03/04/2018

Bovespa sobe amparada por recuperação em Nova Iorque, enquanto dólar renova mínima

 fonte: estadão   a bovespa opera em alta nesta terça-feira (3) na esteira da recuperação em wall street após o tombo registrado da véspera, conduzido pelo setor de tecnologia. às 10h29min, o principal índice da bolsa subia 0,65%, aos 85.218,71 pontos, em sintonia com o desempenho dos índices futuros das bolsas de nova iorque. no cenário local, a agenda é fraca e as atenções estão voltadas para o julgamento no supremo tribunal federal (stf), na quarta, do habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente luiz inácio lula da silva. nesta terça-feira (3), o movimento brasil livre (mbl), o vem pra rua e uma série de outros coletivos preparam atos para pedir a prisão do petista, condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no guarujá.
03/04/2018

EMPRESAS

 fonte: jornal do comércio   pesquisa da work foundation revelou que 73% das empresas na inglaterra utilizam formalmente práticas de mentoria há mais de 10 anos. no brasil, o fenômeno ainda é recente. a metodologia passou a ganhar espaço como política de desenvolvimento de pessoas quando teve suas primeiras iniciativas implantadas em grandes corporações, como natura e petrobras. no entanto, a metodologia é apresentada, muitas vezes, com distorções motivadas pela carência de entendimento e de fontes de informações. a maioria das empresas ainda acredita que mentoria organizacional consiste apenas em colocar um profissional sênior a orientar um profissional júnior, mas um programa de mentoria organizacional interna bem-estruturado demanda e tem potencial para muito mais. motivado pelo interesse de oferecer uma ampla base teórica para a execução de programas de mentoria em organizações, marcus ronsoni, que é doutorando em psicologia social, empresário e consultor em empresas de grande porte, lançou o primeiro manual de implantação de programas de mentoria organizacional interna. o livro mentoria organizacional - manual de implementação de programa interno, que conta com a coautoria de jean guareschi, coordenador executivo da sociedade brasileira de desenvolvimento comportamental, reúne depoimentos sobre o processo de mentoria em grandes empresas. mentoria organizacional - manual de implementação de programa interno; marcus ronsoni e jean guareschi; primavera editorial; 382 páginas; r$ 44,90 inovação ex-executivo da apple e do google, guy kawasaki é um dos grandes nomes do empreendedorismo no mundo. considerado um dos mais originais estrategistas de negócios, kawasaki ganha a edição revisitada de uma obra clássica de sua autoria. em a arte do começo 2.0, publicação atualizada do clássico de 2004, o autor sugere as práticas mais recomendadas para as mídias sociais, financiamento coletivo, navegação em nuvem e todas as ferramentas essenciais para os que estão iniciando um novo projeto ou empresa. o autor destaca as mudanças no mundo dos negócios na última década e defende que se tornou mais fácil se estabilizar no mercado. ele fala sobre o papel das mídias sociais como relações-públicas, analisa o crowfunding como alternativa ao pitching de investidores e relativiza a importância dos tradicionais planos de negócios. além de tratar dos novos desafios do mercado, a obra ensina a lidar com questões que continuam sendo fundamentais para o sucesso de um empreendimento - a construção de uma equipe forte, o desenvolvimento de bons produtos e serviços e ainda as estratégias para enfrentar a concorrência. durante a leitura, om autor afirma que "grandes empresas nascem da resposta a perguntas simples que mudam o mundo, não do desejo de enriquecer". guy kawasaki é o mentor do canva, serviço de design on-line, e membro executivo da escola de negócios haas, da universidade da califórnia, em berkeley. a arte do começo 2.0; guy kawasaki; grupo editorial record; 480 páginas; r$ 59,90 psicologia numa mesa de bar, uma conversa inocente evolui para opiniões divergentes que acabam num debate mais acalorado. todos na mesa tentam defender suas posições. exibem-se dados, estatísticas, fatos, frases de efeito. todos os recursos são usados para convencer o interlocutor. mas, no final da noite, a tentativa e o esforço em mudar a opinião do outro resultam apenas no reforço das próprias crenças e ideias e todos vão para casa fechados em si mesmo sem saber como influenciar e transformar o pensamento dos outros. afinal, o que determina isso? quais fatores permitem que abracem o que pensamos ou que nos ignorem por completo? em a mente influente - o que o cérebro revela sobre nosso poder de mudar os outros, a neurocientista cognitiva israelense tali sharot analisa a prática da influência. segundo a autora, existem sete fatores essenciais para que entendamos como e de que forma é possível influenciar no pensamento dos outros e também estarmos mais abertos a mudanças de opinião e paradigmas. sharot explica que em um mundo com um manancial quase infinito de informações a nosso dispor, o que poderia facilitar a transformação e amadurecimento das ideias, contribui ainda mais para nos deixar menos sensíveis aos dados e nos tornar mais arredios a argumentos. no final das contas, continuam valendo as narrativas que apelam para nossas emoções e que coadunam com nossas crenças.
03/04/2018

