir que os investimentos também retornem. porque o que o país precisa, mais do que um crescimento puxado pelo consumo, é um crescimento puxado pelo investimento. e isso só se consegue via aumento de produtividade. por isso, essa agenda de produtividade no setor público é tão importante. se a gente de fato quer crescer, precisa ter aumento de produtividade e para isso precisa olhar para o setor público pela importância dele na economia brasileira. não tem como falar em aumento de produtividade e ignorar o setor público, que tem a sua produtividade estagnada há tanto tempo.     aprendizados op – com grande experiência na iniciativa privada, quais os maiores aprendizados que obteve na vida pública, a exemplo de quando foi secretária da fazenda em goiás? ana carla abrão - tive 20 anos de setor privado e dois anos de setor público, que valeram mais do ponto de vista de aprendizado para mim do que é o brasil, do que precisa ser feito, qual é o nosso papel como cidadão, do que os 20 anos na vida privada. a experiência no setor público te dá tantas coisas positivas de ver quanta coisa boa está sendo feita, quanto avançou nos últimos anos, mas ao mesmo tempo também nos dá um sentimento de indignação muito grande. da mesma forma que a gente se indigna com corrupção, a gente devia se indignar com a forma como a gente trata o orçamento público, como escolhe e aloca os recursos públicos, e isso eu aprendi na vida pública. nesses dois anos foi muito surpreendente ver que tem um nível de ineficiência muito alto e que tem espaço para fazer muito melhor do que está sendo feito atualmente.  op – quais são os projetos e perspectivas da senhora para esse ano? a senhora tem uma consultoria e estreou uma coluna no estadão... ana carla abrão - temos um desafio muito grande na consultoria oliver, que é justamente montar essa prática de apoio ao setor público. a gente está com alguns projetos já implantados e em fase de execução. estou convencida que hoje, do meu ponto de profissional e pessoal, os projetos que têm impactos, de fato, são os que a gente consegue apoiar o setor público a fazer essa transformação da máquina, apoiar nos processos de privatização, de alocação eficiente dos recursos. a própria coluna no estadão acaba refletindo um pouco dessa agenda de busca pela eficiência, de transformação do setor público e toda a atuação da consultoria vai nessa linha. a coluna é semanal, sai às sextas-feiras no estadão e nesse início está muito focada em gestão pública. mais na frente, talvez, eu trate de temas vinculados ao mercado financeiro, que a consultoria também atua fortemente. mas nesse início estou focando em levantar a importância de discutir uma reforma do estado e o modelo de gestão pública que a gente tem hoje a entrevista  carro governamental a entrevista com ana carla abrão foi realizada dentro do carro do governo do estado. a economista estava indo almoçar com o governador, camilo santana, e o diretor do ipece, flávio ataliba.  reunião de manhã no dia em que ocorreu a palestra de ana carla abrão, no período da manhã, a economista teve reunião com maia júnior, titular da secretaria do planejamento e gestão (seplag). o encontro teve o objetivo de apresentar as práticas de gestão do governo e as políticas de avaliação em relação ao serviço público, além dos avanços nesse quesito.   perfil  a economista doutora em economia pela universidade de são paulo (usp), ana carla abrão costa é presidente do conselho fiscal do município de são paulo e sócia da consultoria norte-americana oliver wyman, desde maio de 2017. a empresa tem escritórios em mais de 50 cidades em 26 países, atuando em estratégia, operações e gerenciamento de riscos. foi também secretária de estado da fazenda de goiás (2015-2017), além de servidora concursada do banco central, economista-chefe da tendências consultoria e diretora na área de riscos do banco itaú.   fonte: o povo cristina fontenele repórter mauri melo fotógrafo
23/05/2018

