18/04/2018

Os riscos e as garantias vão mudando

 neste mercado, que tem potencial pra dobrar de tamanho nos próximos cinco anos, alguns seguros que eram quase desconhecidos há pouco tempo, têm se tornado alvos da demanda dos segurados. não tem jeito. todo ano, em algum momento do mês de março, chove torrencialmente na cidade de são paulo. até agora, este risco era parcialmente segurado, através da carteira de seguros de veículos, que há muito tempo dá cobertura para os danos causados pela água na garantia compreensiva. poucos, pouquíssimos imóveis têm garantia para o mesmo risco, mas, de outro lado, uma vasta gama de garantias para outros riscos de origem climática e que podem ocorrer com as chuvas de março estão disponíveis nos pacotes residenciais e empresariais. sua contratação depende da vontade dos segurados, que, curiosamente, na imensa maioria das vezes, deixam de contratá-las. a explicação é simples: o brasileiro não tem o hábito de contratar seguros e isso faz com que a penetração do produto ainda seja muito baixa, principalmente nas classes mais baixas da população. nada que o tempo e a experiência não mudem. é o que estamos começando a ver. a demanda por seguros deve crescer bastante ao longo dos próximos anos. e isso deve acontecer porque o brasileiro está mais consciente da necessidade de proteger seu patrimônio e sua capacidade a atuação. ninguém afeito ao setor tem dúvida de que o mercado pode dobrar de tamanho em cinco anos, bastando para isso que o país continue a crescer, mesmo em ritmo lento. o que nem todo mundo esperava é o que está acontecendo neste momento e que deve pautar os próximos anos. o setor assiste a uma mudança na demanda por seguros. produtos que até agora eram os mais desejados estão se recuperando em ritmo lento, enquanto outras coberturas, muitas inéditas até há pouco tempo, vão sendo alvo da demanda dos segurados. entre as notícias que vão sendo publicadas, é muito mais comum se ler a respeito dos seguros de garantia em geral do que sobre os seguros de incêndio. não faz muitos anos, os seguros de garantia eram o ambiente ideal para especialistas e segurados com demandas específicas. não se falava deles e, quando entravam na pauta, o desconhecimento de seus mecanismos, bastante diversos dos procedimentos adotados pelos seguros mais tradicionais, levavam a sérios problemas de compreensão sobre o que estava sendo segurado e como o seguro funciona. da mesma forma, seguros para riscos cibernéticos eram assunto completamente estranho à realidade o brasileiro. todavia, a rotina implacável do mundo moderno mudou esta percepção e atualmente pouca gente não se interessa em saber o que é, como funciona e para o que servem os seguros para riscos cibernéticos. e muitos descobrem que precisam deste seguro porque seus negócios e responsabilidades estão seriamente ameaçados por ações de criminosos com acesso aos respectivos computadores e bancos de dados. os riscos de responsabilidade civil já são relativamente conhecidos, mas ainda não ocupam o espaço que deveriam ter dentro do faturamento do setor. os diversos riscos ainda não estão completamente claros ou, pelo menos, a ameaça que representam ainda não foi completamente compreendida. responsabilidade civil vai da quebra da vidraça do vizinho por uma bola chutada sem direção aos riscos sofisticadíssimos, e quase incomensuráveis, possíveis de serem causados ao meio ambiente, muitas vezes por pequenos acidentes que não chamam a atenção. é o caso de gotinhas que pingam durante décadas, uma a uma, lentamente, desapercebidas, poluindo o solo e os mananciais próximos. também é o caso de um acidente como o da samarco, em minas gerias. e é o caso de uma cirurgia mal realizada, ou um prazo perdido por um escritório de advocacia. mas qual o dano máximo que uma falha numa rede social pode causar a terceiros? na década de 1980, grandes companhias europeias e norte-americanas já tinham seguros de responsabilidade civil com mais de cem bilhões de dólares de capital agregado. o cenário é amplo e tem espaço de sobra para quem quiser aprender, se profissionalizar e trabalhar bem. seguradores e corretores estão diante de um momento único. é pegar ou pegar. fonte: estadão l antonio penteado
18/04/2018

8 em cada 10 brasileiros não se preparam para aposentadoria, diz pesquisa do SPC Brasil e CNDL