Banco Central pode interromper cortes de juros em breve para avaliar resultados, diz Ilan

 fonte: folhapress – jornal do comércio   a taxa de juros ainda deverá sofrer um corte no próximo encontro do copom, mas há uma perspectiva de que essa queda seja interrompida por algumas reuniões para avaliar com mais calma os impactos de longo prazo da redução, afirmou o presidente do banco central, ilan goldfajn, nesta terça-feira (3). "se as condições permanecerem, imaginamos como mais provável uma nova redução da taxa de juros para garantir uma trajetória em direção às metas. mas, olhando para o futuro, achamos que pode haver uma interrupção da queda, uma pausa de algumas reuniões, para avaliar defasagens", disse ele, em um evento do banco bradesco, em são paulo. para ele, os estímulos da redução da selic e de incentivos aos investimentos levam algum tempo para fazerem efeito, o que gera uma incerteza sobre seu impacto. "pode levar seis meses, nove meses. mas essa estimativa pode ser mais curta, mais longa, e só vai descobrir isso no futuro. há uma incerteza. achamos que vai precisar um tempo, uma pausa de algumas reuniões, para observar essas defasagens", completou. na última reunião do copom, em 22 de março, o bc cortou a taxa a 6,5% ao ano e surpreendeu ao sinalizar mais uma redução. a inflação medida pelo ipca ficou em 2,86% nos 12 meses até fevereiro. a taxa está bastante abaixo da meta definida para este ano. "temos riscos dos dois lados: de ficar abaixo do que se imagina, e de ficar acima. mesmo com a recuperação da economia, pode ser que [a inflação] fique baixa, e caberá ao banco central agir para que fique dentro da meta." o maior risco, diz ele, é uma interrupção das reformas, especialmente se esta for complementada por uma mudança no cenário internacional, cuja recuperação atual é favorável ao brasil, segundo goldfajn. banco central pode interromper cortes de juros em breve para avaliar resultados, diz ilan folhapress a taxa de juros ainda deverá sofrer um corte no próximo encontro do copom, mas há uma perspectiva de que essa queda seja interrompida por algumas reuniões para avaliar com mais calma os impactos de longo prazo da redução, afirmou o presidente do banco central, ilan goldfajn, nesta terça-feira (3). "se as condições permanecerem, imaginamos como mais provável uma nova redução da taxa de juros para garantir uma trajetória em direção às metas. mas, olhando para o futuro, achamos que pode haver uma interrupção da queda, uma pausa de algumas reuniões, para avaliar defasagens", disse ele, em um evento do banco bradesco, em são paulo. para ele, os estímulos da redução da selic e de incentivos aos investimentos levam algum tempo para fazerem efeito, o que gera uma incerteza sobre seu impacto. "pode levar seis meses, nove meses. mas essa estimativa pode ser mais curta, mais longa, e só vai descobrir isso no futuro. há uma incerteza. achamos que vai precisar um tempo, uma pausa de algumas reuniões, para observar essas defasagens", completou. na última reunião do copom, em 22 de março, o bc cortou a taxa a 6,5% ao ano e surpreendeu ao sinalizar mais uma redução. a inflação medida pelo ipca ficou em 2,86% nos 12 meses até fevereiro. a taxa está bastante abaixo da meta definida para este ano. "temos riscos dos dois lados: de ficar abaixo do que se imagina, e de ficar acima. mesmo com a recuperação da economia, pode ser que [a inflação] fique baixa, e caberá ao banco central agir para que fique dentro da meta." o maior risco, diz ele, é uma interrupção das reformas, especialmente se esta for complementada por uma mudança no cenário internacional, cuja recuperação atual é favorável ao brasil, segundo goldfajn.
02/04/2018

Mercado prevê inflação menor e juros mais baixos em 2018

 relatório focus, divulgado pelo banco central, nesta segunda-feira, 2, reduz previsão de inflação de 3,57% para 3,54% e juros em 6,25% ao ano fonte: fabrício de castro, o estado de s.paulo os economistas do mercado financeiro reduziram pela nona semana consecutiva a previsão para a inflação de 2018. além disso, especialistas acreditam que a taxa selic deva encerrar o ano em 6,25% e que o crescimento do pib também deve ser menor que o esperado. o relatório de mercado focus, divulgado nesta segunda-feira, 2, pelo banco central (bc), mostra que a previsão para o índice nacional de preços ao consumidor amplo (ipca) este ano caiu de 3,57% para 3,54%. há um mês, estava em 3,70%. já a projeção para o índice em 2019 caiu de 4,10% para 4,08%. quatro semanas atrás, estava em 4,24%.  a expectativa de alta para o pib este ano caiu de 2,89% para 2,84%. há quatro semanas, a estimativa era de um crescimento de 2,90%. para 2019, o mercado manteve a previsão de alta do pib de 3,00%, mesmo patamar de quatro semanas atrás.  parte inferior do formulário   analistas do mercado financeiro esperam por um corte de 0,25 ponto porcentual da selic (a taxa básica de juros) em maio, de 6,50% para 6,25% ao ano. depois disso, de acordo com o  relatório focus, a projeção é de que a selic permaneça em 6,25% ao ano até fevereiro de 2019, quando a taxa subiria a 6,50% ao ano. este aumento marcaria o início de um novo ciclo, desta vez de alta para os juros básicos.  inflação. com as quedas seguidas, a projeção dos economistas para a inflação em 2018 caminha em direção ao piso da meta deste ano, cujo centro é em 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (índice de 3,0% a 6,0%). para 2019, a meta é de 4,25%, com margem de 1,5 ponto (de 2,75% a 5,75%). tanto na ata da última reunião do comitê de política monetária (copom) quanto no relatório trimestral de inflação (rti), divulgados na semana passada, o bc projetou o ipca em 3,8% ao fim de 2018 e em 4,1% ao fim de 2019, considerando o cenário de mercado. a projeção do igp-di de 2018 passou de 4,37% para 4,40%. há um mês, estava em 4,31%. no caso de 2019, o igp-di projetado seguiu em 4,27%, ante 4,25% quatro semanas antes. calculados pela fundação getulio vargas (fgv), os índices gerais de preços (igps) são bastante afetados pelo desempenho do dólar e pelos produtos de atacado, em especial os agrícolas. outro índice, o igp-m, que é referência para o reajuste dos contratos de aluguel, foi de 4,37% para 4,51% nas projeções dos analistas para 2018. quatro levantamentos antes, estava em 4,22%. para 2019, a projeção passou de 4,38% para 4,30%, ante 4,40% quatro semanas atrás. ainda houve previsão de ligeira desaceleração dos preços administrados em 2018. o mercado financeiro para o indicador este ano foi de 4,90% para 4,80%. para 2019, a mediana seguiu em 4,50%. há um mês, o mercado projetava aumento de 4,94% para os preços administrados neste ano e elevação de 4,50% no próximo ano.
02/04/2018