Confiança de empresário recua pelo segundo mês consecutivo, diz CNI

 o índice de confiança do empresário industrial (icei) de maio teve uma queda de 1,2 ponto em relação a abril, ficando em 55,5 pontos. é o segundo recuo consecutivo do indicador. em abril, o icei estava em 56,7 pontos, o que representou um queda de 2,3 pontos ante março. os dados foram divulgados nesta segunda-feira (21) pela confederação nacional da indústria (cni). "as duas quedas consecutivas, de abril e maio, interrompem uma sequência de oito meses de crescimento, ou pelo menos estabilidade, do icei", cita o estudo. apesar da queda, o índice de maio mostra que empresários ainda seguem otimistas. o indicador varia de zero a cem pontos, e resultados acima de 50 pontos refletem confiança do empresariado. a confiança é maior nas grandes empresas, com 56,9 pontos. as médias vêm em segundo lugar, com 55,1 pontos, e as pequenas são as menos otimistas, com icei de 53 pontos em maio. o dado de maio, segundo o estudo, é resultado tanto do recuo da confiança diante das condições atuais dos negócios quanto das expectativas para os próximos seis meses em relação ao desempenho das empresas e da economia. o índice de condições atuais caiu para 50,1 pontos. o índice de expectativa recuou para 58,2 pontos, mas, como segue acima dos 50 pontos, indica manutenção da confiança dos industriais para os próximos seis meses. "esses resultados podem derivar de certa frustração dos empresários quanto à intensidade da recuperação econômica observada nos primeiros meses deste ano, que está aquém do esperado", avalia a cni. por setor, a indústria extrativa é a mais otimista (57,6 pontos), seguida da indústria de transformação (55,8 pontos) e, por último, da indústria da construção (53,8 pontos) a entidade explica que o icei ajuda a entender as tendências da indústria e da economia. empresários confiantes tendem a ampliar a produção e os investimentos, o que estimula o crescimento da economia. nesta edição do estudo, foram consultadas 2.673 empresas, das quais 1.065 pequenas, 1.000 médias e 608 de grande porte. as entrevistas ocorreram no período de 2 a 14 de maio.   jornal do comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2018/05/economia/628437-confianca-de-empresario-recua-pelo-segundo-mes-consecutivo-diz-cni.html)
23/05/2018

Ouro cai com dólar mais forte e amenização de tensões comerciais

 o contrato futuro de ouro encerrou o pregão desta segunda-feira (21) perto da estabilidade, mas deram prosseguimento às perdas registradas nos últimos dias, com o fortalecimento do dólar e com o arrefecimento das tensões comerciais entre estados unidos e china. na comex, divisão de metais da new york mercantile exchange (nymex), o ouro para entrega em junho fechou em queda de 0,03%, para us$ 1.290,90 por onça-troy. durante a manhã, os preços do ouro chegaram a apagar todos os ganhos registrados no ano, mas parte das perdas foram apagadas próximo ao horário de fechamento. alguns investidores usam o ouro para se proteger contra uma queda acentuada em outros mercados, enquanto o fortalecimento do dólar torna o metal mais caro para investidores que operam em outras divisas. no fim de semana, o secretário do tesouro dos eua, steven mnuchin, disse que washington estava "suspendendo a guerra comercial" com pequim, embora o principal representante comercial do governo americano, robert lighthizer, tenha assumido uma posição bastante diferente sobre se os eua seguirão com as tarifas sobre importações chinesas. as apostas de que os dois lados acabarão por chegar a um compromisso impulsionaram ainda mais o dólar, com o índice dxy no maior nível registrado neste ano, acima dos 93 pontos. recentemente, a divisa dos eua apresentou ganhos, com o impulso do crescimento voltando ao território americano e mais investidores apostando que o federal reserve (fed, o banco central americano) aumentará as taxas de juros mais três vezes neste ano, ao contrário de sua projeção anterior de três aumentos no total do ano. em março, o banco central subiu os juros em 0,25 ponto porcentual, para a faixa entre 1,50% e 1,75%. juros mais altos nos eua também são negativos para o ouro, que luta para competir com ativos mais rentáveis, como os treasuries, à medida que os custos dos empréstimos aumentam. "simplesmente achamos que o fed continuará no caminho atual, mas outros bancos centrais, onde o crescimento não está tão forte, não o acompanharão", disse o principal analista de metais preciosos do hsbc, james steel. para ele, "isso é um sinal negativo para o ouro". no entanto, steel acredita que a demanda física pelo metal aumentará após as quedas recentes nos preços dos contratos futuros.   jornal do comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2018/05/economia/628431-ouro-cai-com-dolar-mais-forte-e-amenizacao-de-tensoes-comerciais.html)  
23/05/2018