  orçamento apertado é principal justificativa; 7 em cada 10 entrevistados afirmam ter uma meta de guardar dinheiro para a aposentadoria. pesquisa realizada pelo serviço de proteção ao crédito (spc brasil) e pela confederação nacional de dirigentes lojistas (cndl) mostra que 8 em cada 10 brasileiros (78%) admitem que não estão se preparando para a hora de se aposentar. a estimativa das entidades é de que cerca de 104,7 milhões de adultos acima de 18 anos estão nessa situação. apenas 19% têm se preparado, percentual que aumenta para 25% entre os homens, 26% entre os mais velhos e 30% nas classes a e b. entre os principais motivos estão o hábito de planejar a vida a longo prazo (35%) e o exemplo de pessoas que não se prepararam e por isso tiveram problemas financeiros após a aposentadoria (29%). destaques da pesquisa: estimativa é de que 104,7 milhões de adultos não se prepararam; orçamento apertado é principal justificativa; média do valor reservado para a aposentadoria é de r$ 371; brasileiros pretendem se aposentar aos 61 anos. justificativas para adiamento entre os que não se preparam para a aposentadoria, 47% afirmam que não sobra dinheiro no orçamento e 22% alegam que estão desempregados. outros 19% já começaram a guardar dinheiro com esse objetivo, porém, não conseguiram continuar devido a problemas financeiros. e 15% têm outros planos e prioridades. já entre os que começaram a se preparar, mas pararam de guardar dinheiro, os principais motivos foram os problemas financeiros (36%), desemprego (35%) e imprevistos pessoais e/ou familiares (29%). entre estes entrevistados, 22% ainda têm o dinheiro, enquanto 77% já não têm mais – o dinheiro foi utilizado principalmente para pagamento de dívidas (52%), tratamento de saúde (17%) e compras (13%). a maioria dos que pararam de guardar dinheiro para a aposentadoria pretende voltar (92%), no entanto, 52% ainda não tem uma data definida para isso. para parte dos entrevistados que têm outros planos que não englobam reserva para aposentadoria, 56% priorizam a compra da casa própria, 44% os estudos e 27% a compra de um carro. meios para se preparar sete em cada dez entrevistados (77%) afirmam ter uma meta de guardar dinheiro para a aposentadoria. entre eles, 91% estão conseguindo manter essa meta de reservar uma quantia todo mês. já entre os que poupam dinheiro para aposentadoria de forma ativa, 69% guardam dinheiro mensalmente, 18% a cada 2 ou 3 meses e 5% aproximadamente 3 vezes ao ano – já 6% não têm frequência certa. em média, o valor reservado, independentemente da frequência de reserva, é de r$ 371,38. atualmente, o valor médio total aplicado e destinado a aposentadoria é de r$ 20.726,76. os meios mais comuns para se preparar para a aposentadoria são a poupança (39%), inss pago pela empresa (30%) e inss pago por conta própria (23%). entre os que se preparam para a aposentadoria, 87% dizem que possuem o hábito de fazer reserva financeira para outras finalidades além da aposentadoria, sendo que 49% têm dinheiro guardado para imprevistos e 29% para fazer viagens. cerca de 28% dizem saber qual o valor que terão disponível ao se aposentar e 33% acreditam que o valor que está economizando será suficiente para a aposentadoria no futuro. quatro em cada dez (43%) consideram que o valor que poupam para a aposentadoria aumentou nos últimos dois anos, 41% que ele permaneceu o mesmo e apenas 10% que ele diminuiu. 61 anos é idade média para se aposentar de acordo com o levantamento, a idade média em que os entrevistados começaram a poupar para a aposentadoria é 28 anos. em média, os entrevistados pretendem parar de trabalhar e se aposentar aos 61 anos. entretanto, outros 21% pretendem continuar trabalhando de forma integral ou parcial, principalmente porque querem se manter ativos (60%) ou por gostarem do seu trabalho (18%). já entre os que pretendem parar de trabalhar quando se aposentarem, 60% pretendem ter um período de transição até a aposentadoria. as principais atividades planejadas para o período da aposentadoria são viajar (60%), passar mais tempo com os amigos e a família (50%) e ter novos passatempos (42%). previdência privada a pesquisa também identificou como os brasileiros entendem a importância dos planos de previdência privada como complemento financeiro ou alternativa ao sistema previdenciário público ao qual todo trabalhador brasileiro tem direito (inss). considerando apenas os 12% dos entrevistados que se preparam para aposentadoria através de um plano de previdência privada da empresa onde trabalham, 61% receberam uma proposta direta da própria empresa, acharam interessante e resolveram fazer. outros 39% ficaram sabendo que a empresa tinha o plano e solicitaram a adesão. no caso dessas pessoas, 72% possuem um plano de coparticipação com o empregador, que paga uma parte do plano e desconta a outra na folha de pagamento, enquanto para 28% não há contribuição da empresa, pagando integralmente o plano, porém com um valor abaixo do praticado no mercado. o valor médio de contribuição é de r$ 191,28 mensais, sendo que 38% contribuem com até r$ 150,00. a contribuição ao plano de previdência privada representa, em média, 5,48% do salário. fonte: g1
18/04/2018

Fundos de pensão têm rentabilidade de 11,36% em 2017, aponta Abrapp

  ativos totais administrados somaram no ano passado r$ 838 bilhões. as entidades fechadas de previdência complementar, os chamados fundos de pensão, tiveram rentabilidade de 11,36% no acumulado de 2017, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (18) associação brasileira das entidades fechadas de previdência complementar (abrapp). os ativos totais administrados somaram no ano passado r$ 838 bilhões. a rentabilidade média de 2017 ficou abaixo do retorno de 14,56% registrado em 2016. a abrapp informou, porém, que o índice ficou "bem acima da taxa padrão de 8,86%". "a rentabilidade acumulada de 2003 a 2017 foi de 641,45%, também superior à meta atuarial do período (476,24%)", destacou o relatório. o levantamento mostrou também que o valor médio mensal dos benefícios pagos pelos fundos no ano passado foi de r$ 5.882 por mês. segundo dados divulgados na segunda-feira (16) pela superintendência nacional de previdência complementar (previc), os fundos de pensão reduziram em r$ 34,5 bilhões o déficit acumulado em 2017. assim, o saldo negativo das entidades fechou o ano passado em r$ 36,1 bilhões. um ano antes, havia sido de r$ 70,6 bilhões. no ano passado, o setor tinha 141 entidades superavitárias, cujo resultados positivos somados chegaram a r$ 20 bilhões. outras 86 fundações estavam em equilíbrio.
16/04/2018