Duas surpresas e uma frustração na economia

 fonte: globo por joão borges a pesquisa focus divulgada nesta segunda-feira (2) pelo banco central consolida duas surpresas e um desapontamento relativos ao primeiro trimestre: inflação projetada para este ano cada vez mais baixa, juro abaixo do que se esperava e atividade econômica em ritmo mais lento do que se imaginava. a previsão para a inflação em 2018 está em 3,54%, depois de nove quedas consecutivas apontadas na pesquisa focus. a segunda surpresa foi dada pelo banco central, sinalizando com mais uma inesperada queda na taxa básica de juros para a reunião de maio do comitê de política monetária (copom). com isso, o mercado financeiro também reduziu sua previsão para a taxa de juros no final deste ano de 6,5% para 6,25%. inflação baixa e juro deveriam dar fôlego à economia. no entanto as previsões mais otimistas para o crescimento deste ano esfriaram. até o início de março, as projeções de crescimento vinham sendo revistas para cima. agora estão sendo revistas para baixo. na pesquisa focus desta semana cai de 2,89% para 2,84%. essa revisão para baixo está apoiada em dados da economia real que foram surgindo no decorrer do trimestre, com desempenho abaixo do esperado. na ata de sua última reunião, o copom dá sua leitura sobre o ritmo da atividade econômica: “um membro mencionou sinais de pequeno arrefecimento, mas outros ponderaram que essas oscilações são naturais no atual estágio do processo. todos concluíram que a recuperação da economia apresenta consistência.” a economia ainda não absorveu todo o impacto da redução da taxa básica de juros em andamento. o crédito, segundo previsões do banco central e de economistas do setor privado, vai se expandir ao longo do ano. o desemprego, ainda muito alto, vai diminuir ao longo de 2018. o processo eleitoral é o fator de incerteza mais evidente. mas ele deve afetar mais 2019 do que 2018. positiva ou negativamente.
02/04/2018

Mercado vê inflação mais baixa e crescimento menor do PIB em 2018

  previsão dos analistas dos bancos para inflação deste ano caiu de 3,57% para 3,54%. para o pib, estimativa de alta passou de 2,89% para 2,84%. fonte: por alexandro martello, g1, brasília os economistas das instituições financeiras passaram a prever uma inflação mais baixa e um crescimento menor do produto interno bruto (pib) em 2018, aponta relatório de mercado, também conhecido como "focus", divulgado pelo banco central nesta segunda-feira (2). o relatório é divulgado semanalmente pelo bc e sempre tem como base pesquisa feita com economistas na semana anterior à da divulgação. mais de 100 instituições financeiras são ouvidas. para a inflação de 2018, a previsão do mercado recuou de 3,57% para 3,54%. foi a nona queda seguida. o percentual esperado pelos analistas continua abaixo da meta central que o banco central precisa perseguir para a inflação neste ano, que é de 4,5%, mas está dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema, que considera que a meta terá sido cumprida pelo bc se o índice de preços ao consumidor amplo (ipca) ficar entre 3% e 6%. a meta de inflação é fixada pelo conselho monetário nacional (cmn). para alcançá-la, o banco central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (selic). para 2019, o mercado financeiro reduziu sua expectativa de inflação de 4,10% para 4,08%. foi o segundo recuo seguido deste indicador. a estimativa do mercado está em linha com a meta central do próximo ano e também dentro da banda do sistema de metas (entre 2,75% e 5,75%). pib e juros para o resultado do pib em 2018, os economistas dos bancos baixaram a previsão de crescimento de 2,89% para 2,84%. para o ano que vem, a expectativa do mercado para expansão da economia continua em 3%. o produto interno bruto é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. em 2016, o pib teve uma retração de 3,5%. em 2017, cresceu 1% e encerrou a recessão no país. os analistas do mercado também reduziram, de 6,5% para 6,25%, a previsão para a taxa básica de juros da economia, a selic, ao final de 2018. atualmente, a taxa está em 6,5% ao ano. a redução na expectativa do mercado veio após o próprio banco central ter indicado que pode continuar reduzindo a taxa básica de juros nos próximos meses. para o fim de 2019, a estimativa do mercado financeiro para a selic continuou em 8% ao ano. deste modo, os analistas seguem estimando alta dos juros no ano que vem. câmbio, balança e investimentos na edição desta semana do relatório focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 ficou estável em r$ 3,30 por dólar. para o fechamento de 2019, subiu de r$ 3,39 para r$ 3,40 por dólar. a projeção do boletim focus para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), em 2018, continuou em us$ 55 bilhões de resultado positivo. para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado para o superávit permaneceu estável ao redor de us$ 45 bilhões. a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no brasil, em 2018, subiu de us$ 77,5 bilhões para us$ 80 bilhões. para 2019, a estimativa dos analistas ficou estável em us$ 80 bilhões.
02/04/2018