Corretores de seguros poderão comercializar produtos do nicho que deverá ser fiscalizado pela Susep

 inicialmente proposto pelo deputado lucas vergílio (sd-go) para criminalizar as cooperativas de proteção veicular, o projeto de lei 3139/15 agora abre espaço para a legalização do seguro mútuo no brasil. a comissão especial de seguros e previdência, da câmara dos deputados, aprovou o parecer do deputado vinicius carvalho (prb-sp), relator do projeto. o projeto de lei complementar será apreciado em três comissões permanentes antes de ser enviado ao plenário para votação definitiva. o texto equipara as cooperativas às seguradoras veiculares, mas a regulamentação será específica para o nicho. itens como região de atuação e tamanho da operadora serão levados em conta. o seguro mútuo, também será fiscalizado pela superintendência de seguros privados, a susep. outras normas como apresentação de contratos claros, com descrição detalhada dos planos e serviços oferecidos, especificação de áreas geográficas de atuação e cobertura, além de comprovação de viabilidade econômico-financeira serão exigidas das cooperativas, que terão 180 dias, após tramitação e sanção presidencial, para adaptar suas operações às novas regras. são mais de 5 milhões de motoristas que confiam em mais de 2 mil associações, segundo dados da federação nacional de associações de benefícios (fenaben). as medidas aprovadas por unanimidade pelos deputados da comissão especial ainda impedem que as cooperativas possam atuar em outros segmentos além do ramo automotivo. as empresas serão enquadradas no sistema financeiro nacional e também devem pagar impostos, assim como as companhias de seguros, e também poderão contratar resseguros a fim de garantir a prestação de serviços. o relatório prevê a atuação de corretores de seguros na comercialização de planos de seguro mútuo. esses profissionais não poderão ser acionistas ou sócios de instituições que atuem no sistema nacional de seguros e previdência (snsp). confira a íntegra da proposta original. confira a íntegra do parecer do relator vinicius carvalho (prb-sp). fonte: dci

O acordão da Previdência


12/04/2019

Como uma espécie de Davos à brasileira, o 18º Fórum do LIDE reuniu, de forma inédita, governadores, parlamentares, empresários e o Executivo para fecharem questão em torno de mudanças na aposentadoria, no maior pacto federativo já visto sobre o tema. Agora é possível que a Reforma saia de uma vez do papel