CSP-MG e entidades de mercado recebem superintendente da Susep

 diretores do csp-mg e o superintendente da susep joaquim mendanha (ao centro) "em um país como o brasil, o órgão regulador também precisa exercer o papel de fomento ao mercado. não há economia sólida sem um mercado de seguros forte. é assim no mundo todo”, declarou o superintendente da susep, joaquim mendanha de ataídes, em palestra proferida no dia 13 de abril, em belo horizonte. jefferson chaddid (pres. do clubcor-mg), augusto matos (pres. do sindseg mg/go/mt/df), maria filomena branquinho (pres. do sincor-mg), joaquim mendanha (titular da susep) e joão paulo moreira de mello (pres. do csp-mg) o evento foi uma parceria entre o clube de seguros de pessoas de minas gerais (csp-mg), sindseg mg/go/mt/df (sindicato das seguradoras), sincor-mg e clubcor-mg. aproximadamente 150 pessoas registraram presença, entre corretores, executivos de seguradoras, autoridades e consultores do mercado. “é com muita satisfação que recebemos o superintendente da susep. essa iniciativa é fruto da união e dos esforços conjuntos das entidades mineiras visando ao desenvolvimento do setor”, comentou o presidente do csp-mg, joão paulo moreira de mello.  joaquim mendanha falou sobre o trabalho desenvolvido à frente da autarquia desde julho de 2016. ele ressaltou os três pilares de sua gestão: o fomento à indústria de seguros, a busca pela eficiência com a desburocratização de processos internos e externos e o aperfeiçoamento do modelo de supervisão. o superintendente também citou a criação de grupos de trabalho e comissões, com o objetivo de discutir as diversas modalidade de seguros, o mercado marginal e o seguro dpvat, além de temas atuais como o comércio digital de seguros e as insurtechs.  os grupos são integrados por representantes do setor e de órgãos governamentais. “não somos contra a inovação, a disrupção, mas temos regras de proteção ao consumidor e de solvência do mercado que devem ser respeitadas. as startups que querem comercializar seguros são bem-vindas, desde que o façam de forma legal", pontuou o superintendente. sobre os seguros de pessoas, entre as principais ações desenvolvidas pela susep, joaquim mendanha fez questão de destacar as novas regras dos planos pgbl e vgbl, sugeridas pelo órgão regulador e aprovadas pelo conselho nacional de seguros privados (cnsp). em meio ao debate em torno da reforma da previdência social, a susep apontou a necessidade de aperfeiçoamento dos produtos de acumulação, propondo a revisão das normativas do segmento, de forma que a iniciativa privada atenda à demanda dos novos consumidores pela previdência complementar.  com relação ao seguro vida universal, já aprovado pela resolução cnsp nº 344, o dirigente disse que a regulamentação do produto depende de ajustes tributários e que espera para breve instrução normativa da receita federal sobre o assunto. mendanha também adiantou que será divulgada nos próximos dias a normativa sobre as novas regras para o setor de capitalização. após a palestra, o titular da susep participou de debate com os dirigentes das entidades promotoras do evento e respondeu perguntas da plateia. além do presidente do csp-mg, joão paulo moreira de mello, compuseram a mesa os presidentes do sindseg, augusto matos, do sincor-mg, maria filomena branquinho e do clubcor-mg, jefferson chaddid. a mediação ficou a cargo do diretor de seguros do csp-mg, mauricio tadeu barros morais. no encerramento do evento, joaquim mendanha de ataídes foi agraciado com a medalha do mérito segurador, comenda concedida pelo sindseg mg/go/mt/df às personalidades que contribuem para o desenvolvimento e fortalecimento do mercado de seguros. fonte: portal nacional de seguros por déborah gurgel
16/04/2018

Risco empresarial será destaque no mercado

 com o maior consumo, seguradoras investem em ferramentas digitais para melhorar a oferta de apólices de d&o e cyber risks. incertezas políticas, porém, ainda atrasam a demanda no setor fonte: dci por isabela bolzani • são paulo com melhora do consumo e da economia, seguros voltados para riscos empresariais são apostas nas seguradoras, com produtos de responsabilidade civil e cyber risk, além de apólices customizáveis. porém, a incerteza política atrasa a recuperação do setor. acompanhando o desempenho econômico do país e a recuperação gradativa da demanda de pessoas jurídicas, seguradoras focam em produtos específicos para elevar sua receita ao longo de 2018. “a procura pelos produtos de seguros melhora em todos os segmentos e nas mais varias regiões e portes das companhias”, comenta o presidente da chubb brasil, antonio trindade. para ele, as coberturas de cyber risks, de responsabilidade civil e as apólices voltadas para pequenas e médias empresas começam a ter força entre seguradoras. “companhias de todos os tamanhos têm procurado o seguro de riscos cibernéticos, incluindo as de menor porte que começam a adotar medidas para se defender dos criminosos que não conseguem mais enfrentar as grandes organizações”, explica. o mesmo se aplica às coberturas de responsabilidade civil. para o diretor executivo da tailor insurance, antoine maleh, a recessão trouxe maior consciência entre as empresas para a “necessidade de se precaverem e de se protegerem”. “como esse produto vem contra danos involuntários causados pelo próprio executivo ou por terceiros aos produtos ou à empresa, vemos um forte movimento para essa apólice”, comenta o executivo. “além disso, as últimas mudanças da susep também contribuíram especificamente com o d&o”, afirma trindade. os executivos acrescentam que os produtos customizáveis para as pequenas e médias empresas também devem experimentador uma “expressiva expansão” ao longo deste ano. ambiente incerto as incertezas políticas e macroeconômicas que ainda existem no país, porém, ainda atrasam a retomada mais forte projetada pelo mercado. segundo os últimos dados da superintendência de seguros privados (susep), por exemplo, em fevereiro os prêmios de seguros do d&o caíram 8,7% em relação ao mesmo mês de 2017, de r$ 26,15 milhões para r$ 23,86 milhões. “infelizmente, o cenário está diretamente ligado à contratação de seguro empresarial onde as companhias, com pouca melhoria efetiva, deixam de contratar coberturas específicas. mas a expectativa é positiva, já que apenas uma minoria opta por não contratar o seguro”, conclui antonie maleh.
16/04/2018