Mercado de US$ 421 bilhões pede atenção das empresas: tecnologia precisa estar na estratégia

 fonte: dino em 2018, o gartner aponta que o mercado de tecnologia movimentará us$ 3,7 trilhões em investimentos. o número, que é 4,5% maior do que em 2017, será puxado pelos softwares corporativos, que terão crescimento de 9,5% este ano e 8,4% em 2019, somando um total de us$ 421 bilhões. dentre os sistemas, as aplicações de analytics, em especial no formato software as-a-service (saas), terão grande espaço. assim como a computação cognitiva e inteligência artificial (ia), que deve crescer 50% só no mercado brasileiro este ano, de acordo com a idc. números que vão em linha com as estratégias de gestão corporativa: o mesmo gartner afirma que, em 2018, 58% dos ceos terão como prioridade estratégias voltadas ao crescimento dos negócios, e isso terá a tecnologia como um dos pilares principais. setorialmente, os investimentos estarão por todos os lados: saúde, automotivo, varejo, mídia, agricultura, bancos, vigilância, games, educação, seguros, atendimento ao cliente e casas inteligentes serão só alguns dos segmentos que, conforme levantamento da frost & sullivan, se beneficiarão da aliança entre inteligência artificial e business analytics nos próximos anos. o estudo mostra que o crescimento voluptuoso dos dados, somado às funções analíticas cada vez mais apuradas das tecnologias de bi e ba e aos incrementos das “coisas conectadas”, por meio do engajamento da iot a cenários de objetos e até mesmo lugares inteligentes, criou um novo patamar no uso destas soluções para transformar a maneira como os setores citados, dentre outros, conduzirão suas estratégias comerciais e suas ações de relacionamento. por conseguinte, a integração entre tais ferramentas mexerá diretamente no incremento de suas receitas. do ponto de vista da f&s, a inteligência artificial está levando a análise avançada de dados a um patamar mais elevado junto às indústrias. se antes era possível imaginar os ambientes de negócio sendo analisados por modelos antigos, como planilhas e coletas/formatações manuais de informações e relatórios, agora este se torna um cenário de obsolescência extrema, trazendo a todos os seus usuários lentidão frente à concorrência. “e, nisso, ouso dizer que este impacto atua no todo. se a agricultura, por exemplo, deixa de usar as tecnologias de analytics e inteligência de negócios, muitos dados deixarão de ser analisados e aproveitados a favor da melhoria dos cultivos e, consequentemente, potenciais de produção de alimento e outros insumos agrícolas deixarão de ser entregues a um mercado cuja fome e avidez nutritiva só faz crescer”, afirma o ceo da bimachine, douglas scheibler. em outra análise, o executivo postula que se o segmento industrial não der o devido espaço às ferramentas-chave da transformação digital por meio dos dados, muitos processos convalescerão à mercê da perda de agilidade, incidindo em perda de produtividade e quantidade, o que se refletirá em um mercado suprido aquém de suas necessidades. “se aplicarmos análises como estas a cada setor citado pela f&s, poderemos facilmente detectar consequências parecidas. no final, a resultante será sempre uma economia ralentada pela não adesão à evolução óbvia e imperativa. uma sociedade retrógrada e mal suprida”, comenta o especialista. “um cenário que ninguém quer. um ambiente ao qual nem será possível chegar: o que há, hoje, de transgressão ao uso das tecnologias-chave para a transformação digital será em breve deixado para trás, assim como todos os seus protagonistas, e o mercado selecionará naturalmente os fornecedores adeptos dos sistemas e equipamentos mais ágeis em análise e uso de dados”, completa. já a cmo da bimachine, ana paula thesing, afirma que começar desde já a adotar tais avanços é um passo atrasado, visto que tais soluções estão consolidadas e gerando benefícios e cases pelo mundo há alguns anos, ainda que a quantidade e a intensidade sejam crescentes. “mas é um crescimento contínuo, que deixa para trás os que se isentam deste movimento, obrigando à decisão: bi, ba e ai ou perda de mercado”, destaca ela. os dados analisados têm como base o ponto principal de todas estas tecnologias e tendências: a informação. conforme as consultorias globais, é este item que determina as decisões, e são as soluções atreladas a ela que fazem de uma empresa um algoz ou uma presa em seu segmento de atuação. “olhando para o mercado, é preciso mais bi, mais ba, mais machine learning, mais ia, mais iot para ampliar ofertas inteligentes, bem direcionadas tanto do ponto de vista do lucro do fornecedor quanto do atendimento à necessidade do público”, afirma scheibler. “é preciso mais adoção destas tecnologias a favor de uma economia saudável e de uma sociedade disruptiva. é preciso mais empresas nesta linha de raciocínio para construir um mercado forte. só não é preciso mais tempo: o agora, em relação a tudo isto, já é atraso. bi, ba e ai são necessários para ontem”, finaliza ana paula.
02/04/2018