O ministro Paulo Guedes e o presidente da Câmara Rodrigo Maia tocam instrumentos diferentes na sinfonia do poder, mas nada impede que atuem na mesma orquestra quando a partitura interessa a todos. No caso, a tão decantada e ainda aguardada Reforma da Previdência. Semanas a fio, de uns tempos para cá, os dois estão compondo, afinados, a banda de articulações que tenta a aprovação da proposta, ainda no primeiro semestre se tudo correr bem. Marcam quase todos os dias conversas fechadas nos gabinetes do Parlamento e do ministério para acertar pontos ainda pendentes. Seguem juntos para conversas com as bancadas dos partidos e com públicos e plateias os mais variados. Tratam de ajustes pontuais no texto e no calhamaço de estatísticas para chegar ao número mágico pretendido de uma economia na casa de R$ 1 trilhão em dez anos.
E trocam elogios mútuos quando se referem à disposição do interlocutor para aceitar sugestões. Viraram, por assim dizer, verso e emenda do mesmo refrão. Na semana passada, os dois e mais o presidente do Senado David Alcolumbre – que também dá corda à cantilena da Reforma – além de portentos empresariais, ministros, congressistas e seis governadores se reuniram em um encontro tão representativo como inequívoco na demonstração de força e sintonia em torno do tema. Na 18º edição do Fórum Empresarial do LIDE, dessa vez realizado em Campos do Jordão, interior de São Paulo – com um formato e dinâmica que lembram em muito as conferências globais de Davos -, todos pareciam sinceramente ávidos por enfrentar o impossível para chegar lá (ou, pelo menos, o aparentemente impossível, dado que sai governo, entra governo, ninguém consegue emplacar a ideia) com uma espécie de bloco coeso de apoio, integrado por camadas de diversos setores comprometidos com a retomada econômica. Foi um ponto de inflexão importante nessa trajetória de idas e vindas daquela que é, de fato, a principal pauta lançada sobre as mesas de deputados e senadores neste ano. Até aqui não havia ocorrido ainda uma reunião tão ampla e diversificada de agentes envolvidos com a reforma. Na batuta da mobilização, o governador de São Paulo, João Doria, funcionou ali como uma espécie de intermediador de interesses, sem tomar lados, uma vez que o intuito geral era o de fechar a agenda comum pelo engajamento para ajudar no rito da aprovação. “Não há mais o que esperar, o Brasil precisa o quanto antes dessa reforma, o recado ficou claro e vamos trabalhar em conjunto por ela. Articulem-se, sejamos todos ativos nessa direção”, convocou Doria, que há quase duas décadas idealizou os fóruns anuais (ainda organizados pelo grupo que leva o seu nome e do qual se desligou desde que entrou para a política, deixando a direção a cargo de uma banca de profissionais). De uns tempos para cá, no comando da máquina paulista, Doria procurou ser uma espécie de fiador de entendimentos nesse sentido, se esforçando como poucos para reunir, inclusive na própria casa, vários dos personagens da complexa negociação. Foi assim na semana passada quando recepcionou o vice-presidente General Mourão e sugeriu alguns encontros entre ele e os governadores dos demais Estados para ouvir as necessidades de cada um, e ao receber também o presidente do Supremo Tribunal, Dias Toffoli, que reagiu entusiasmado ao convite: “estou há 10 anos no STF e nunca ninguém me chamou para uma conversa como essa e o senhor faz isso justo no momento mais decisivo do País”, disse ao anfitrião. No ponto alto das rodadas de tratativas que entabulou pela reforma, Doria resolveu falar a respeito tanto com o presidente Bolsonaro como com o deputado Maia para aparar arestas, tal qual um bombeiro que percebe a fumaça a tempo de controlar o incêndio. É um trabalho de diplomacia que vem fazendo a diferença. No Fórum de Campos, ele dobrou a aposta. Lá, de certa forma, estavam colocados inúmeros papeis estratégicos disponíveis a cada um dos participantes para o sarau de negociações. Para quem viu de fora foi possível alimentar razoável otimismo sobre a costura de saídas para o impasse previdenciário. Basta compreender a função dos protagonistas daqueles tête-à-tête e a dimensão de um encontro como o de Campos, quando esses senhores reservaram o final de semana para juntos debater e firmar denominadores comuns.
“Não há mais o que esperar. O Brasil precisa o quanto antes dessa reforma” João Doria, governador de São Paulo
Existiam diferenças? Claro. Incontornáveis? O desenrolar do evento acabou demonstrando que não. Lado a lado, sem intermediários, os participantes acabaram por fechar convergências em vários aspectos. E isso fez toda diferença na evolução dos ânimos quanto à entrega ao País de uma reforma verdadeiramente eficaz. O clima de hostilidade de outras ocasiões foi superado e análises consistentes sobre crise fiscal, reorientação de receitas e passos complementares na área das privatizações e do ajuste no Sistema “S” pontificaram sem maiores resistências. Os governadores, por exemplo, estão muitos deles em situações calamitosas de caixa. Não sabem como seguir um ano sequer a mais com o atual quadro de vinculações orçamentárias para a rubrica das pensões, bem mais salgadas no campo da atividade pública se comparadas às da iniciativa privada. Deram ali esse testemunho e reforçaram a carga de pressão sobre os representantes do Legislativo presentes. Prefeitos, deputados e senadores que foram ao Fórum, dentre os quais Antonio Carlos Magalhães Neto, de Salvador, e Nelson Marchezan, de Porto Alegre, repisaram o alerta da inanição dramática de verbas nas respectivas regiões para bancar o compromisso. Cada uma das vozes serviu de caixa de ressonância direta sobre os feitores da costura do projeto, dispostos de maneira genuína a escutar e ajustar excessos.
Ministros como o responsável pela pasta da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, trouxeram sua contribuição mostrando os esforços em andamento para a recomposição de receitas. Freitas listou um balanço de leilões que repassaram, dentre outras estruturas, inúmeros terminais portuários, ferroviários e aeroportos. No total, em 60 dias, 23 ativos mudaram de mãos, do Estado para a iniciativa privada, gerando resultados bilionários que vão ajudar no resgate da saúde financeira da União. Longe dali, até a ala militar, através dos generais Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança, e Eduardo Villas Bôas, ex-comandante-geral do Exército, saíram em busca de apoio para as mudanças nas aposentadorias e serviram de promotores do tema em convescote no final de semana com um grupo de governadores liderados por Ronaldo Caiado, de Goiás. Caiado esteve ainda no pelotão dos participantes do Fórum.