Mercado baixa expectativa de inflação e de alta do PIB em 2018

  previsão dos analistas dos bancos para inflação deste ano caiu de 3,53% para 3,48%. para o pib, estimativa de alta passou de 2,80% para 2,76%. fonte: alexandro martello, g1, brasília os economistas do mercado financeiro reduziram sua estimativa para a inflação e para o crescimento do produto interno bruto (pib) em 2018. as previsões do mercado estão no relatório de mercado, também conhecido como "focus", feito com base em pesquisa realizada na semana passada pelo banco central com mais de 100 instituições financeiras. os números foram divulgados nesta segunda-feira (16). a previsão do mercado para a inflação em 2018 passou de 3,53% para 3,48% na semana passada. foi a décima primeira queda seguida no indicador. o percentual esperado pelos analistas continua abaixo da meta central que o banco central precisa perseguir para a inflação neste ano, que é de 4,5%. entretanto, está dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema, que considera que a meta terá sido cumprida pelo bc se o índice de preços ao consumidor amplo (ipca) ficar entre 3% e 6%. a meta de inflação é fixada pelo conselho monetário nacional (cmn). para alcançá-la, o banco central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (selic). para 2019, o mercado financeiro baixou sua expectativa de inflação de 4,09% para 4,07%. a estimativa do mercado está em linha com a meta central do próximo ano, de 4,25%, e também dentro da banda do sistema de metas (entre 2,75% e 5,75%). pib e juros para o resultado do pib em 2018, os economistas dos bancos baixaram a previsão de crescimento de 2,80% para 2,76%. foi a terceira queda seguida do indicador. para o ano que vem, a expectativa do mercado para expansão da economia continua em 3%. o produto interno bruto é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. em 2016, o pib teve uma retração de 3,5%. em 2017, cresceu 1% e encerrou a recessão no país. os analistas do mercado mantiveram em 6,25% ao ano sua previsão para a taxa básica de juros da economia, a selic, ao final de 2018. atualmente, a taxa está em 6,5% ao ano. a redução na expectativa do mercado veio após o próprio banco central ter indicado que pode continuar reduzindo a taxa básica de juros nos próximos meses. para o fim de 2019, a estimativa do mercado financeiro para a selic continuou em 8% ao ano. deste modo, os analistas seguem prevendo alta dos juros no ano que vem. câmbio, balança e investimentos na edição desta semana do relatório focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 ficou estável em r$ 3,30 por dólar. para o fechamento de 2019, permaneceu inalterada em 3,39 por dólar. a projeção do boletim focus para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), em 2018, subiu de us$ 55 bilhões para us$ 55,8 bilhões de resultado positivo. para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado para o superávit avançou de us$ 45,8 bilhões para us$ 48 bilhões. a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no brasil, em 2018, permaneceu em us$ 80 bilhões. para 2019, a estimativa dos analistas ficou estável em us$ 80 bilhões.
16/04/2018

Bovespa ronda a estabilidade em manhã de vencimento de opções

 a bovespa oscila entre leves altas e baixas desde a abertura, limitada pelo vencimento de opções sobre ações na manhã desta segunda-feira (16) na b3. às 10h35min, o principal índice da bolsa recuava 0,26%, aos 84.115,51 pontos, pouco depois do início dos negócios em wall street. por lá, os índices das bolsas de nova iorque se recuperam diante da avaliação de que o ataque com mísseis dos estados unidos à síria na noite de sexta-feira passada foi apenas um fato pontual, e não parte de um conflito mais amplo. fonte: estadão
16/04/2018