Confiança empresarial sobe 0,3 ponto em março e atinge 95 pontos, releva a FGV

 fonte: jornal do comércio   o índice de confiança empresarial (ice) subiu 0,3 ponto em março ante fevereiro, alcançando 95,0 pontos, informou nesta segunda-feira (2) a fundação getulio vargas (fgv). o resultado é o mais elevado desde abril de 2014, quando o indicador estava em 95,6 pontos. o indicador médio do primeiro trimestre ficou 2,8 pontos acima do resultado do trimestre anterior. na comparação com o mesmo trimestre de 2017, o avanço é de 11,5 pontos. "o resultado de março seguiu o padrão do mês anterior: variação discreta da confiança empresarial com melhora na percepção sobre a situação atual e estabilidade das expectativas. dadas as limitações a um avanço mais expressivo da confiança estabelecidas pelo ritmo ainda lento de recuperação da economia e pelos níveis ainda elevados de incerteza, a acomodação do índice em novo patamar por dois meses ainda pode ser lida de forma favorável. o índice deve retomar a tendência ascendente nos próximos meses", avaliou aloisio campelo junior, superintendente de estatísticas públicas do instituto brasileiro de economia da fgv (ibre/fgv), em nota oficial. o índice de confiança empresarial reúne os dados das sondagens da indústria de transformação, serviços, comércio e construção. o cálculo leva em conta os pesos proporcionais à participação na economia dos setores investigados, com base em informações extraídas das pesquisas estruturais anuais do instituto brasileiro de geografia e estatística (ibge). segundo a fgv, o objetivo é que ice permita uma avaliação mais consistente sobre o ritmo da atividade econômica. em março, houve melhora em quase todos os setores, com exceção dos serviços, que recuaram 1,7 ponto no mês. a maior contribuição para a alta do índice empresarial foi da indústria (2,9 pontos), seguida pelo comércio (1,9 pontos). a confiança cresceu em 51% dos 49 segmentos pesquisados para compor o ice de março. a coleta do índice de confiança empresarial reuniu informações de 4.893 empresas dos quatro setores entre os dias 1º e 23 de março.  
02/04/2018

IPC-S sobe 0,17% em março com alta igual a de fevereiro, revela FGV

 fonte: jornal do comércio   o índice de preços ao consumidor - semanal (ipc-s) subiu 0,17% em março, a mesma variação apurada em fevereiro, conforme informou a fundação getulio vargas (fgv) nesta segunda-feira (2). com esse resultado, o indicador acumula avanço de 1,03% no ano e 2,76% em 12 meses, taxa mais baixa que a encontrada no mesmo período finalizado em fevereiro (3,07%). frente à terceira quadrissemana de março, o indicador acelerou da variação de 0,14% encontrada naquela oportunidade. nesta base de comparação, quatro das oito classes de despesas avançaram: habitação (0,17% para 0,27%), saúde e cuidados pessoais (0,34% para 0,42%), educação, leitura e recreação (-0,20% para -0,09%) e comunicação (-0,17% para -0,09%). o grupo de vestuário manteve a mesma taxa de variação apresentada na leitura anterior, de 0,57%. já os segmentos que registraram desaceleração entre a terceira e a quarta quadrissemana de março foram alimentação (0,01% para -0,02%), transportes (0,30% para 0,23%) e despesas diversas (0,08% para 0,05%). o avanço do ipc-s da terceira quadrissemana de março para a última leitura do mês (0,14% para 0,17%) teve como principal contribuição a alta do grupo habitação (0,17% para 0,27%), segundo a fgv. dentro do segmento, o principal destaque é tarifa de eletricidade residencial (0,91% para 1,19%), que sobe pressionada pelos reajustes em algumas distribuidoras. em fevereiro, o ipc-s também havia subido 0,17%. dentre os outros grupos que registraram aceleração entre a terceira e a quarta quadrissemana de março, a fgv destaca o comportamento de artigos de higiene e cuidado pessoal (-0,27% para 0,24%) em saúde e cuidados pessoais; show musical (0,58% para 0,79%) no segmento de educação, leitura e recreação; e pacotes de telefonia fixa e internet (0,23% para 0,52%) em comunicação. por outro lado, alimentação voltou a recuar sob a influência do arrefecimento de hortaliças e legumes (1,82% para 0,39%). a gasolina (0,08% para -0,27%), por sua vez, foi o principal motivo para a desaceleração de transportes e o alívio em clínica veterinária (0,70% para 0,47%) contribuiu para o arrefecimento em despesas diversas (0,08% para 0,05%). em vestuário, que manteve a mesma taxa de variação (0,57%), o item roupas (0,75% para 0,82%) exerceu a principal pressão de alta, enquanto calçados (0,68% para 0,30%) contribuiu para baixo. segundo a fgv, entre os itens que mais contribuíram para a aceleração do indicador estão, além de energia elétrica, plano e seguro de saúde (que manteve a taxa de 0,95%), mamão papaia (14,81% para 27,16%), refeições em bares e restaurantes (0,30% para 0,36%) e tarifa de ônibus urbano (0,58% para 0,73%). já entre as maiores influências individuais de baixa estão, além de gasolina, passagem aérea (mesmo com a deflação menor, de -9,13% para -8,82%), frango em pedaços (-2,25% para -3,61%), carne moída (-2,10% para -3,00%) e tarifa de táxi (-1,74% para -2,01%).