Um pacto federativo

Mas vamos nos ater aos principais protagonistas dessa espécie de pacto federativo que ocorreu durante as rodadas de Campos – e não se pode chamar de outra coisa uma sinalização conjunta de ideias em torno da Reforma. Maia e Guedes exerceram no encontro a condição de maestros da pacificação. Por mais que opositores e críticos do Governo tentem desmerecer o escopo do projeto, a dupla de seus defensores tem acertado não apenas no diagnóstico da crise como na receita para saná-la. Tal qual padarias mal administradas, o Tesouro Nacional mergulhou há muito tempo no vermelho e já teria ido à falência se estivesse no ramo comercial – principalmente devido aos desembolsos descomunais que realiza para arcar com a Previdência, na casa dos R$ 720 bilhões ao ano. Os arautos da reforma estão juntos conversando com os interlocutores para demonstrar por A mais B que o único jeito de consertar a situação e evitar o desfecho trágico passa por uma reformulação completa do sistema de gastos sob essa rubrica. “Tenho a minha absoluta tranquilidade, fora dos ruídos aqui e ali, quanto à dinâmica maior dos eventos. Para mim é claro que a continuar nessa marcha estaremos indo para a desordem da forma mais organizada que já vi”, alertou Guedes ainda na sexta-feira 05 a uma plateia de atentos ouvintes. “As pessoas estão irritadas e ansiosas porque vivemos uma crise há quase cinco anos e precisamos da reforma para mudar esse estado de coisas”, reforçou Maia. Os dois estão pedindo ao Congresso celeridade. Essa é uma providência habitualmente perseguida pelos governantes, mas a missão de cobrá-la e negociá-la foi tão mal recebida pelo mandatário que ambos decidiram tomar a frente do processo. Diga-se de passagem que os brasileiros acompanham desde o início, com certa sofreguidão, o desenrolar dos acordos. Em um primeiro momento majoritariamente contra a perda de benefícios perceberam que seriam os principais prejudicados, ou no mínimo seus filhos, pela falta de uma solução estrutural. A história revelou que, a rigor, a curva de contribuintes e de beneficiários se inverteu dramaticamente com o avanço da população idosa – fenômeno que, por aqui, assumiu contornos de calamidade na equação. O resultado a que se chegou, com risco de calote generalizado dos pagamentos em até três ou quatro anos, pode ter contribuído para a mudança dos humores da população a favor de um ajuste. Pesquisa da XP Investimentos divulgada recentemente mostrou que 65% dos entrevistados se colocam agora a favor da reforma. O aval serviu de senha para que o ministro Guedes tomasse novo fôlego após o bombardeio de ataques que sofreu da bancada do atraso na Câmara. Ah, as contradições da democracia! Se há 15 dias Guedes perdeu a paciência com um auditório dominado por arrivistas que o exauriram em seis horas de depoimento, nas apresentações de Campos, logo após, ele teve que seguidamente interromper as mesmas explicações em virtude dos aplausos de convertidos, inebriados com a clareza dos argumentos. Dois públicos, duas reações absolutamente distintas. A soma das sessões lhe dá ainda assim um quórum altamente favorável à cruzada que empreende. De Posto Ypiranga a “tchutchuca”, Tigrão ou czar da economia, Guedes conheceu todos os mimosos epítetos com que o brindaram na trajetória de andarilho atrás de votos pela Previdência, mas segue indiferente, talvez porque costuma colocar a causa acima dos contratempos. Disse isso em Campos: “vou me irritar com o que? Tem uma minoria que fica batendo bumbo, problema deles.
“As pessoas estão ansiosas e irritadas porque vivemos uma crise há quase cinco anos e precisamos da reforma para mudar esse estado de coisas” Rodrigo Maia, presidente da Câmara