Balança comercial teve superávit de US$ 13,9 bilhões no 1º trimestre, mostra FGV

 o saldo da balança comercial ficou em us$ 13,9 bilhões no primeiro trimestre de 2018, resultado inferior ao superávit de us$ 14,4 bilhões registrado no mesmo período de 2017. os dados são do indicador do comércio exterior (icomex), divulgado nesta segunda-feira (16) pela fundação getulio vargas (fgv). em termos de valor, as exportações diminuíram o ritmo de crescimento passando de um avanço de 24,3% no primeiro trimestre de 2017 para alta de 7,8% no primeiro trimestre de 2018. já as importações mantiveram a taxa de crescimento de aproximadamente 12%. no primeiro trimestre deste ano, a china foi o principal destino das exportações brasileiras, recebendo 23,2% do total exportado. o país respondeu ainda por 19,8% das importações brasileira, atrás da união europeia, com uma fatia de 20,7%. o icomex tem como objetivo contribuir para a avaliação do nível de atividade econômica do país, por meio da análise mais aprofundada dos resultados das importações e exportações. "a análise dos indicadores de comércio no primeiro trimestre mostra que o ritmo de crescimento das exportações em termos de volume é menor do que em 2017 com melhor desempenho para o grupo de não commodities. nas importações há sinais de que a desvalorização da taxa de câmbio efetiva real está atenuando o crescimento das importações em uma fase de lenta recuperação do nível de atividade", avaliou lia valls, pesquisadora do instituto brasileiro de economia da fgv (ibre/fgv), em nota oficial. os preços de exportações passaram de um crescimento de 18,6% no primeiro trimestre do ano passado para alta de 12,3% no primeiro trimestre deste ano. o volume exportado saiu de um avanço de 7,4% para uma queda de 4,2% no mesmo período. nas importações, os preços saíram de aumento de 2,9% no primeiro trimestre de 2017 para crescimento de 14,3% no mesmo trimestre de 2018. o volume importado, porém, passou de uma elevação de 9,8% para uma queda de 1,0% no período. segundo a fgv, os dados mostram um comércio menos dinâmico no primeiro trimestre de 2018 em comparação com 2017. fonte: estadão
16/04/2018

Caixa reduz para 9% ao ano taxa de juros do crédito imobiliário

 a caixa econômica federal anunciou nesta segunda-feira (16) redução das taxas de juros do crédito imobiliário e aumento do percentual do valor do imóvel financiado. as taxas mínimas passaram de 10,25% ao ano para 9% ao ano, no caso de imóveis do sistema financeiro de habitação (sfh), e de 11,25% ao ano para 10% ao ano para imóveis enquadrados no sistema de financiamento imobiliário (sfi). as taxas máximas caíram de 11% para 10,25%, no caso do sfh, e de 12,25% 11,25%, no sfi. segundo o presidente da caixa, nelson antônio de souza, a redução das taxas de juros facilita o acesso à casa própria e estimula o mercado imobiliário. "o objetivo da redução é oferecer melhores condições para os nossos clientes, além de contribuir para o aquecimento do mercado imobiliário e suas cadeias produtivas", destacou, em nota. a última redução de juros feita pela caixa ocorreu em novembro de 2016, quando as taxas mínimas passaram de 11,22% para 9,75% ao ano para imóveis financiados pelo sfh, e de 12,5% para 10,75% ao ano para imóveis do sfi. o banco aumentou novamente o limite de cota de financiamento do imóvel usado, de 50% para 70%. em setembro do ano passado, a caixa tinha reduzido para 50% do valor do imóvel o limite máximo de financiamento. a caixa também retomou o financiamento de operações de interveniente quitante (imóveis com produção financiada por outros bancos) com cota de até 70%. os prazos para permanecem entre 156 para 420 meses no caso do sfh e 120 a 420 meses, no sfi. a caixa, que lidera o mercado com cerca de 70% das operações, possui r$ 82,1 bilhões para o crédito habitacional em 2018. estão enquadrados no sfh imóveis residenciais de até r$ 800 mil para todo país, exceto para rio de janeiro, são paulo, minas gerais e distrito federal, onde o limite é de r$ 950 mil. os imóveis residenciais acima dos limites do sfh são enquadrados no sfi. essas alterações passam a valer a partir de hoje.   jornal do comércio (http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2018/04/economia/622246-caixa-reduz-para-9-ao-ano-taxa-de-juros-do-credito-imobiliario.html)  

O acordão da Previdência


12/04/2019

Como uma espécie de Davos à brasileira, o 18º Fórum do LIDE reuniu, de forma inédita, governadores, parlamentares, empresários e o Executivo para fecharem questão em torno de mudanças na aposentadoria, no maior pacto federativo já visto sobre o tema. Agora é possível que a Reforma saia de uma vez do papel