O acordão da Previdência


12/04/2019

Como uma espécie de Davos à brasileira, o 18º Fórum do LIDE reuniu, de forma inédita, governadores, parlamentares, empresários e o Executivo para fecharem questão em torno de mudanças na aposentadoria, no maior pacto federativo já visto sobre o tema. Agora é possível que a Reforma saia de uma vez do papel

O ministro Paulo Guedes e o presidente da Câmara Rodrigo Maia tocam instrumentos diferentes na sinfonia do poder, mas nada impede que atuem na mesma orquestra quando a partitura interessa a todos. No caso, a tão decantada e ainda aguardada Reforma da Previdência. Semanas a fio, de uns tempos para cá, os dois estão compondo, afinados, a banda de articulações que tenta a aprovação da proposta, ainda no primeiro semestre se tudo correr bem. Marcam quase todos os dias conversas fechadas nos gabinetes do Parlamento e do ministério para acertar pontos ainda pendentes. Seguem juntos para conversas com as bancadas dos partidos e com públicos e plateias os mais variados. Tratam de ajustes pontuais no texto e no calhamaço de estatísticas para chegar ao número mágico pretendido de uma economia na casa de R$ 1 trilhão em dez anos.
E trocam elogios mútuos quando se referem à disposição do interlocutor para aceitar sugestões. Viraram, por assim dizer, verso e emenda do mesmo refrão. Na semana passada, os dois e mais o presidente do Senado David Alcolumbre – que também dá corda à cantilena da Reforma – além de portentos empresariais, ministros, congressistas e seis governadores se reuniram em um encontro tão representativo como inequívoco na demonstração de força e sintonia em torno do tema. Na 18º edição do Fórum Empresarial do LIDE, dessa vez realizado em Campos do Jordão, interior de São Paulo – com um formato e dinâmica que lembram em muito as conferências globais de Davos -, todos pareciam sinceramente ávidos por enfrentar o impossível para chegar lá (ou, pelo menos, o aparentemente impossível, dado que sai governo, entra governo, ninguém consegue emplacar a ideia) com uma espécie de bloco coeso de apoio, integrado por camadas de diversos setores comprometidos com a retomada econômica. Foi um ponto de inflexão importante nessa trajetória de idas e vindas daquela que é, de fato, a principal pauta lançada sobre as mesas de deputados e senadores neste ano. Até aqui não havia ocorrido ainda uma reunião tão ampla e diversificada de agentes envolvidos com a reforma. Na batuta da mobilização, o governador de São Paulo, João Doria, funcionou ali como uma espécie de intermediador de interesses, sem tomar lados, uma vez que o intuito geral era o de fechar a agenda comum pelo engajamento para ajudar no rito da aprovação. “Não há mais o que esperar, o Brasil precisa o quanto antes dessa reforma, o recado ficou claro e vamos trabalhar em conjunto por ela. Articulem-se, sejamos todos ativos nessa direção”, convocou Doria, que há quase duas décadas idealizou os fóruns anuais (ainda organizados pelo grupo que leva o seu nome e do qual se desligou desde que entrou para a política, deixando a direção a cargo de uma banca de profissionais). De uns tempos para cá, no comando da máquina paulista, Doria procurou ser uma espécie de fiador de entendimentos nesse sentido, se esforçando como poucos para reunir, inclusive na própria casa, vários dos personagens da complexa negociação. Foi assim na semana passada quando recepcionou o vice-presidente General Mourão e sugeriu alguns encontros entre ele e os governadores dos demais Estados para ouvir as necessidades de cada um, e ao receber também o presidente do Supremo Tribunal, Dias Toffoli, que reagiu entusiasmado ao convite: “estou há 10 anos no STF e nunca ninguém me chamou para uma conversa como essa e o senhor faz isso justo no momento mais decisivo do País”, disse ao anfitrião. No ponto alto das rodadas de tratativas que entabulou pela reforma, Doria resolveu falar a respeito tanto com o presidente Bolsonaro como com o deputado Maia para aparar arestas, tal qual um bombeiro que percebe a fumaça a tempo de controlar o incêndio. É um trabalho de diplomacia que vem fazendo a diferença. No Fórum de Campos, ele dobrou a aposta. Lá, de certa forma, estavam colocados inúmeros papeis estratégicos disponíveis a cada um dos participantes para o sarau de negociações. Para quem viu de fora foi possível alimentar razoável otimismo sobre a costura de saídas para o impasse previdenciário. Basta compreender a função dos protagonistas daqueles tête-à-tête e a dimensão de um encontro como o de Campos, quando esses senhores reservaram o final de semana para juntos debater e firmar denominadores comuns.
“Não há mais o que esperar. O Brasil precisa o quanto antes dessa reforma” João Doria, governador de São Paulo
Existiam diferenças? Claro. Incontornáveis? O desenrolar do evento acabou demonstrando que não. Lado a lado, sem intermediários, os participantes acabaram por fechar convergências em vários aspectos. E isso fez toda diferença na evolução dos ânimos quanto à entrega ao País de uma reforma verdadeiramente eficaz. O clima de hostilidade de outras ocasiões foi superado e análises consistentes sobre crise fiscal, reorientação de receitas e passos complementares na área das privatizações e do ajuste no Sistema “S” pontificaram sem maiores resistências. Os governadores, por exemplo, estão muitos deles em situações calamitosas de caixa. Não sabem como seguir um ano sequer a mais com o atual quadro de vinculações orçamentárias para a rubrica das pensões, bem mais salgadas no campo da atividade pública se comparadas às da iniciativa privada. Deram ali esse testemunho e reforçaram a carga de pressão sobre os representantes do Legislativo presentes. Prefeitos, deputados e senadores que foram ao Fórum, dentre os quais Antonio Carlos Magalhães Neto, de Salvador, e Nelson Marchezan, de Porto Alegre, repisaram o alerta da inanição dramática de verbas nas respectivas regiões para bancar o compromisso. Cada uma das vozes serviu de caixa de ressonância direta sobre os feitores da costura do projeto, dispostos de maneira genuína a escutar e ajustar excessos.
Ministros como o responsável pela pasta da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, trouxeram sua contribuição mostrando os esforços em andamento para a recomposição de receitas. Freitas listou um balanço de leilões que repassaram, dentre outras estruturas, inúmeros terminais portuários, ferroviários e aeroportos. No total, em 60 dias, 23 ativos mudaram de mãos, do Estado para a iniciativa privada, gerando resultados bilionários que vão ajudar no resgate da saúde financeira da União. Longe dali, até a ala militar, através dos generais Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança, e Eduardo Villas Bôas, ex-comandante-geral do Exército, saíram em busca de apoio para as mudanças nas aposentadorias e serviram de promotores do tema em convescote no final de semana com um grupo de governadores liderados por Ronaldo Caiado, de Goiás. Caiado esteve ainda no pelotão dos participantes do Fórum.