A minha expectativa da classe política é a melhor possível, a construtividade do Maia, do Doria e de muitos outros reforça a minha convicção de não recuar. Sem recuo e sem rendição”, estabeleceu o ministro. Seu companheiro de batalha, Rodrigo Maia, que compartilha da mesma fama de pavio curto, sempre com uma resposta na ponta da língua, tem um pé cautelosamente atrás e o outro lado a lado com o de Guedes. “Perdi a condição de cumprir um papel de articulador porque fui mal compreendido, mas se a gente quer reformar o Estado precisamos agora de um pacto onde a Previdência é o primeiro item”, afirma. Maia tem surpreendido positivamente como um autêntico embaixador da reforma no Congresso. Até Guedes reconhece isso. Com seu estilo carrancudo, parrudo, mas competente em todos os sentidos, o presidente da Câmara virou o fiador do projeto, mesmo que o presidente Bolsonaro inicialmente não o tenha enxergado assim. Já no segundo mandato, com assento cativo no comando da Câmara pelos próximos dois anos, não há mais dúvidas de que ele participará das decisões-chaves do que mudar e do que manter na estrutura da proposta (leia quadro) e, aos interlocutores, Maia vem enviando sinais de que não se furtará da missão de harmonizar a Casa, buscando uma solução que elimine os privilégios em qualquer direção: dos servidores públicos aos militares. É aí que a coisa pode pegar. No Executivo se coloca como assunto fechado o tratamento diferenciado para a caserna, com um regime especial de Previdência.
“A gente pode enveredar já pelo caminho certo da reforma porque a convicção de sua importância nunca foi tão acentuada” André Esteves, presidente do BTG Pactual
O Congresso discorda e Maia precisará atuar como apaziguador. Guedes, de sua parte, tem um tom mais incisivo sobre o assunto. Disse na Comissão de Constituição e Justiça, dias antes, que cabe aos parlamentares a coragem de mudar ou não o modelo sugerido para os aposentados de farda. No íntimo ele torce pela revisão para reforçar as chances da economia na casa do trilhão. Sempre preciso na exposição dos motivos, Guedes não arreda pé do ouvido do presidente e atende quando pode demandas como a dos militares. Nesse pormenor, no entanto, ele foi menos enfático – talvez por não estar plenamente a favor – e assim deixou de transmitir explicações convincentes na defesa da categoria. O mesmo não aconteceu quando o item abordado foi o esquema de “capitalização” para as gerações futuras que entrarão daqui por diante no sistema. Com essa via Guedes advoga que serão criados milhares de empregos rápidos em virtude da “desoneração dramática” (expressão dele) dos encargos trabalhistas. Bolsonaro mostra resistência, parlamentares idem, governadores como Doria e Eduardo Leite (RS) apoiam e Guedes se equilibra insistindo na alternativa. De todo modo, o ministro tem se consagrado como referência quando se fala do lado bom do Governo.
Com o seu estilo surpreendente, brilhante e obstinado virou o estrategista-chefe do acordo em andamento. E ainda bem que está sendo bem-sucedido na empreitada. Desenho estatístico de um País que caminha a fortes solavancos, os índices de aposentadoria por aqui dizem respeito a uma velha tragédia nacional – a de não se preparar para o envelhecimento da população. As estatísticas indicam que ocorreu em curtíssimo espaço de tempo aquilo que muitas pessoas temiam: o risco da insolvência do sistema, que se tornou inviável há alguns anos e que agora consome boa parte do orçamento federal. Como pontua Guedes, devido aos estouros bilionários desse modelo os brasileiros ficaram literalmente atolados. “Carimbamos os recursos, vinculamos os gastos e assim reconstruímos uma Europa por ano para ficar no mesmo lugar. R$ 4 trilhões de receita equivale a um Plano Marshall por ano”. O economista se refere ao valor do PIB e o compara ao plano de ajuda financeira das nações destruídas pela II Grande Guerra. Os desembolsos realizados atualmente sangram quase três quartos das receitas públicas disponíveis. Em bom português: não sobra nada, ou quase nada, para o resto. Com uma escalada vertiginosa e ininterrupta do problema. Em sua infelicidade burocrática, o Brasil está enredado numa armadilha da qual precisa se livrar urgentemente.
Os empresários que desembarcaram em peso no foro estão unanimemente convencidos de que não há outra saída que não a da reforma já. “quantas vezes vimos essa discussão ser colocada à mesa e adiada por falta de disposição política? Agora o quadro parece diferente”, disse o presidente da MAN, líder na produção de caminhões no Brasil, Roberto Cortes. “O que temos de notar é que há no momento uma vontade geral na busca por convergência sobre a questão”, endossou o presidente da gigante nacional do aço CSN, Benjamin Steinbruch. “A Reforma garante a solvência do estado brasileiro no futuro, sem isso entramos numa sociedade à beira da falência”, pontuou Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco.