O ministro Paulo Guedes e o presidente da Câmara Rodrigo Maia tocam instrumentos diferentes na sinfonia do poder, mas nada impede que atuem na mesma orquestra quando a partitura interessa a todos. No caso, a tão decantada e ainda aguardada Reforma da Previdência. Semanas a fio, de uns tempos para cá, os dois estão compondo, afinados, a banda de articulações que tenta a aprovação da proposta, ainda no primeiro semestre se tudo correr bem. Marcam quase todos os dias conversas fechadas nos gabinetes do Parlamento e do ministério para acertar pontos ainda pendentes. Seguem juntos para conversas com as bancadas dos partidos e com públicos e plateias os mais variados. Tratam de ajustes pontuais no texto e no calhamaço de estatísticas para chegar ao número mágico pretendido de uma economia na casa de R$ 1 trilhão em dez anos.
E trocam elogios mútuos quando se referem à disposição do interlocutor para aceitar sugestões. Viraram, por assim dizer, verso e emenda do mesmo refrão. Na semana passada, os dois e mais o presidente do Senado David Alcolumbre – que também dá corda à cantilena da Reforma – além de portentos empresariais, ministros, congressistas e seis governadores se reuniram em um encontro tão representativo como inequívoco na demonstração de força e sintonia em torno do tema. Na 18º edição do Fórum Empresarial do LIDE, dessa vez realizado em Campos do Jordão, interior de São Paulo – com um formato e dinâmica que lembram em muito as conferências globais de Davos -, todos pareciam sinceramente ávidos por enfrentar o impossível para chegar lá (ou, pelo menos, o aparentemente impossível, dado que sai governo, entra governo, ninguém consegue emplacar a ideia) com uma espécie de bloco coeso de apoio, integrado por camadas de diversos setores comprometidos com a retomada econômica. Foi um ponto de inflexão importante nessa trajetória de idas e vindas daquela que é, de fato, a principal pauta lançada sobre as mesas de deputados e senadores neste ano. Até aqui não havia ocorrido ainda uma reunião tão ampla e diversificada de agentes envolvidos com a reforma. Na batuta da mobilização, o governador de São Paulo, João Doria, funcionou ali como uma espécie de intermediador de interesses, sem tomar lados, uma vez que o intuito geral era o de fechar a agenda comum pelo engajamento para ajudar no rito da aprovação. “Não há mais o que esperar, o Brasil precisa o quanto antes dessa reforma, o recado ficou claro e vamos trabalhar em conjunto por ela. Articulem-se, sejamos todos ativos nessa direção”, convocou Doria, que há quase duas décadas idealizou os fóruns anuais (ainda organizados pelo grupo que leva o seu nome e do qual se desligou desde que entrou para a política, deixando a direção a cargo de uma banca de profissionais). De uns tempos para cá, no comando da máquina paulista, Doria procurou ser uma espécie de fiador de entendimentos nesse sentido, se esforçando como poucos para reunir, inclusive na própria casa, vários dos personagens da complexa negociação. Foi assim na semana passada quando recepcionou o vice-presidente General Mourão e sugeriu alguns encontros entre ele e os governadores dos demais Estados para ouvir as necessidades de cada um, e ao receber também o presidente do Supremo Tribunal, Dias Toffoli, que reagiu entusiasmado ao convite: “estou há 10 anos no STF e nunca ninguém me chamou para uma conversa como essa e o senhor faz isso justo no momento mais decisivo do País”, disse ao anfitrião. No ponto alto das rodadas de tratativas que entabulou pela reforma, Doria resolveu falar a respeito tanto com o presidente Bolsonaro como com o deputado Maia para aparar arestas, tal qual um bombeiro que percebe a fumaça a tempo de controlar o incêndio. É um trabalho de diplomacia que vem fazendo a diferença. No Fórum de Campos, ele dobrou a aposta. Lá, de certa forma, estavam colocados inúmeros papeis estratégicos disponíveis a cada um dos participantes para o sarau de negociações. Para quem viu de fora foi possível alimentar razoável otimismo sobre a costura de saídas para o impasse previdenciário. Basta compreender a função dos protagonistas daqueles tête-à-tête e a dimensão de um encontro como o de Campos, quando esses senhores reservaram o final de semana para juntos debater e firmar denominadores comuns.
“Não há mais o que esperar. O Brasil precisa o quanto antes dessa reforma” João Doria, governador de São Paulo
Existiam diferenças? Claro. Incontornáveis? O desenrolar do evento acabou demonstrando que não. Lado a lado, sem intermediários, os participantes acabaram por fechar convergências em vários aspectos. E isso fez toda diferença na evolução dos ânimos quanto à entrega ao País de uma reforma verdadeiramente eficaz. O clima de hostilidade de outras ocasiões foi superado e análises consistentes sobre crise fiscal, reorientação de receitas e passos complementares na área das privatizações e do ajuste no Sistema “S” pontificaram sem maiores resistências. Os governadores, por exemplo, estão muitos deles em situações calamitosas de caixa. Não sabem como seguir um ano sequer a mais com o atual quadro de vinculações orçamentárias para a rubrica das pensões, bem mais salgadas no campo da atividade pública se comparadas às da iniciativa privada. Deram ali esse testemunho e reforçaram a carga de pressão sobre os representantes do Legislativo presentes. Prefeitos, deputados e senadores que foram ao Fórum, dentre os quais Antonio Carlos Magalhães Neto, de Salvador, e Nelson Marchezan, de Porto Alegre, repisaram o alerta da inanição dramática de verbas nas respectivas regiões para bancar o compromisso. Cada uma das vozes serviu de caixa de ressonância direta sobre os feitores da costura do projeto, dispostos de maneira genuína a escutar e ajustar excessos.
Ministros como o responsável pela pasta da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, trouxeram sua contribuição mostrando os esforços em andamento para a recomposição de receitas. Freitas listou um balanço de leilões que repassaram, dentre outras estruturas, inúmeros terminais portuários, ferroviários e aeroportos. No total, em 60 dias, 23 ativos mudaram de mãos, do Estado para a iniciativa privada, gerando resultados bilionários que vão ajudar no resgate da saúde financeira da União. Longe dali, até a ala militar, através dos generais Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança, e Eduardo Villas Bôas, ex-comandante-geral do Exército, saíram em busca de apoio para as mudanças nas aposentadorias e serviram de promotores do tema em convescote no final de semana com um grupo de governadores liderados por Ronaldo Caiado, de Goiás. Caiado esteve ainda no pelotão dos participantes do Fórum.