Um pacto federativo

Mas vamos nos ater aos principais protagonistas dessa espécie de pacto federativo que ocorreu durante as rodadas de Campos – e não se pode chamar de outra coisa uma sinalização conjunta de ideias em torno da Reforma. Maia e Guedes exerceram no encontro a condição de maestros da pacificação. Por mais que opositores e críticos do Governo tentem desmerecer o escopo do projeto, a dupla de seus defensores tem acertado não apenas no diagnóstico da crise como na receita para saná-la. Tal qual padarias mal administradas, o Tesouro Nacional mergulhou há muito tempo no vermelho e já teria ido à falência se estivesse no ramo comercial – principalmente devido aos desembolsos descomunais que realiza para arcar com a Previdência, na casa dos R$ 720 bilhões ao ano. Os arautos da reforma estão juntos conversando com os interlocutores para demonstrar por A mais B que o único jeito de consertar a situação e evitar o desfecho trágico passa por uma reformulação completa do sistema de gastos sob essa rubrica. “Tenho a minha absoluta tranquilidade, fora dos ruídos aqui e ali, quanto à dinâmica maior dos eventos. Para mim é claro que a continuar nessa marcha estaremos indo para a desordem da forma mais organizada que já vi”, alertou Guedes ainda na sexta-feira 05 a uma plateia de atentos ouvintes. “As pessoas estão irritadas e ansiosas porque vivemos uma crise há quase cinco anos e precisamos da reforma para mudar esse estado de coisas”, reforçou Maia. Os dois estão pedindo ao Congresso celeridade. Essa é uma providência habitualmente perseguida pelos governantes, mas a missão de cobrá-la e negociá-la foi tão mal recebida pelo mandatário que ambos decidiram tomar a frente do processo. Diga-se de passagem que os brasileiros acompanham desde o início, com certa sofreguidão, o desenrolar dos acordos. Em um primeiro momento majoritariamente contra a perda de benefícios perceberam que seriam os principais prejudicados, ou no mínimo seus filhos, pela falta de uma solução estrutural. A história revelou que, a rigor, a curva de contribuintes e de beneficiários se inverteu dramaticamente com o avanço da população idosa – fenômeno que, por aqui, assumiu contornos de calamidade na equação. O resultado a que se chegou, com risco de calote generalizado dos pagamentos em até três ou quatro anos, pode ter contribuído para a mudança dos humores da população a favor de um ajuste. Pesquisa da XP Investimentos divulgada recentemente mostrou que 65% dos entrevistados se colocam agora a favor da reforma. O aval serviu de senha para que o ministro Guedes tomasse novo fôlego após o bombardeio de ataques que sofreu da bancada do atraso na Câmara. Ah, as contradições da democracia! Se há 15 dias Guedes perdeu a paciência com um auditório dominado por arrivistas que o exauriram em seis horas de depoimento, nas apresentações de Campos, logo após, ele teve que seguidamente interromper as mesmas explicações em virtude dos aplausos de convertidos, inebriados com a clareza dos argumentos. Dois públicos, duas reações absolutamente distintas. A soma das sessões lhe dá ainda assim um quórum altamente favorável à cruzada que empreende. De Posto Ypiranga a “tchutchuca”, Tigrão ou czar da economia, Guedes conheceu todos os mimosos epítetos com que o brindaram na trajetória de andarilho atrás de votos pela Previdência, mas segue indiferente, talvez porque costuma colocar a causa acima dos contratempos. Disse isso em Campos: “vou me irritar com o que? Tem uma minoria que fica batendo bumbo, problema deles.
“As pessoas estão ansiosas e irritadas porque vivemos uma crise há quase cinco anos e precisamos da reforma para mudar esse estado de coisas” Rodrigo Maia, presidente da Câmara
A minha expectativa da classe política é a melhor possível, a construtividade do Maia, do Doria e de muitos outros reforça a minha convicção de não recuar. Sem recuo e sem rendição”, estabeleceu o ministro. Seu companheiro de batalha, Rodrigo Maia, que compartilha da mesma fama de pavio curto, sempre com uma resposta na ponta da língua, tem um pé cautelosamente atrás e o outro lado a lado com o de Guedes. “Perdi a condição de cumprir um papel de articulador porque fui mal compreendido, mas se a gente quer reformar o Estado precisamos agora de um pacto onde a Previdência é o primeiro item”, afirma. Maia tem surpreendido positivamente como um autêntico embaixador da reforma no Congresso. Até Guedes reconhece isso. Com seu estilo carrancudo, parrudo, mas competente em todos os sentidos, o presidente da Câmara virou o fiador do projeto, mesmo que o presidente Bolsonaro inicialmente não o tenha enxergado assim. Já no segundo mandato, com assento cativo no comando da Câmara pelos próximos dois anos, não há mais dúvidas de que ele participará das decisões-chaves do que mudar e do que manter na estrutura da proposta (leia quadro) e, aos interlocutores, Maia vem enviando sinais de que não se furtará da missão de harmonizar a Casa, buscando uma solução que elimine os privilégios em qualquer direção: dos servidores públicos aos militares. É aí que a coisa pode pegar. No Executivo se coloca como assunto fechado o tratamento diferenciado para a caserna, com um regime especial de Previdência.
“A gente pode enveredar já pelo caminho certo da reforma porque a convicção de sua importância nunca foi tão acentuada” André Esteves, presidente do BTG Pactual
O Congresso discorda e Maia precisará atuar como apaziguador. Guedes, de sua parte, tem um tom mais incisivo sobre o assunto. Disse na Comissão de Constituição e Justiça, dias antes, que cabe aos parlamentares a coragem de mudar ou não o modelo sugerido para os aposentados de farda. No íntimo ele torce pela revisão para reforçar as chances da economia na casa do trilhão. Sempre preciso na exposição dos motivos, Guedes não arreda pé do ouvido do presidente e atende quando pode demandas como a dos militares. Nesse pormenor, no entanto, ele foi menos enfático – talvez por não estar plenamente a favor – e assim deixou de transmitir explicações convincentes na defesa da categoria. O mesmo não aconteceu quando o item abordado foi o esquema de “capitalização” para as gerações futuras que entrarão daqui por diante no sistema. Com essa via Guedes advoga que serão criados milhares de empregos rápidos em virtude da “desoneração dramática” (expressão dele) dos encargos trabalhistas. Bolsonaro mostra resistência, parlamentares idem, governadores como Doria e Eduardo Leite (RS) apoiam e Guedes se equilibra insistindo na alternativa. De todo modo, o ministro tem se consagrado como referência quando se fala do lado bom do Governo.
Com o seu estilo surpreendente, brilhante e obstinado virou o estrategista-chefe do acordo em andamento. E ainda bem que está sendo bem-sucedido na empreitada. Desenho estatístico de um País que caminha a fortes solavancos, os índices de aposentadoria por aqui dizem respeito a uma velha tragédia nacional – a de não se preparar para o envelhecimento da população. As estatísticas indicam que ocorreu em curtíssimo espaço de tempo aquilo que muitas pessoas temiam: o risco da insolvência do sistema, que se tornou inviável há alguns anos e que agora consome boa parte do orçamento federal. Como pontua Guedes, devido aos estouros bilionários desse modelo os brasileiros ficaram literalmente atolados. “Carimbamos os recursos, vinculamos os gastos e assim reconstruímos uma Europa por ano para ficar no mesmo lugar. R$ 4 trilhões de receita equivale a um Plano Marshall por ano”. O economista se refere ao valor do PIB e o compara ao plano de ajuda financeira das nações destruídas pela II Grande Guerra. Os desembolsos realizados atualmente sangram quase três quartos das receitas públicas disponíveis. Em bom português: não sobra nada, ou quase nada, para o resto. Com uma escalada vertiginosa e ininterrupta do problema. Em sua infelicidade burocrática, o Brasil está enredado numa armadilha da qual precisa se livrar urgentemente.
Os empresários que desembarcaram em peso no foro estão unanimemente convencidos de que não há outra saída que não a da reforma já. “quantas vezes vimos essa discussão ser colocada à mesa e adiada por falta de disposição política? Agora o quadro parece diferente”, disse o presidente da MAN, líder na produção de caminhões no Brasil, Roberto Cortes. “O que temos de notar é que há no momento uma vontade geral na busca por convergência sobre a questão”, endossou o presidente da gigante nacional do aço CSN, Benjamin Steinbruch. “A Reforma garante a solvência do estado brasileiro no futuro, sem isso entramos numa sociedade à beira da falência”, pontuou Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco.