Vozes em Uníssono

Nessa ala que responde pela produção e, na prática, é quem faz a roda girar para os resultados auspiciosos do Produto Interno Bruto, não foram poucas, nem isoladas, as vozes pedindo a solução urgente. Engrossaram o coro personagens como Michael Klein, que construiu a rede varejista Casas Bahia e no momento dedica-se ao setor de aviação, José Luiz Gandini, da Kia Motors e dirigente da associação de importadores de veículos, Claudio Lottenberg, que preside a líder de planos de saúde Amil e Manfredo Rübens, presidente da gigante química Basf. Ali, naqueles dias de agitação sectária que tomou a aprazível cidadezinha de Campos, com ares de recanto europeu, eram ao menos 700 CEOs, financistas e executivos de grandes conglomerados batendo ponto e empenhando aval na composição da Previdência. “Potencialmente, pelo que tratamos aqui, a gente pode enveredar já pelo caminho certo da reforma porque a convicção de sua importância nunca foi tão acentuada”, convocou o fundador e presidente do conselho do BTG Pactual, André Esteves. O Chairman do LIDE, Luiz Fernando Furlan, definiu em uma parábola o que considera como uma fase de transição: “Se queremos pular para um novo Brasil, esse é o caminho”. Do contrário, como pontua o governador Doria, qualquer impulso de retomada estará comprometido. “Sem a reforma, estados, municípios e o próprio Governo Federal entrarão em um caos, com a falta de recursos para o pagamento de serviços básicos de saúde, educação e segurança entre outros”. É melhor não arriscar.

“A Reforma garante a solvência do estado no futuro. Sem isso, entramos numa sociedade à beira da falência” Luiz Carlos Trabuco, Bradesco

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