Um pacto federativo

Mas vamos nos ater aos principais protagonistas dessa espécie de pacto federativo que ocorreu durante as rodadas de Campos – e não se pode chamar de outra coisa uma sinalização conjunta de ideias em torno da Reforma. Maia e Guedes exerceram no encontro a condição de maestros da pacificação. Por mais que opositores e críticos do Governo tentem desmerecer o escopo do projeto, a dupla de seus defensores tem acertado não apenas no diagnóstico da crise como na receita para saná-la. Tal qual padarias mal administradas, o Tesouro Nacional mergulhou há muito tempo no vermelho e já teria ido à falência se estivesse no ramo comercial – principalmente devido aos desembolsos descomunais que realiza para arcar com a Previdência, na casa dos R$ 720 bilhões ao ano. Os arautos da reforma estão juntos conversando com os interlocutores para demonstrar por A mais B que o único jeito de consertar a situação e evitar o desfecho trágico passa por uma reformulação completa do sistema de gastos sob essa rubrica. “Tenho a minha absoluta tranquilidade, fora dos ruídos aqui e ali, quanto à dinâmica maior dos eventos. Para mim é claro que a continuar nessa marcha estaremos indo para a desordem da forma mais organizada que já vi”, alertou Guedes ainda na sexta-feira 05 a uma plateia de atentos ouvintes. “As pessoas estão irritadas e ansiosas porque vivemos uma crise há quase cinco anos e precisamos da reforma para mudar esse estado de coisas”, reforçou Maia. Os dois estão pedindo ao Congresso celeridade. Essa é uma providência habitualmente perseguida pelos governantes, mas a missão de cobrá-la e negociá-la foi tão mal recebida pelo mandatário que ambos decidiram tomar a frente do processo. Diga-se de passagem que os brasileiros acompanham desde o início, com certa sofreguidão, o desenrolar dos acordos. Em um primeiro momento majoritariamente contra a perda de benefícios perceberam que seriam os principais prejudicados, ou no mínimo seus filhos, pela falta de uma solução estrutural. A história revelou que, a rigor, a curva de contribuintes e de beneficiários se inverteu dramaticamente com o avanço da população idosa – fenômeno que, por aqui, assumiu contornos de calamidade na equação. O resultado a que se chegou, com risco de calote generalizado dos pagamentos em até três ou quatro anos, pode ter contribuído para a mudança dos humores da população a favor de um ajuste. Pesquisa da XP Investimentos divulgada recentemente mostrou que 65% dos entrevistados se colocam agora a favor da reforma. O aval serviu de senha para que o ministro Guedes tomasse novo fôlego após o bombardeio de ataques que sofreu da bancada do atraso na Câmara. Ah, as contradições da democracia! Se há 15 dias Guedes perdeu a paciência com um auditório dominado por arrivistas que o exauriram em seis horas de depoimento, nas apresentações de Campos, logo após, ele teve que seguidamente interromper as mesmas explicações em virtude dos aplausos de convertidos, inebriados com a clareza dos argumentos. Dois públicos, duas reações absolutamente distintas. A soma das sessões lhe dá ainda assim um quórum altamente favorável à cruzada que empreende. De Posto Ypiranga a “tchutchuca”, Tigrão ou czar da economia, Guedes conheceu todos os mimosos epítetos com que o brindaram na trajetória de andarilho atrás de votos pela Previdência, mas segue indiferente, talvez porque costuma colocar a causa acima dos contratempos. Disse isso em Campos: “vou me irritar com o que? Tem uma minoria que fica batendo bumbo, problema deles.
“As pessoas estão ansiosas e irritadas porque vivemos uma crise há quase cinco anos e precisamos da reforma para mudar esse estado de coisas” Rodrigo Maia, presidente da Câmara
A minha expectativa da classe política é a melhor possível, a construtividade do Maia, do Doria e de muitos outros reforça a minha convicção de não recuar. Sem recuo e sem rendição”, estabeleceu o ministro. Seu companheiro de batalha, Rodrigo Maia, que compartilha da mesma fama de pavio curto, sempre com uma resposta na ponta da língua, tem um pé cautelosamente atrás e o outro lado a lado com o de Guedes. “Perdi a condição de cumprir um papel de articulador porque fui mal compreendido, mas se a gente quer reformar o Estado precisamos agora de um pacto onde a Previdência é o primeiro item”, afirma. Maia tem surpreendido positivamente como um autêntico embaixador da reforma no Congresso. Até Guedes reconhece isso. Com seu estilo carrancudo, parrudo, mas competente em todos os sentidos, o presidente da Câmara virou o fiador do projeto, mesmo que o presidente Bolsonaro inicialmente não o tenha enxergado assim. Já no segundo mandato, com assento cativo no comando da Câmara pelos próximos dois anos, não há mais dúvidas de que ele participará das decisões-chaves do que mudar e do que manter na estrutura da proposta (leia quadro) e, aos interlocutores, Maia vem enviando sinais de que não se furtará da missão de harmonizar a Casa, buscando uma solução que elimine os privilégios em qualquer direção: dos servidores públicos aos militares. É aí que a coisa pode pegar. No Executivo se coloca como assunto fechado o tratamento diferenciado para a caserna, com um regime especial de Previdência.
“A gente pode enveredar já pelo caminho certo da reforma porque a convicção de sua importância nunca foi tão acentuada” André Esteves, presidente do BTG Pactual
O Congresso discorda e Maia precisará atuar como apaziguador. Guedes, de sua parte, tem um tom mais incisivo sobre o assunto. Disse na Comissão de Constituição e Justiça, dias antes, que cabe aos parlamentares a coragem de mudar ou não o modelo sugerido para os aposentados de farda. No íntimo ele torce pela revisão para reforçar as chances da economia na casa do trilhão. Sempre preciso na exposição dos motivos, Guedes não arreda pé do ouvido do presidente e atende quando pode demandas como a dos militares. Nesse pormenor, no entanto, ele foi menos enfático – talvez por não estar plenamente a favor – e assim deixou de transmitir explicações convincentes na defesa da categoria. O mesmo não aconteceu quando o item abordado foi o esquema de “capitalização” para as gerações futuras que entrarão daqui por diante no sistema. Com essa via Guedes advoga que serão criados milhares de empregos rápidos em virtude da “desoneração dramática” (expressão dele) dos encargos trabalhistas. Bolsonaro mostra resistência, parlamentares idem, governadores como Doria e Eduardo Leite (RS) apoiam e Guedes se equilibra insistindo na alternativa. De todo modo, o ministro tem se consagrado como referência quando se fala do lado bom do Governo.
Com o seu estilo surpreendente, brilhante e obstinado virou o estrategista-chefe do acordo em andamento. E ainda bem que está sendo bem-sucedido na empreitada. Desenho estatístico de um País que caminha a fortes solavancos, os índices de aposentadoria por aqui dizem respeito a uma velha tragédia nacional – a de não se preparar para o envelhecimento da população. As estatísticas indicam que ocorreu em curtíssimo espaço de tempo aquilo que muitas pessoas temiam: o risco da insolvência do sistema, que se tornou inviável há alguns anos e que agora consome boa parte do orçamento federal. Como pontua Guedes, devido aos estouros bilionários desse modelo os brasileiros ficaram literalmente atolados. “Carimbamos os recursos, vinculamos os gastos e assim reconstruímos uma Europa por ano para ficar no mesmo lugar. R$ 4 trilhões de receita equivale a um Plano Marshall por ano”. O economista se refere ao valor do PIB e o compara ao plano de ajuda financeira das nações destruídas pela II Grande Guerra. Os desembolsos realizados atualmente sangram quase três quartos das receitas públicas disponíveis. Em bom português: não sobra nada, ou quase nada, para o resto. Com uma escalada vertiginosa e ininterrupta do problema. Em sua infelicidade burocrática, o Brasil está enredado numa armadilha da qual precisa se livrar urgentemente.
Os empresários que desembarcaram em peso no foro estão unanimemente convencidos de que não há outra saída que não a da reforma já. “quantas vezes vimos essa discussão ser colocada à mesa e adiada por falta de disposição política? Agora o quadro parece diferente”, disse o presidente da MAN, líder na produção de caminhões no Brasil, Roberto Cortes. “O que temos de notar é que há no momento uma vontade geral na busca por convergência sobre a questão”, endossou o presidente da gigante nacional do aço CSN, Benjamin Steinbruch. “A Reforma garante a solvência do estado brasileiro no futuro, sem isso entramos numa sociedade à beira da falência”, pontuou Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco.