Vozes em Uníssono

Nessa ala que responde pela produção e, na prática, é quem faz a roda girar para os resultados auspiciosos do Produto Interno Bruto, não foram poucas, nem isoladas, as vozes pedindo a solução urgente. Engrossaram o coro personagens como Michael Klein, que construiu a rede varejista Casas Bahia e no momento dedica-se ao setor de aviação, José Luiz Gandini, da Kia Motors e dirigente da associação de importadores de veículos, Claudio Lottenberg, que preside a líder de planos de saúde Amil e Manfredo Rübens, presidente da gigante química Basf. Ali, naqueles dias de agitação sectária que tomou a aprazível cidadezinha de Campos, com ares de recanto europeu, eram ao menos 700 CEOs, financistas e executivos de grandes conglomerados batendo ponto e empenhando aval na composição da Previdência. “Potencialmente, pelo que tratamos aqui, a gente pode enveredar já pelo caminho certo da reforma porque a convicção de sua importância nunca foi tão acentuada”, convocou o fundador e presidente do conselho do BTG Pactual, André Esteves. O Chairman do LIDE, Luiz Fernando Furlan, definiu em uma parábola o que considera como uma fase de transição: “Se queremos pular para um novo Brasil, esse é o caminho”. Do contrário, como pontua o governador Doria, qualquer impulso de retomada estará comprometido. “Sem a reforma, estados, municípios e o próprio Governo Federal entrarão em um caos, com a falta de recursos para o pagamento de serviços básicos de saúde, educação e segurança entre outros”. É melhor não arriscar.

“A Reforma garante a solvência do estado no futuro. Sem isso, entramos numa sociedade à beira da falência” Luiz Carlos Trabuco, Bradesco

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