Vozes em Uníssono

Nessa ala que responde pela produção e, na prática, é quem faz a roda girar para os resultados auspiciosos do Produto Interno Bruto, não foram poucas, nem isoladas, as vozes pedindo a solução urgente. Engrossaram o coro personagens como Michael Klein, que construiu a rede varejista Casas Bahia e no momento dedica-se ao setor de aviação, José Luiz Gandini, da Kia Motors e dirigente da associação de importadores de veículos, Claudio Lottenberg, que preside a líder de planos de saúde Amil e Manfredo Rübens, presidente da gigante química Basf. Ali, naqueles dias de agitação sectária que tomou a aprazível cidadezinha de Campos, com ares de recanto europeu, eram ao menos 700 CEOs, financistas e executivos de grandes conglomerados batendo ponto e empenhando aval na composição da Previdência. “Potencialmente, pelo que tratamos aqui, a gente pode enveredar já pelo caminho certo da reforma porque a convicção de sua importância nunca foi tão acentuada”, convocou o fundador e presidente do conselho do BTG Pactual, André Esteves. O Chairman do LIDE, Luiz Fernando Furlan, definiu em uma parábola o que considera como uma fase de transição: “Se queremos pular para um novo Brasil, esse é o caminho”. Do contrário, como pontua o governador Doria, qualquer impulso de retomada estará comprometido. “Sem a reforma, estados, municípios e o próprio Governo Federal entrarão em um caos, com a falta de recursos para o pagamento de serviços básicos de saúde, educação e segurança entre outros”. É melhor não arriscar.

“A Reforma garante a solvência do estado no futuro. Sem isso, entramos numa sociedade à beira da falência” Luiz Carlos Trabuco, Bradesco

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